Tag Archives: Artigo

12jun/19

Sejamos sempre como namorados!

Feliz o casal que sabe ver-se com os olhos do coração. Para ele, o tempo nunca passa. A Beleza e o Amor são eternos.

Paiva Netto

Doze de junho, Dia dos Namorados!

Quando a gente ama, as primaveras e alguns invernos (risos) vão passando, e até a aparência corporal não perde a graça. Falo de Amor, é claro!

Amor é como o cinquentenário que reuniu por tantos anos Zélia (1916-2008) e Jorge Amado (1912-2001): “Tomo da mão de minha namorada, cúmplice da aventura há mais de meio século, copiloto na navegação de cabotagem: vamos sair de férias, mulher, bem as merecemos após tanto dia e noite de trabalho na escrita e na invenção. Vamos de passeio, sem obrigações, sem compromissos, vamos vagabundear sem montra de relógio, sem roteiro, anônimos viandantes”.

O saudoso Alziro Zarur (1914-1979), poeta, costumava dizer: “O Amor é todo o encanto da vida. A vida sem Amor não vale nada”.

A beleza do Espírito

Se você namorar e casar só por causa da formosura e do corpo sarado, poderá dar-se mal um dia, pois a fascinação exterior passará como o vento. Contudo, se for unir-se porque tem Amor, o encanto físico com o tempo poderá não ser o mesmo; porém, você amará como amou quando jovem e com maior maturidade. O tempo ensina, ensina. Só não aprende quem não quer.

Senão, que amor é esse? Não terá passado de sentimento falso. Mas, se constituir matrimônio verdadeiramente motivado por forte bem-querer, a felicidade crescerá como as árvores seculares, porque o Amor será infinito.

A beleza é coisa primorosa. O Amor, todavia, é muito maior do que tudo isso. Ele estabelece a simpatia. E este é o atrativo que não morre, a graça eterna do Espírito. Nem a morte separa os que se amam, menos quando há suicídio.

Lembro-me de um instrutivo canto de Zarur, no seu poema “Aos Casais Legionários”: “(…) Não é o corpo que atrai: / É o Espírito que ama”.

E, se o Espírito ama — pois foi criado à imagem e semelhança de Deus —, esse Amor é permanente.

João Evangelista ensina, em sua Primeira Epístola, 4:8, que “Deus é Amor”, ao que Zarur assim completa: “e nada existe fora desse Amor”.

Nem o Amor dos namorados.

O princípio básico do Ser

O Amor, acima de tudo, antes de ser carnal, deve provir da Alma. Do contrário, pode morrer na noite de núpcias… Mas, se tiver como alicerce o Espírito e o coração de ambos os amantes, aí a lua de mel se repetirá por toda a vida, apesar das rusgas que sempre ponteiam a convivência de um casal.

Eles serão eternamente namorados

Essas palavras podem ser por demais românticas numa era de vale-tudo. Talvez… No entanto, trata-se de triste engano pensar que o sentido do Amor se tenha findado neste planeta. É desastroso deixar-se levar pela moda do momento, porque você, passada a onda às vezes demorada, padecerá das dores da frustração que é ter negado a sua própria natureza de criatura de Deus. Provavelmente, perceberá, então, que o pior sofrimento é a ausência de Amor, uma verdade rejeitada por gente de influência no mundo, cujo escarmento, lá na hora de se entender com o travesseiro, é a conclusão, aos outros às vezes bem escondida, de que é igual a todos: carente de afeto, como o seu corpo de alimento. É evidente que lhes falo do Amor que não é fonte de desvarios, porquanto “princípio básico do Ser, fator gerador de vida, que está em toda parte e é tudo”.

Quando estamos amando e vamos ao encontro da pessoa que de forma indelével tocou a nossa sensibilidade, o júbilo contagia-nos: “Como está feliz a minha Alma!”

E ressoa em nosso coração as badaladas de um suave sino de contentamento.

Dispara o peito da gente!

Sexo e coração

Não nos seria tão agradável ouvi-lo tocar, em toda a existência, sempre que a virmos e nela, mesmo quando distantes, pensarmos? É assim que temos de ser. Dessa forma, o sexo é algo lindo, maravilhoso, e dura por toda a vida. Sexo se faz com o coração.

Amor: o alimento do Espírito

O organismo precisa de vitaminas, de alimento material. Diziam os antigos, com muito acerto, que “saco vazio não se põe de pé”. Com o Espírito assim também ocorre. Só que a iguaria da Alma é o Amor, um patrimônio de Deus que Ele generosamente reparte com Seus filhos.

Hoje se confunde Amor com sexo. Sexo é bom, mas sem Amor é igual a fedor, ou pior, ameaça de doença venérea transmissível. Quem ama não vai buscar distração lá fora, pondo em perigo a quem nele confia.

Mudar os hábitos

É muito oportuna, aqui, a palavra sempre inspirada do Dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), constante do seu livro Reflexões sobre Jesus e Suas Leis (Editora Elevação), na psicografia do Sensitivo Legionário Chico Periotto“Nas fases de profundo sofrimento em que o Espírito suplica ao Redentor piedade e sustentação, fontes invisíveis derramam a água torrencial do Amor de Deus sobre nossa existência terrestre. Contudo, a incomensurável força que nos reporta do Santíssimo solicita nossa renovação. Mudar para melhor os hábitos, os pensamentos e as ações. O Amor vencerá sempre, e, por isso, a dor será motivada a desaparecer de nosso ainda atribulado caminho”.

Amor fica, desejo passa.

Certa vez, perguntado, aconselhei alguém que não se apressasse no seu namorisco. Bem parecido com o que afirmei no Congresso Jovem LBV, realizado em 28 de junho de 2003, em São Paulo, Brasil, e a turma gostou, pelo que fiquei sabendo. Em determinado momento, ressaltei: vocês que são jovens, cuidado quando lhes disserem: “Eu te amo! Dá-me um sinal, uma prova de amor…”. Prestem atenção se isso lhes for pedido, porque o outro, ou a outra, pode estar apenas ocultando: “Eu te desejo!” Depois que a atração se for, oh!, tudo acabará! E um dos dois poderá ficar machucado, como tantas vezes acontece. Não se precipitem, pois! Amor é diferente de desejo. Amor fica, desejo passa.

Coragem firmada em Deus

Se amamos de verdade, até para a luta comum nos tornamos mais fortes. Nada ensombrece o nosso destino. Pelo contrário, robustece dentro de nós aquilo que possuímos de mais valioso, que é a coragem sustentada em Deus, aquela em que se devem alicerçar as outras boas qualidades espirituais e humanas. Por isso o Amor Fraterno é o inesgotável combustível dos que têm e vivem um grande e verdadeiro ideal.

Quando o desafio aparecer no caminho dos casais, a reflexão mais apropriada seria: “Ora, nós nos unimos por quê?! Porque nos amávamos! Então, continuemo-nos amando e vençamos o mal que porventura nos queira separar”.

E, aqui, valho-me de mais um luminoso ensinamento do digníssimo Dr. Bezerra: “Só poderemos fortalecer o mundo se fizermos o mesmo com a união conjugal, familiar. Não existe humanidade firme ou segura se a família não estiver totalmente preservada”.

Eis aí! Casal unido é aquele que vive integrado no Pai Celestial, cuja face é o Amor. Portanto, quanto mais amamos, mais Ele se manifesta em nós, porque o Amor não é velho nem novo. É eterno, porque é Deus.

E, se você não crê que exista um Poder Supremo atento às suas dificuldades, lembre-se de que os bons sentimentos são a sustentação de sua vida, de tal forma que esteja em paz consigo mesma ou consigo mesmo.

O essencial é que, passados os anos, criados os filhos, vencidas as dores e os empecilhos, vivamos sempre como namorados!

É difícil neste mundo? Mas não é impossível.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

10jun/19

Proteção aos pequeninos

Paiva Netto

O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil é sempre lembrado em 12 de junho, data que nos remete ao que de mais belo o ser humano pode exteriorizar: o Amor.

Para mim, não se trata de simples coincidência. Na verdade, realça o anseio de todos os que lutam por também ver no campo social o mesmo cuidado, respeito, proteção, solidariedade; sentimentos próprios de casais que verdadeiramente se amam.

Durante solenidade na Câmara dos Deputados, ocorrida na quinta-feira, 9/6/2011, foi lançada a mobilização nacional para o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. O evento contou com a presença de deputados e senadores da Frente Parlamentar Mista dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente, de representantes de diversos Ministérios, do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e entidades ligadas ao tema.

No dia seguinte, a OIT divulgou relatório sobre o trabalho infantil perigoso. A Agência Brasil publicou estatísticas do documento: “Os dados mostram que há no mundo 115 milhões de crianças (7% do total de crianças e adolescentes) nesse tipo de atividade. Segundo o relatório, esse número é quase metade dos trabalhadores infantis (215 milhões). É considerado trabalho perigoso qualquer tipo de atividade que possa ser prejudicial à saúde e à integridade física e psicológica da criança”.

Flash Mob

Renata Tabach de Paiva, de São Paulo/SP, informa-me que a LBV participou, a convite de Sérgio de Oliveira, coordenador do Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FPPETI), do Flash Mob, realizado em comemoração ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil: “Flash Mob é uma ação que promove aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada. O Coral Ecumênico Infantojuvenil Boa Vontade abrilhantou o evento com belas composições. A Praça da República foi o local escolhido, mas, por causa do tempo chuvoso, o evento ocorreu na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Após a feliz tarde, Sérgio de Oliveira encaminhou-nos o seguinte e-mail: ‘Parabéns pelo trabalho. A LBV sempre fazendo a diferença pela qualidade das ações e do envolvimento de sua equipe’”.

O ser humano, em especial a criança, é celeiro de realizações incessantes. É a verdadeira fortuna da civilização. Não pode permanecer cruelmente explorado, submetido à servidão e ao desprezo. Para ele devem ser criadas condições, por mínimas que sejam, de viver com dignidade, qualquer tempo que haja vivido.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

28maio/19

REFLEXÃO DE BOA VONTADE

Volta de Jesus e Família Humanidade

Paiva Netto

Jesus, ao afirmar que Sua mãe e Seus irmãos são aqueles que cumprem a Palavra ou a Vontade do Pai que está nos Céus, nos deu uma das mais importantes lições para a vivência fraterna entre os seres humanos, pois nos revela que fazemos parte da Grande Família Humanidade (Evangelho do Cristo, segundo Mateus, 12:46 a 50; Marcos, 3:31 a 35; Lucas, 8:19 a 21).

Alguns que, porventura, possam ver nessa atitude do Cristo de Deus um desrespeito aos Seus familiares se equivocam, já que Ele havia premiado Maria Santíssima e Seus irmãos ao nascer entre eles.

É necessário ressaltar que, naquela época, como dizia o saudoso Irmão Alziro Zarur (1914-1979), radialista, escritor, poeta e pensador brasileiro, também chamavam irmãos aos primos-irmãos, e até mesmo aos parentes mais afastados.

Na verdade, a Família de Jesus foi constituída durante várias fases de Sua vida missionária. Apesar de, no relato do Evangelho, ter sido preso à cruz infamante, no Apocalipse Ele surge glorificado em vitória, como o Leão da Tribo de Judá, que simboliza toda a humanidade (Apocalipse, 5:5).

A partir daí, o Sublime Amigo forma a Família em esplendor, em salvação, no estabelecimento do Bem. Sim, com Poder e Grande Glória, mas não para se vingar. Se Ele deixou o “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” (Evangelho, segundo São João, 13:34 e 35), volta para que haja Paz na Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

21maio/19

REFLEXÃO DE BOA VONTADE

A virtude da temperança

Paiva Netto

Não haverá Paz duradoura enquanto prevalecerem privilégios injustificáveis, que desonram a condição humana, pela ausência de Solidariedade, que deve iluminar homens e povos. Escreveu Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865): “A paz obtida com a ponta de uma espada não passa de uma simples trégua”. Por isso, nestes milênios de “civilização”, milhões morreram sob a chacina das armas, da fome e da doença. (…)

Jesus sempre pregou e viveu a Fraternidade Ecumênica. Como realmente acreditamos no Divino Chefe, temos de batalhar pelo que apresentou como solução para os tormentos que ainda afligem as nações. A temperança é virtude indispensável nesta peleja. Entretanto, diante dos desafios, não confundamos pacifismo com debilidade de caráter.

Bem a propósito, estas palavras da autora Eleanor L. Doan (1914-2010): “Qualquer pusilânime pode louvar a Cristo, todavia é preciso ânimo forte para segui-Lo”. Não podemos também nos esquecer dos exemplos dos cristãos primitivos, mas, sim, neles buscar a vivência que precisa ser repetida neste mundo, qual seja, a da Paz: “Da multidão dos que creram, era um o coração e a alma. (…) E assim, perseguidos por todos os meios, passaram a viver em comunidade, não havendo necessitados entre eles, porque todos se socorriam, cada qual com o que possuía” (Atos dos Apóstolos de Jesus, 4:32 a 34).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

_________________

ServiçoReflexões da Alma (Paiva Netto), 240 páginas. À venda nas principais livrarias ou pela www.amazon.com.br.

14maio/19

Batalha brutal pela sobrevivência

Paiva Netto

No dia a dia, cada vez mais se faz notar a crescente concorrência que existe não apenas entre as grandes empresas, grupos, cartéis, monopólios, trustes, mas, sobretudo, individualmente entre as próprias criaturas. Apesar disso, para que se possa ferozmente subsistir em um planeta bastante selvagem, elas não podem soçobrar às pressões desagregadoras do cotidiano. Claro que não estou me referindo à competitividade sadia, por exemplo, a que ocorre no futebol. Afinal, Esporte é melhor do que guerra.

Diante do quadro de tensões, dificuldades e desafios da vida, é lamentável como tem sido comum recorrer-se a substâncias tóxicas, com a ilusão de se encontrar uma válvula de escape ou alegrias duradouras. Tudo isso é um tremendo engano! Nosso refúgio permanente deve ser Deus, o Cristo, o Espírito Santo, nossas famílias, os verdadeiros amigos, a vivência da Caridade, entre outros sublimes valores.

Ainda sobre os prejuízos ocasionados por uso de substâncias nocivas, a exemplo do álcool e de outras drogas, o Serviço Social da Indústria (Sesi) do Paraná faz divulgar, desde 2013, em seu portal na internet o seguinte: “Estatísticas da Organização Mundial do Trabalho (OIT) apontam o Brasil entre os cinco primeiros do mundo em número de acidentes no trabalho. São em média 500 mil por ano e quatro mil deles resultam em morte. Os setores mais afetados são: construção civil, indústrias metal-mecânica, eletroeletrônica, moveleiras e madeireiras. Segundo cálculos do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), o Brasil perde por ano US$ 19 bilhões por absenteísmo [falta ao trabalho], acidentes e enfermidades causadas pelo uso do álcool e outras drogas. Dados levantados pela OIT indicam que de 20% a 25% dos acidentes de trabalho no mundo envolvem pessoas intoxicadas que se machucam a si mesmas e a outros”.

Levantamento Nacional de Álcool e Drogas

No segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II Lenad), realizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), em 2012, com um total de 4.607 participantes, escolhendo-se aleatoriamente indivíduos com 14 anos ou mais de todo o território brasileiro, foram listados os seguintes efeitos prejudiciais do consumo de álcool:

• 32% dos adultos que bebem referiram não ter sido capazes de conseguir parar depois de começar a beber;

• 10% dos entrevistados referiram que alguém já se machucou em consequência de seu consumo de álcool;

• 8% dos entrevistados admitem que o uso de álcool já teve efeito prejudicial em seu trabalho;

• 4,9% dos bebedores perderam o emprego em razão do consumo de álcool;

• 9% admitem que o uso de álcool já teve efeito prejudicial em sua família ou em seus relacionamentos.

O corpo humano não combina com álcool

Esses números que acabamos de ler revelam que uma parcela da população infelizmente não está sabendo como suportar a batalha diária pela sobrevivência, que se tornou, sob vários aspectos, brutal. Tal estado de ânimo tem servido de brecha para as investidas do “lobo invisível” (os espíritos obsessores, uma realidade que precisamos combater com oração), que passa a maldosamente empurrar os invigilantes e incautos para os vícios. Por esse motivo, sempre faço questão de publicar na revista JESUS ESTÁ CHEGANDO! mensagens que nos chegam do Mundo Espiritual com marcantes alertamentos.

Reúno aqui para vocês palavras do Irmão Flexa Dourada (Espírito) trazidas pelo sensitivo Cristão do Novo Mandamento Chico Periotto, datadas de 3 de outubro de 2009 e 13 de novembro de 2010. Diz o diligente Amigo da Pátria da Verdade: “O Mundo Espiritual Superior sempre manda os fluidos revitalizantes para a boa saúde dos seres humanos. Agora, quando qualquer pessoa vive de exageros, não tem banho de fluidos que ajude. Quem toma álcool, por exemplo, vai acabando com tudo no organismo. A pessoa diz: “Ah, mas é tomar só um pouco. Um pouco faz bem à saúde”. Álcool não faz bem para nada. O organismo não foi feito para consumir álcool. Aqui de Cima [do Mundo Espiritual], não conhecemos ninguém que tenha na Terra ficado com a saúde boa por isso. Vejam, os efeitos da bebida alcoólica são tão devastadores, mas, às vezes, não são imediatos. Isso vai acontecendo, acontecendo, para a frente, para o futuro. Mas, um dia, a doença vem. Muitas pessoas vão desenvolver moléstias pelo corpo todo, por tudo isso. O cigarro é também uma das pragas da humanidade. Cigarro, bebidas alcoólicas e drogas. Tudo isso é suicídio!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

13maio/19

Adoção rima com coração

Paiva Netto

Em maio, o Dia das Mães (sempre no segundo domingo do mês) e o Dia Nacional da Adoção (25 de maio) guardam especial afinidade. O sagrado dom da maternidade, também expresso no belo gesto da adoção, deve compartilhar amor e afeto igualmente de forma inclusiva.

Esse importante tema foi discutido na Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), no programa Sociedade Solidária. Na ocasião, o sociólogo e apresentador Daniel Guimarães entrevistou Mônica Natale de Camargo, gerente executiva do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp).

Mudança de cultura

Estimativas apontam que, para cada criança na fila de adoção, há seis casais ou indivíduos pretendentes. Mônica Natale esclarece: “Ainda temos aquela cultura do perfil. O que a maioria dos pretendentes deseja? Eles geralmente querem aquelas crianças menores, bebês, brancos ou da mesma etnia. E as crianças que estão disponíveis geralmente são de grupos de irmãos e com idade avançada, e algumas com necessidades especiais. Então, o que tem de se fazer? Mudar essa cultura em torno da adoção no Brasil. O pretendente tem que entender qual é a realidade do país, e começar a olhar com carinho para as crianças, mudar aquela concepção do filho idealizado para o filho possível”.

Longe de nós o preconceito

O alto sentido de humanidade precisa habitar o coração das criaturas, não deixando espaço para preconceitos. A gerente do Gaasp aponta para o que pode ser feito: “Primeiro, uma divulgação maior do que é a adoção, entender o que significa adotar, o que significa um filho na sua vida. Isso é importante! A cultura da adoção tem que ser mudada, sim, com programas de TV como este onde se discute, onde se fala dessas necessidades”.

O assunto realmente merece um olhar mais atento da parte de todos, seja das políticas públicas ou da sociedade. É direito básico de toda criança ter uma família que a proteja, ame e respeite.

Quem quiser se informar melhor, acesse o site do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo: www.gaasp.org.br. Procure também conhecer a legislação brasileira sobre o tema.

Tirem o vidro!

No dia 27 de maio, completam-se 33 anos de dois grandes eventos da Legião da Boa Vontade na capital federal. Na ocasião, além de inaugurar o primeiro anexo (sede administrativa) do Conjunto Ecumênico, comandei a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental do Templo da Boa Vontade.

Momentos antes do início do cerimonial, um fato curioso proporcionou a todos importante lição. Eu me encontrava no segundo andar do prédio administrativo da LBV com os meus filhos e, ao olhar para o pátio, que estava superlotado, vi que o palco era baixo demais. E decidi: Sabem de uma coisa? Vou falar aqui de cima da marquise de entrada. E perguntei: Essa marquise aguenta o peso da gente? Ao que me responderam que sim, ao mesmo tempo em que me perguntavam: “Mas como é que o senhor vai passar para lá? Tem um vidro na frente!” Ora, se o vidro atrapalha, tirem o vidro!, disse-lhes. O vidro foi retirado e pude, então, fazer o discurso lá de cima mesmo.

Naquele momento, destaquei, lembrando-me de Moisés e de Alziro Zarur (1914-1979), que o Templo do Ecumenismo Divino, o Templo da Paz, surgia para que houvesse a interiorização de bons e elevados valores. Porque não se pode exteriorizar coisa alguma de útil se a criatura não tem nada para oferecer. É a questão do conteúdo espiritual que precisamos nutrir para que ele frutifique em nosso íntimo, de maneira que possamos externar a todos à nossa volta.

Ante aos embates que surjam em sua vida, jamais desista do Bem! Confie em Jesus e… tire o vidro!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

18abr/19

Todo dia é dia de índio

Paiva Netto

Os registros históricos relatam que, no I Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido no México, em 1940, representantes de diversos países convidaram os índios a se sentarem à mesa para o debate cujo tema central era a própria situação deles no continente americano. A princípio, os protagonistas do evento, receosos, não compareceram. Porém, no dia 19 de abril, numa demonstração de cordialidade, aceitaram participar do acontecimento. Por isso, nessa data foi instituído o Dia do Índio. O objetivo principal era o de exigir dos governos a criação de políticas que salvaguardassem a cultura e a qualidade de vida dos povos indígenas. No Brasil, em 2 de junho de 1943, o presidente Getúlio Vargas (1883-1954) assinou o decreto de lei no 5.540, determinando que no país aquela data também fosse dedicada ao índio.

Ao longo do tempo, apesar dos esforços de garantir a eles o direito de viver em suas terras com dignidade, há muito o que fazer ainda. Eles são merecedores do maior respeito. Os versos do entusiasta Jorge Ben Jor, na composição em parceria com o saudoso Tim Maia (1942-1998) e imortalizados na voz de Baby do Brasil cá na Terra Brasilis, valem nossa reflexão: “(…) Pois todo dia, toda hora, era dia de índio/ Mas agora eles só têm um dia / O dia dezenove de abril (…)”.

Sepé-Tiaraju

A história de nosso povo e de sua luta por tornar o país soberano tem, na atuação dos índios, capítulo dos mais relevantes. Grandes guerreiros o grafaram com as tintas da coragem e do amor ao torrão natal. Um deles, Sepé-Tiaraju, guarani de São Miguel das Missões, teve seu nome inscrito em 18/4/2006, pelo Senado Federal, no Livro dos Heróis da Pátria. A honrosa distinção partiu de um projeto do senador pelo Rio Grande do Sul dr. Paulo Paim.

O Brasil que desejamos ver progredir, nunca deixando de lado seu natural espírito solidário, fraterno e generoso, é composto também por decididas Almas, como a de um Sepé-Tiaraju que, a 7 de fevereiro de 1756, na resistência à invasão dos Sete Povos das Missões, bradou:

“Esta terra tem dono!”

De fato, esta terra é de Jesus, a presença que a todos ilumina! E como gosta de saudar um Irmão Índio, grande amigo nosso, conhecido como Flexa Dourada (Espírito): “Salve, Jesus!”

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

16abr/19

A Sublime Existência entre nós

Paiva Netto

No Evangelho narrado por João, capítulo 17, Jesus deixou-nos uma das mais belas e tocantes páginas de Sua Sublime Existência — a Oração ao Pai Celestial, em que mostra toda a força do Seu Amor àqueles que Lhe foram entregues por Deus para cuidar. E, como dedicado Pastor do rebanho humano, ensinou a respeito do Seu Mandamento Novo — “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos”. Assegurou que “ninguém tem maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35 e 15:13). E o Cordeiro de Deus imolou-Se pelo mundo. Até em favor dos que se consideravam Seus adversários e O levaram à crucificação. De fato, não há maior altruísmo que esse — oferecer-se em sacrifício pela humanidade, alheia à sua sobrevivência coletiva. Ocorre, no entanto, que ao terceiro dia o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, ressuscitou, esteve quarenta dias com os discípulos, e o anúncio de Seu glorioso retorno à Terra — não mais para ser crucificado — é tão presente na Sua Missão, que os Anjos o confirmam no momento de Sua volta ao Plano Espiritual: “E ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem O encobriu dos seus olhos. E, estando todos com a visão fita no Céu, enquanto Ele subia, eis que dois Anjos vestidos de branco se puseram ao lado deles, e lhes perguntaram: Galileus, por que estais olhando para o Alto? Este Jesus, que dentre vós foi alçado aos Céus, assim voltará como O vistes subir” (Atos dos Apóstolos de Jesus, 1:9 a 11).

Maior ênfase à Ressurreição

No dia 1o de abril de 1983, na Casa D’Itália, em Salvador/BA, ao lançar o Livro Jesus — O Cristo de Deus (1983), proferi um discurso acerca do Divino Amigo da humanidade, visto nos encontrarmos numa Sexta-Feira Santa. Gostaria de apresentar-lhes, por oportuno, estas minhas palavras no ensejo de que todos nos revistamos do infinito Amor do Novo Mandamento do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista — “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35). Anunciando nessa data que Jesus vive, fraterna contribuição a todos os que acreditam na existência eterna, a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo transformou o chamado dia da mentira no Dia da Verdade:

Na Sua vitória sobre a morte está a mola impulsionadora do Cristianismo, a certeza do triunfo, sobre si mesmos, dos Seus discípulos: Jesus está vivo! A grande Mensagem da Semana Santa na atualidade, quando os povos insistem em invocar a morte, fazendo dela a sua deusa, é que o Divino Chefe nunca esteve realmente morto. O Espírito não se extingue. Razão por que somos imortais. Fomos criados à imagem e semelhança do Altíssimo. E “Deus é Espírito”, consoante revelou o Educador Celeste à samaritana no poço de Jacó (Evangelho, segundo João, 4:24). Jesus Espírito ressurgiu aos olhos humanos. Com esse ato extraordinário, criou na Alma dos Seus seguidores coragem capaz de enfrentar — suplantando-os à custa de suas próprias vidas, se preciso fosse — todos os ódios e perseguições mundanas, sem que sejam também portadores desse comportamento malsão. Por isso sempre destaco, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo: valentia é aceitar uma incumbência, por mais difícil que pareça, e levá-la, com todo o brio, até o término, sem desanimar, com os olhos fitos no Cristo de Deus.

Como exaltava Alziro Zarur (1914-1979), “se Jesus não tivesse ressuscitado, não haveria Cristianismo”.

Jesus venceu a morte

Conta o Evangelho, conforme Lucas, 9:60, que, certa feita, a um jovem que desejava segui-Lo, contudo antes pretendia sepultar o pai, que morrera, o Excelso Pedagogo, com o fito de testá-lo, aconselhou: “Deixa aos mortos enterrarem seus mortos. Tu, porém, vai e anuncia o Reino dos Céus”.

E nas anotações de Marcos, 12:27: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”, isto é, de seres eternos. E completou: “Por não crerdes nisso, errais muito”.

O inesquecível recado de Sua Paixão, principalmente para esta época de tempos chegados, é a vitória sobre a morte.

Na Primeira Carta aos Coríntios, 15:55, encontramos esta contundente indagação do Apóstolo Paulo“Morte, onde está a tua vitória? Onde, o teu aguilhão?”

Na verdade, os mortos não morrem. Para os que têm “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, repetimos sempre, a morte é um boato. Ao derrotá-la, Jesus pôde demonstrar o que dissera na Boa Nova dos relatos de João, 16:33: “Eu venci o mundo”. E o Mestre quer que, com Ele, igualmente o façamos. Quando as nações conhecerem melhor a realidade da vida espiritual, eterna, vão reformular tudo nos relacionamentos sociais, inclusive no âmbito planetário. Por enquanto, a sociedade permanece firmada quase que unicamente na matéria, que é um manto a esconder do ser humano o verdadeiro sentido de sua existência. Daí os equívocos, por vezes trágicos, não apenas na Religião, mas na Política, na Arte, nos Esportes, na Ciência, na Filosofia, e por aí vai. É comparável à lenda egípcia dos peixes que, vivendo no fundo de um laguinho, não davam crédito às notícias da presença de rios, mares e oceanos imensamente superiores ao seu restrito hábitat, preferindo, temerosos, vagar pela escuridão da mediocridade. É o caso das criaturas terrenas imprevidentes, ameaçando-se a si mesmas com os perigos inenarráveis de uma destruição indescritível, pois o pequeno lago veio a secar, e todos sucumbiram estorricados. Entretanto, como afirmava Teócrito (320-250 a.C.), “enquanto há vida, há esperança”. E a Vida é eterna.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

11abr/19

Protótipo de um mundo melhor

Paiva Netto

Ao assistirmos às cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos, enquanto desfilam, diante dos nossos olhos, centenas de nações representadas por seus mais destacados atletas, somos levados a refletir sobre a magia benéfica das Olimpíadas. O esporte é capaz de congregar, nem que apenas durante a sua realização, as mais díspares culturas, etnias, regimes e economias do planeta, pois isso é do seu espírito original. O idioma utilizado para comunicar-se é o da saudável competitividade. A barreira a ser vencida é o limite do corpo, dos milésimos de segundo ou dos centímetros das marcas recordes.

É evidente que o doping deve ser decididamente combatido.

A Vila Olímpica, apesar das naturais falhas humanas, não deixa de ser protótipo de um mundo melhor. Dizer o contrário seria negar os benefícios que as práticas desportivas trazem. Os desencontros que sempre ocorrem onde atuam os homens existem para ser corrigidos, ora! Lá se respira a diferença. Compartilham-se os sonhos dos jovens de países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos. Trata-se de imagem emblemática da globalização do Amor Fraterno que há décadas defendemos e cuja tese mandamos à Organização das Nações Unidas (ONU), numa publicação especial, por ela divulgada nos seus seis idiomas oficiais: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

Esse cenário que convida à Paz reporta-nos ao Templo da Boa Vontade, uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF, que diariamente vivencia as Olimpíadas do Espírito. Muito a propósito, em 21/10/2019, ele completa 30 anos.

Um pouco de História

Em 1896, o Rei Jorge I (1660-1727), da Grécia, abria em Atenas a moderna fase das Olimpíadas. O imperador romano Teodósio I (347-395) encerrara, em 393 da chamada Era Cristã, o primeiro período dos famosos jogos que imortalizaram Olímpia, cidade situada na parte ocidental da península do Peloponeso. Considerou-os pagãos. Pelo espaço de 1.500 anos a ideia ficou adormecida, até que o Barão Pierre de Coubertin (1863-1937), em 1892, para uma nova época nos esportes, iniciou as providências que, em 1894, levaram ao “Congresso pelo restabelecimento dos Jogos Olímpicos”, o que se deu em 1896 na milenar capital helênica. Milhares de pessoas viram a competição entre treze países em nove modalidades: atletismo, natação, ciclismo, luta, halterofilismo, tênis, ginástica, esgrima e tiro. Participaram 285 atletas. No princípio quase ninguém acreditava na retomada dos jogos. Em Paris, 1900, houve a primeira participação das mulheres: seis concorreram nas provas de tênis. O Brasil ingressou nas competições somente em 1920, em Antuérpia, Bélgica. De lá trouxe a sua primeira medalha de ouro: Guilherme Paraense (1884-1968), pistola automática, na prova de tiro.

Conta a mitologia grega que da luta entre Zeus e Cronos pela posse da Terra nasceram os Jogos Olímpicos, que ao longo de toda a Antiguidade observaram caráter religioso. Em 776 AD, fixaram-se em Olímpia que, também de quatro em quatro anos, promovia uma “reunião de Paz, Fraternidade, cooperação e amizade entre os povos”. Sob a mesma invocação, De Coubertin resgatou aquelas empolgantes disputas para os nossos dias. É dele esta consideração que se tornou conceito máximo das Olimpíadas: “O importante não é vencer, mas competir”.

Boas lembranças

Sempre amei os esportes. Meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), gostava de nadar, remar e fazer musculação. Era um touro.

Recordo-me de que, quando menino, jogava descalço, com meus colegas de infância, futebol no chão de cimento (vejam só!) da vila em que, por um bom tempo, morei. Só de pensar, sinto calafrios na espinha (risos). Os blocos eram separados entre si com frestas suficientes para quebrar os dedos de qualquer um, à menor topada, o que nunca aconteceu. Graças a Deus! E depois há os que não acreditam em milagres (risos). (…) Nadei com meu pai e com o meu primo Orlando, em Paquetá, na Pedra de Guaratiba, Urca, Copacabana, no Rio de Janeiro. Com outros jovens, armava arraiais para a festa de São João, num terreno baldio. Também, andei de bicicleta à beça. Contudo, mais do que isso, apreciava ler e preencher palavras cruzadas. Esta era a minha paixão maior: a leitura, costume desenvolvido pelo forte incentivo do seu Bruno.

Estamos aqui torcendo pelo sucesso de nossos atletas. A eles, dedico este meu pensamento: Todas as vitórias estão decididamente ao nosso alcance pela força do nosso próprio e valoroso trabalho.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

03abr/19

Autismo e desafios da inclusão

Paiva Netto

Para ampliar a conscientização de todos, alguns temas devem estar sempre em pauta. Um deles é o autismo, que atinge mais de dois milhões de brasileiros e representa 70 milhões de pessoas no mundo, cerca de 1% da população mundial, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O diagnóstico precoce pode fazer enorme diferença no desenvolvimento do indivíduo. Este, ainda que seja portador de limitação física ou psíquica, possui a extraordinária capacidade para se adaptar e alcançar importantes objetivos de vida. O mundo está repleto de exemplos. O que falta, às vezes, é o devido investimento no Capital de Deus, ou seja, na própria criatura humana.

Sintomas e cuidados

Alguns autistas apresentam determinadas habilidades que superam as da média da população. “Eles têm bastante facilidade para números, decorar, resolver expressões matemáticas e para várias questões diferenciadas da vida. Mas não conseguem dar funcionalidade a isso”, explica a assistente social Simone Bruschi.

Um ponto que prejudica o acompanhamento especializado do autista é, num primeiro momento, a negação do problema, situação frequente no seio familiar. Simone, integrante da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads), em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), comenta: “Quando falamos do autismo, abordamos algo que não se pode identificar por exame de sangue, eletroencefalograma, tomografia. E o diagnóstico é muito difícil de ser aceito pela família. Existe a avaliação clínica — que é muito rica —, porém, os familiares sempre questionam: ‘Ah, não. Acho que pode ser algo diferente’”.

Nesses casos, de acordo com Simone, devem-se buscar outros profissionais, inclusive para que também eles se envolvam na vida dessa família, dessa criança ou desse adolescente.

É fundamental procurar um especialista ao perceber na criança qualquer indício constante de preferir ficar sozinha, de apatia diante dos brinquedos, de não reclamar por ser deixada no berço, em vez do colo dos pais. “Existem famílias que só começam a levar para o tratamento na idade escolar, quando o professor sinaliza: ‘Olha, o seu filho precisa de auxílio’. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento.”

Simone ressalta que “algumas pessoas com autismo podem apresentar uma deficiência intelectual, mas não é necessariamente uma regra”.

E aí entra um desafio, o de inserir no mercado de trabalho portadores de deficiência intelectual. “É mais fácil — não sei se posso usar essa expressão — contratar um jovem com deficiência física, por conta das acessibilidades existentes, do que alguém com deficiência intelectual, para o que não temos ainda a tecnologia assistiva. Por isso, é um desafio para o consultor de emprego apoiado. Ele tem de ir à empresa e provar que a pessoa com transtorno é capaz. É necessário um trabalho de sensibilização tanto com os empregados e colaboradores quanto com os empregadores e a família”.

É preciso ampliar as condições para a inclusão social dos portadores de qualquer deficiência, seja física, seja intelectual.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

25mar/19

REFLEXÃO DE BOA VONTADE

O que está havendo com o planeta?

Paiva Netto

O que está havendo com o planeta Terra?

Lembrem-se de que agora tudo é mais rápido. Ouve-se falar e se assiste em tempo real sobre a expansão de desertos onde havia florestas frondosas, a ponto de a ONU dedicar os anos de 2010 a 2020 ao tema da desertificação; seca em locais onde jamais ocorrera tal coisa. E o pessoal continua dizendo impropriedades a respeito do Apocalipse, como se ele fosse o culpado de tudo.

Por acaso, são as folhas de papel nas quais estão impressas as profecias bíblicas que provocam essas catástrofes, ou nossa estupidez militante e ganância sem termo?

Pare um pouco para pensar, cesse de falar mal das Profecias Finais, porque as visões de João, Evangelista e Profeta, não acionam esses fatos, apenas os anunciam. Ora, só amigo adverte amigo. Aquele que se finge de amistoso não tem coragem para contar a verdade, quer estar bem com a pessoa que diz amar — e não há nada pior que o amor falso, essa é a suprema maldade. Não estou me referindo somente ao sentimento entre casais, todavia, entre as criaturas, sobretudo o que singularize o perfeito relacionamento humano, social, filosófico, político, científico, religioso.

Vivemos, há séculos, tentando fazer sucumbir a Mãe Terra, tirando-lhe pouco a pouco a vida. Apenas não nos podemos esquecer de que tal atitude nos atingirá em cheio. Humanamente também somos Natureza.

Então, por que a surpresa com o Discurso do Cristo no Seu Evangelho segundo Mateus, 24:15 a 28, sobre “a Grande Tribulação como nunca houve nem jamais se repetirá na face da Terra”? Nós mesmos estamos ajudando a montá-la!

O pastor Jonas Rezende (1935-2017), em seu livro O Apocalipse de Simão Cireneu, refere-se a essa distorção histórica:

— O Juízo Final poderia acontecer, não por arbítrio divino, não como um evento inevitável, como sempre se compreendeu, a partir das Escrituras, mas por conta da ação predatória do próprio homem.

A profecia presente nos livros sagrados das diversas religiões

É fundamental destacar ainda a presença marcante da simbologia profética permeando as mais antigas tradições. Não apenas na Bíblia (Antigo e Novo Testamentos) identificamos os alertas divinos. Eles igualmente se encontram nas páginas dos livros sagrados de diversas crenças da Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

20mar/19

Síndrome de Down

Paiva Netto

A Secretaria de Direitos Humanos, em 21/11/2011, informou em seu site (www.sdh.gov.br) que “a III Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) adotou, por consenso, o projeto de resolução apresentado pelo Brasil, intitulado ‘World Down Syndrome Day’ (Dia Mundial da Síndrome de Down). (…) A ONU propôs que os Estados membros comemorassem com a adoção de medidas para promover maior conhecimento sobre a Síndrome de Down”. Desde 2012, a data tem sido celebrada em todo o mundo.

A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 5% da população de um país em tempo de paz apresenta algum tipo de deficiência intelectual. No Brasil, isso corresponde a quase 10 milhões de pessoas. Entre as mais conhecidas está a síndrome de Down.

Recomendações aos pais e educadores

Em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), a terapeuta ocupacional Fabiana Alencar, especialista no assunto, abordou algumas recomendações aos pais e educadores no trato com crianças com deficiência intelectual.

Por natureza, a criança com síndrome de Down tem um processo de desenvolvimento mais lento. Contudo, se houver uma intervenção precoce, com o imprescindível apoio da família, ela vai longe. “Hoje é muito comum ver pessoas com síndrome de Down trabalhando e, até mesmo, se casando”, esclareceu ela.

Porém, faz uma ressalva: apesar dos avanços, o portador da deficiência necessitará, durante toda a vida, de alguns cuidados especiais, “até por conta do comprometimento intelectual, da dificuldade em compreender as regras sociais. Entretanto, é uma pessoa que pode (tendo uma supervisão) morar numa residência apoiada. É importante trabalhar essas crianças vislumbrando que, no futuro, elas possam fazer sua própria comida, cuidar das suas roupas, lidar com dinheiro, mas é preciso ensiná-las e supervisioná-las sempre”, pontuou a terapeuta.

É notório o amadurecimento da sociedade com relação aos direitos e ao desenvolvimento de pessoas com deficiência. As escolas especiais ainda existem, mas as regulares já disponibilizam vagas para crianças com deficiência intelectual. “Trabalhei numa instituição de educação especial, e era impressionante. Tínhamos adultos de 20, 30 anos, que passaram a vida inteira nela, porque não tinham outra oportunidade. Hoje se vislumbram algumas coisas diferentes para essa geração de pessoas com síndrome de Down, que para as outras não eram tão comuns. Nos dias atuais, a criança com deficiência está na escola para, quando ela se formar, poder, por exemplo, trabalhar. Já temos pessoas com síndrome de Down que conseguiram entrar para a faculdade”, conta Fabiana.

Sobre os desafios da integração dessas crianças no universo escolar, explicou que “elas, desde muito cedo, em geral, fazem acompanhamento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Uma vez ingressando na escola, já vão ter um arcabouço de vivências, de conceitos e de conhecimento; porém, quando o processo começa a se desenvolver, é muito importante o trabalho terapêutico com a escola”. E esclareceu: “A gente procura trabalhar sempre, por exemplo, a repetição; para essas crianças a repetição é muito importante. Muitas vezes o material que elas vão usar é diferente do dos coleguinhas, mas elas precisam disso, e a escola tem que ter disponibilidade de mudar, de tentar outros caminhos. Às vezes, algumas professoras falam: ‘Ah, mas eu nunca tive experiência com isso, não tenho formação para isso’. A formação, lógico, é importante! Mas também é valiosíssimo ter disposição de mudar”.

Meus agradecimentos à terapeuta ocupacional Fabiana Alencar. O tema nos remete ao respeito às diferenças, passo primacial para o surgimento da tão sonhada sociedade solidária altruística ecumênica.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com



13mar/19

Quem faz o pão…

Paiva Netto

A Economia não pode ser o reino do egoísmo. Ora, ela está aí para beneficiar todos os povos, compartilhando decentemente os bens da produção planetária. Se isso, porém, não ocorre, é porque se faz necessária uma mudança espiritual-ética de mentalidade, principalmente pelo prisma do Novo Mandamento de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pois ensina que nos devemos amar como Ele nos tem amado: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35). Senão, os predadores das multidões podem ganhar a batalha, que a eles no devido tempo, da mesma forma, consumirá. O desprezo às massas populares é multiplicação de desesperados. Certamente, alguém já concluiu que quem faz o pão deve, de igual modo, ter direito a ele. Alerto para o fato de que, se o território não é defendido pelos bons, os maus fazem “justa” a vitória da injustiça.

Haveremos de assistir ao dia em que a Economia terrestre será bafejada pelo espírito de Caridade, porque a Luz de Deus avança pelos mais recônditos ou soturnos ambientes do pensamento e da ação humanos. Portanto, que os chamados bons se levantem em nome da Paz e espalhem essa Sublime Claridade para iluminar a escuridão que ainda campeia pelo mundo. Foi o Divino Mestre quem afirmou: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus” (Evangelho, segundo Mateus, 5:16).

Desumanidade gera desumanidade

No meu estudo Cidadania do Espírito (2001), afirmo que desumanidade gera desumanidade. Aí está, em resumo, a explicação do estado atual nas diversas regiões do planeta. Porém, com a riqueza de nosso Espírito, podemos edificar um amanhã mais apreciável. Entretanto, nenhuma reforma será duradoura se não houver o sentido de Caridade, o respeito ao ser humano e o bom comando das gentes atuando no coração.

Caridade é a comprovação do supremo poder da Alma ao construir épocas melhores de vida material e espiritual para os países e seus povos, os Cidadãos do Espírito. Resta às criaturas aprender em definitivo a enxergar essa realidade e a desenvolver a compaixão, aliada à Justiça. Desse modo, com o passar das eras, o mundo abandonará a doença que, pelos milênios, lhe tem feito tanto mal: a pouca atenção que dá à força do Amor Fraterno, “princípio básico do ser, fator gerador de vida, que está em toda parte e é tudo”.

Sobre o sublime ato de se doar ao próximo e suas consequências sociais, assim se manifestou o pensador político francês Alexis de Tocqueville(1805-1859), autor de A Democracia na América“A caridade individual se dedica às maiores misérias, procura o infortúnio sem publicidade e, de maneira silenciosa e espontânea, repara os males. Ela se faz presente onde quer que haja um infeliz a ser resgatado e cresce junto com o sofrimento. (…) Pode produzir somente resultados benéficos. (…) Alivia muitas misérias, sem produzir nenhuma”.

Identificação no Bem de norte a sul, de leste a oeste

Enquanto os governos não chegam às “soluções definitivas” para a miséria, que cada criatura, por iniciativa pessoal ou em comunidades, faça mais do que puder — e não o deixe de realizar — pelo semelhante, pondo em ação o poderoso espírito associativo de Caridade, tão apregoado e vivido por JesusMuhammadMoisésBudaOnisaburo, Confúcio, Gandhi e outros luminares da História não somente do campo religioso, entre estes:

Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo grego — “A felicidade consiste em viver bem e fazer o Bem”.

Anália Franco (1853-1919), educadora brasileira — “Eduquemos e amparemos as pobres crianças que necessitam de nosso auxílio, arrancando-as das trilhas dos vícios, tornando-as cidadãos úteis e dignos, para o engrandecimento de nossa pátria”.

Princesa Diana (1961-1997) — “Todos precisamos demonstrar quanto nos preocupamos uns com os outros e, nesse processo, cuidar de nós mesmos”.

Rui Barbosa (1849-1923), jurista, jornalista, político e diplomata brasileiro — “Todos os que dão aos necessitados, todos os que valem aos desvalidos, todos os que acodem aos aflitos, aos feridos, aos doentes, todos esses estão dentro do Evangelho, cuja substância se resume na caridade”.

Charles Chaplin (1889-1977), ator e diretor de cinema inglês — “Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à juventude e segurança à velhice”.

André Rebouças (1838-1898), engenheiro militar, inventor e abolicionista brasileiro —“(…) A paz armada está para a guerra como as moléstias crônicas para as moléstias agudas; como uma febre renitente para um tifo. Todas essas moléstias aniquilam e matam as nações; é só uma questão de tempo”.

Anne Frank (1929-1945), jovem escritora judia — “Todo mundo tem dentro de si um fragmento de boas notícias. A boa notícia é que você não sabe quão extraordinário você pode ser! O quanto você pode amar! O que você pode executar! E qual é o seu potencial! (…) Que maravilha é ninguém precisar esperar um único momento para melhorar o mundo”.

Dra. Zilda Arns (1934-2010), médica pediatra, sanitarista brasileira e fundadora da Pastoral da Criança — “O trabalho social precisa de mobilização das forças. Cada um colabora com aquilo que sabe fazer ou com o que tem para oferecer. Deste modo, fortalece-se o tecido que sustenta a ação, e cada um sente que é uma célula de transformação do país”.

La Fontaine (1621-1695), fabulista francês — “Amai, amai, que tudo o mais é nada”.

Saadi (1213-1292), poeta persa, cujos seguintes versos se encontram inscritos em tapeçaria exposta na parede de entrada do edifício das Nações Unidas, em Nova York — “Os seres humanos são membros de um todo,/ Na criação de uma só essência e uma só Alma./ Se um membro é afligido com dor,/ Outros membros ficarão desconfortáveis./ Se você não tem simpatia pela dor humana,/ Você não poderá conservar o nome de humano”.

Irmã Dulce (1914-1992), também conhecida como “O anjo bom da Bahia (Brasil)”, ganhadora da Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumê­nica do ParlaMundi da LBV (1997 — categoria Solidariedade) — “Se houvesse mais Amor, o mundo seria outro; se nós amássemos mais, haveria menos guerra. Tudo está resumido nisso: dê o máximo de si em favor do seu Irmão, e, assim sendo, haverá Paz na Terra”.

Winston Churchill (1874-1965), político e escritor inglês, Prêmio Nobel de Literatura de 1953 — “Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas em palavras singulares: Liberdade; Justiça; Honra; Dever; Piedade; Esperança”.

Herbert José de Sousa, o Betinho* (1935-1997), sociólogo, ganhador da Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica do ParlaMundi da LBV (1996 — categoria Solidariedade) — “Não posso ser feliz diante da miséria humana. O fim da miséria não é uma utopia”.

Florence Nightingale (1820-1910), ícone inglesa da Enfermagem, que sempre encerrava suas cartas com uma frase manifestando seu extremado zelo pelo próximo — “É caridade cuidar bem de corpos doentes. É uma caridade maior cuidar bem e com paciência de mentes doentes (…). Contudo, existe uma caridade ainda maior: fazer o Bem àqueles que não são bons conosco (…)”.

Portanto, “que os homens possam se lembrar de que são irmãos”, conforme exortou Voltaire (1694-1778). No seu Tratado sobre a Tolerância, François-Marie Arouet (verdadeiro nome do polêmico pensador francês) grafou: “A Natureza diz a todos os homens: (…) Eu vos dei braços para cultivar a terra e um pequeno lume de razão para vos guiar; pus em vossos corações um germe de compaixão para que uns ajudem os outros a suportar a vida. Não sufoqueis esse germe, não o corrompais. Compreendei que ele é divino (…)”.

Sim, caro Voltaire, e que dessa forma seja de norte a sul, de leste a oeste, pois o tempo histórico para que a Humanidade entenda que a conservação do planeta depende do nosso comportamento verdadeiramente civilizado está diminuindo a olhos vistos. E essas não são palavras de um místico vidente, por mais respeitável que seja, porém a simples constatação da realidade. Jamais, como agora, se fez tão necessária a mensagem de conforto e esperança.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

_____________* Betinho — Por sua luta contra a fome, recebeu de Paiva Netto a alcunha de “Cidadão Solidariedade”.

07mar/19

Dia Mundial do Rim

Paiva Netto

Em todo mês de março, mundialmente é comemorado o Dia do Rim. A iniciativa tem como prioridade a prevenção da Doença Renal Crônica (DRC), fornecendo informações sobre a importância do diagnóstico precoce e quanto aos cuidados com os fatores de risco, entre eles a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, a obesidade, o tabagismo e a presença de histórico familiar de doença renal.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em 2015, mais de 1,5 milhão de pessoas estiveram em terapia renal substitutiva (Diálise Peritoneal, Hemodiálise ou Transplante Renal), sendo 100 mil só no Brasil.

O dr. Daniel Rinaldi dos Santos, ex-presidente da SBN, ressaltou que, “através de exames extremamente simples, você consegue detectar precocemente se é portador de alguma alteração renal e tomar medidas preventivas para evitar a evolução da doença”. Portanto, não deixemos para amanhã providências que podem impedir graves problemas.

Em 2014, ao comentar a campanha de conscientização da SBN realizada naquele ano, mas que continua com o seu recado sempre atual, o conhecido nefrologista afirmou: “Uma das coisas que a equipe da Sociedade Internacional [de Nefrologia] está preconizando é que se comemore o Dia Mundial do Rim, bebendo um copo d’água! Uma forma de lembrar que a água faz bem para o rim. Todo mundo brindar com um copo d’água!”

Para outras informações, acesse os sites www.sbn.org.br e www.boavontade.com.

Saúde espiritual e material

Os rins devem ser muito bem tratados. Do seu bom funcionamento depende a saúde geral do organismo. Ao filtrar o sangue, tirando-lhe as impurezas, torna-se um parceiro indispensável do coração que, por sua vez, faz o fluido vital circular pelo corpo.

Não é por acaso que esses dois órgãos estão destacadamente mencionados nas Escrituras Sagradas. No Apocalipse de Jesus, 2:23, temos a famosa passagem em que o Médico Celeste declara: “Todas as igrejas conhecerão que Eu sou aquele que sonda rins e corações. E retribuirei a cada um segundo as suas obras”. Ele conhece bem o nosso íntimo e os processos com que nos intoxicamos e desintoxicamos, porque os rins (como de certo modo o fígado) são os filtros do corpo. Espiritualmente falando, ocorre o mesmo.

É possível observar que o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, nos avalia de acordo com o que produzimos, de bom ou de mau, resultante de nossas emoções (coração) e pensamentos (rins). Contudo, fica subentendido ainda que a qualidade da saúde será um reflexo do tratamento dado a essa admirável engenharia fisiológica (corpo humano) que serve ao Espírito de instrumento para evolução na Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

26fev/19

Reflexão de Boa Vontade

O perigo das más conversações

Paiva Netto

Uma das mais perigosas maneiras de o ser humano sofrer influência espiritual maléfica é, sem dúvida, a conversação sem propósito digno. Por isso, salvaguardemos nossas fronteiras psicoespirituais dessas investidas danosas do “lobo invisível” (os espíritos obsessores, malignos). Jesus, o Divino Mestre, há milênios, instrui sobre os cuidados que devemos cultivar com a Boa Palavra: “Não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai pela boca. Isso, sim, é o que o contamina (Evangelho, segundo Mateus, 15:11).

Meditem sobre essa advertência do instrutor espiritual Cornélio, constante do livro Obreiros da Vida Eterna. Notem como é grave a responsabilidade de todos nós na preservação da atmosfera espiritual que nos cerca:

— Nas mais respeitáveis instituições do mundo carnal, segundo informes fidedignos das autoridades que nos regem, a metade do tempo é despendida inutilmente, através de conversações ociosas e inoportunas. Isso, referindo-nos somente às “mais respeitáveis”. Não se precatam nossos Irmãos em humanidade de que o verbo está criando imagens vivas, que se desenvolvem no terreno mental a que são projetadas, produzindo consequências boas ou más, segundo a sua origem. Essas formas naturalmente vivem e proliferam e, considerando-se a inferioridade dos desejos e aspirações das criaturas humanas, semelhantes criações temporárias não se destinam senão a serviços destruidores, através de atritos formidáveis, se bem que invisíveis. (Os destaques são meus.)

A boa conversação e a Humanidade Invisível

Vem-me à memória uma narrativa que apresentei na série radiofônica “Lições de Vida”, na década de 1980, sobre as três peneiras que devemos utilizar na hora de expor qualquer assunto a alguém. A primeira peneira é a da verdade; a segunda, a da bondade; e a terceira, a da necessidade. Antes de falarmos algo, precisamos nos certificar de que as nossas palavras passem por esses filtros. Caso contrário, é melhor nem as proferirmos.

Na Antologia da Boa Vontade (1955), encontramos o poema “Não julgues!”, de autoria de João Tomaz, do qual destacamos oportuna estrofe:

Mas se queres tua paz

e a paz dos outros também

atende a este conselho:

— Não fales mal de ninguém.

Definitivamente, o “lobo invisível” e seus acólitos precisam aprender mais esses ensinamentos para que alcancem real ventura. E essa é justamente a lição que fui buscar em minha obra Jesus, Zarur, Kardec e Roustaing na Quarta Revelação (1984, edição esgotada), por estas palavras do notável Emmanuel: “Uma simples conversação sobre o Evangelho de Jesus pode beneficiar vasta fileira de ouvintes invisíveis”.

Acerca do indispensável papel a ser protagonizado pelas famílias, afiança o Espírito André Luiz, em seu livro Desobsessão, pela psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira(1932-2015): O culto do Evangelho no abrigo doméstico equivale a lâmpada acesa para todos os imperativos do apoio e do esclarecimento espiritual”.

Como assegurava o saudoso Alziro Zarur, “A invocação do nome de Deus, feita com o coração cheio de sinceridade, atrai o amparo dos Espíritos Superiores”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

________________________________

ServiçoA Missão dos Setenta e o “lobo invisível” (Paiva Netto), 384 páginas. À venda nas principais livrarias ou pelo site www.clubeculturadepaz.com.br

18fev/19

Reflexão de Boa Vontade

Humanidade distraída

Paiva Netto

Os séculos transcorreram, com alegrias e tristezas, derrotas e vitórias, além dos constantes chamamentos do Mundo Espiritual Superior a uma vida melhor para todos os povos. Porém, os ambientes de tirania e de ambição continuaram surdos aos apelos de Deus. Por isso, ainda hoje, não ouvem os prantos do Cristo sobre a humanidade desatenta: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram mandados! Quantas vezes quis Eu [Jesus] juntar os teus filhos, como a galinha protege os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não o quiseste!” (Evangelho, segundo Mateus, 23:37).

Quantas Bênçãos Divinas desperdiçamos enquanto andamos distraídos! Entretanto, a Claridade do Cristo continua descendo como bálsamo para o Espírito de todos, mesmo para os que têm desprezado a mensagem Dele, mas principalmente para aqueles que estão perseverando até ao fim, consoante a Sua promessa aos fiéis de Esmirna: “Sê fiel até à morte, e Eu te darei a Coroa da Vida” (Apocalipse de Jesus, 2:10).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

_________________________________________

ServiçoTesouros da Alma (Paiva Netto), 304 páginas. À venda nas principais livrarias.

08fev/19

Reflexão de Boa Vontade

Solidariedade: um caminho para a Paz

Paiva Netto

A Paz desarmada jamais resultará apenas dos acordos políticos, todavia, igualmente, de uma profunda sublimação do espírito religioso. Como grandes feitos muitas vezes têm suas raízes em iniciativas simples, mas práticas e verdadeiras, de gente que, com toda a coragem, partiu da teoria para a ação, com a força da autoridade de seus atos universalmente reconhecidos, valhamo-nos deste ensinamento de Abraão Lincoln (1809-1865): “Quando pratico o Bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião”. Ora, ninguém nunca poderá chamar o velho Abe de incréu…

Dinheiro e fama podem tornar-se um pesado fardo para o ser humano. Dificilmente trazem felicidade. A não ser à medida que correspondam a benefícios promovidos em favor do coletivo. Eis um caminho para a Paz entre aqueles que tudo têm e os que necessitam de auxílio: Solidariedade.

Quando você compreende o sentido da renúncia, aprende a amar. É nesse momento que a felicidade genuinamente se apossa do seu coração. Lição do Bhagavad-Gita: “Conhece a Paz quem esqueceu o desejo”.

Pensamento firmado na Paz

Transformações perenes com frequência surgem nos instantes de grande agitação histórica. Os tenazes crescem em tempos de refrega. Se o fizerem com o pensamento firmado na Paz, o efeito de seus esforços marcará sua passagem pela Terra com o sinete da Luz. O ilustre médico brasileiro Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900) ensinava que, “se aspiramos transmitir a Paz, se queremos elevar o coração da criatura, não podemos prescindir, em nossas vidas, de uma profunda e radical mudança na busca do fortalecimento da Fé e do entendimento dela”.

O efeito da Justiça será a Paz

Os povos geralmente conseguem sobreviver às maiores confusões que lhes atravessam o caminho. É muito boa essa teimosia, esse bom senso de tanta gente que fundamenta as suas ações na Coragem, como também no Amor, no Bem, na Solidariedade, na Fraternidade e na Razão esclarecida pelo raciocínio iluminado por Deus. No entanto, nunca no fanatismo.

Tamanho denodo é que tem feito a Humanidade subsistir a tanta loucura. A seguinte lição de Isaías, no seu livro do Antigo Testamento da Bíblia Sagrada (32:17), referenda essa realidade quando afirma: “O fruto da Justiça será Paz, e a operação da Justiça, repouso e segurança para sempre”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

01fev/19

Câncer de Mama

Paiva Netto

O Dia Mundial Contra o Câncer e o Dia Nacional da Mamografia (respectivamente em 4 e 5 de fevereiro) chamam-nos a atenção sobre um mal que acomete cada vez mais pessoas.

Segundo informa o Instituto Nacional de Câncer (Inca), quase 60 mil novos casos de câncer de mama deverão ser diagnosticados no país a cada ano. E ainda ressalta que este é o “tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença”.

Conforme ressalta o Inca, “o exame clínico da mama deve ser feito uma vez por ano pelas mulheres entre 40 e 49 anos. E a mamografia deve ser realizada a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos, ou segundo recomendação médica”. E mais: “Embora a hereditariedade seja responsável por apenas 10% do total de casos, mulheres com história familiar de câncer de mama, especialmente se uma ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmãs) foram acometidas antes dos 50 anos, apresentam maior risco de desenvolver a doença. Esse grupo deve ser acompanhado por um médico a partir dos 35 anos (…)”.

Quando detectado nos estágios iniciais, as chances de cura são de aproximadamente 95%. Contudo, aponta Ricardo Caponero, presidente do Conselho Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), “ainda falta conscientização das mulheres para a importância da realização periódica da mamografia. (…) Apenas 30% das mulheres fazem o exame”. Desde 2009, o procedimento tem cobertura gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), direito assegurado pela Lei no 11.664/2008. Em prol de sua saúde, as mulheres não podem abrir mão desse benefício.

Prevenção

Para melhor conhecimento de todos sobre o assunto, vale consultar o site do Inca (www.inca.gov.br). Vejam, por exemplo, algumas dicas de prevenção: “Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor”.

Não prescindamos igualmente de recorrer ao Amparo Celeste, que tem em Jesus, o Divino Médico, o inesgotável manancial da saúde almejada por todos. Saúde espiritual e corpórea.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com

26dez/18

Ano-Novo e autoestima


Paiva Netto
Há décadas, indagado sobre as expectativas da virada de mais um ano, exclamei: Ano-Novo! Ano-bom? Depende de nós!
Cada ano que desponta renova a esperança em dias mais felizes. Previsões são feitas, metas estabelecidas. Entretanto, nada se modificará se não soubermos que, por detrás do ideário de um mundo melhor, é indispensável, logo em primeira instância, uma postura íntima, espiritual-ecumênica, exteriorizada em boas ações. Há décadas, indagado sobre as expectativas da virada de mais um ano, exclamei: Ano-Novo! Ano-bom? Depende de nós!

O dom da vida
O sofrimento é uma realidade. Mas deverá ser eternamente assim? A vida é um dom. O ser humano, porém, precisa reconhecer o próprio valor, que se inicia no Plano Espiritual, de onde todos viemos. Quando se fala em desenvolvimento da autoestima da população se pensa, às vezes, somente no “desfavorecido da sorte”. Este, em diversas ocasiões, demonstra mais força de vontade do que o “bem situado”. Senão como explicaríamos a sua sobrevivência? Vejam o exemplo das mães pobres. A elite de um país é o seu povo; o que significa afirmar que desse modo deve ser tratado, para que qualquer nação cresça. Não inveje “quem está por cima”. Enquanto se faz isso, não se avança. Lembro-me de que, no colégio, aprendi que Eduardo VIII (1894-1972) – aquele que abdicou do trono da Inglaterra porque se apaixonou pela americana Wallis Simpson – tinha, digamos, uma tremenda baixa autoestima. O pai, Jorge V, que era dominador, não acreditava nele. Portanto, não julguem apenas pela aparência ou pelo status social das criaturas quando o assunto for psicológico.
Nossa fortaleza vem de dentro. Logo, a prece é um fator essencial para nos fortificar. Não é esconderijo de covardes. Orar robustece! Por isso, vou concluir estas simples palavras com uma oração de Jesus. Sabendo Ele que as criaturas estão constantemente apressadas, deixou uma oração curtinha, embora muito eficiente. Perfeita para começar o ano, ou qualquer hora: É a Prece Ecumênica do Cristo, o Pai-Nosso, que se encontra no Seu Evangelho, segundo Mateus, 6:9 a 13:

Pai-Nosso — a Prece Ecumênica de Jesus
“Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o Vosso Nome.
“Venha a nós o Vosso Reino.
“Seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu.
“O pão nosso de cada dia dai-nos hoje.
“Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores.
“Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque Vosso é o Reino, e o Poder, e a Glória para sempre.
“Amém!”

Que essa mensagem tenha feito bem a você, para que acredite ainda mais na preciosidade que é a sua existência e siga em frente porque Deus está presente! E, se for ateu, prossiga adiante, mas fazendo o Bem, pois vale a pena viver.

Tom Jobim e o ParlaMundi da LBV
O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, em Brasília/DF, comemorou, em 25 de dezembro, 24 anos de existência. Desde que o inaugurei no Natal de Jesus, em 1994, o ParlaMundi da LBV, como também é conhecido, tornou-se referência de um local aberto à troca de ideias e proposições ecumênicas visando à Paz Mundial.
Tom Jobim, saudoso expoente da música brasileira e um dos criadores da Bossa Nova, antes de voltar à Pátria Espiritual, em 8/12/1994, registrou seu carinho pela ecumênica proposição do ParlaMundi em um clipe para a TV: “Eu acredito na vida e gosto de viver. Isso aparece nas minhas composições. Mas agora eu quero convidar você para cantar uma canção diferente. O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica é a Sinfonia da Solidariedade Universal”.
Caro Tom, onde quer que esteja, pois os mortos não morrem, a nossa mais sincera homenagem pela contribuição em prol do entendimento dos povos. Suas canções perpetuam o amor e o respeito à vida, passo primeiro para o surgimento de uma sociedade verdadeiramente solidária.

Agradecimento
Gostaria de agradecer a grande quantidade de cartas, e-mails e cartões que recebi na passagem do Natal Permanente de Jesus e pela chegada de mais um ano. Retribuo tantas manifestações de amizade, desejando a todos um 2019 repleto de realizações no Bem. Que Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, nos inspire na melhor condução de nossas vidas, fortalecendo em nossos corações o sentimento de Solidariedade e de Paz!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

18dez/18

Natal de Jesus!

Paiva Netto

Duas datas significativas preparam o espírito dos povos para as comemorações de mais um Natal de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. Refiro-me ao Dia Internacional da Solidariedade (20/12) e ao dedicado, no Brasil, aos órfãos (24/12).
Quando de Sua primeira vinda visível ao planeta, o Provedor Celeste exemplificou com a própria vida o valor da Solidariedade sem fronteiras, sejam elas de idioma, cor da pele, opinião política etc. É Dele também uma postura ecumênica de amparo aos desfavorecidos da Terra.
Refletindo sobre o amplo e irrestrito significado do Natal de Jesus para a Legião da Boa Vontade (LBV) e para os que com ela cerram fileiras na construção “de um Brasil melhor e de uma humanidade mais feliz”, recordo trecho de circular que escrevi em Brasília/DF, datada de 4 de junho de 1997. Faz parte dos originais de minha obra Liderar sob a proteção de Deus. Dedico-a a todos os corações de Boa Vontade:
(…) Elevemos uma fervorosa Prece ao Cristo, nosso Senhor, porquanto este é o caminho seguro que nos conduzirá à vitória. No Cristo, venceremos, sempre, sempre e sempre! Que queremos nós senão oferecer aos deserdados do mundo uma Ceia Especial que nutra, para todo o sempre, os seus Espíritos sequiosos de um alimento que vem do Alto: Jesus, o Pão vivo que desceu do Céu? E esse Pão que desceu do céu igualmente é promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos os seus componentes, despertando neles a Cidadania Planetária!
Um sonho que nos vem do Cristo de Deus, de forma que o tornemos uma instituição em toda a Terra, para o que precisamos desenvolver um sentido realista, a fim de infalivelmente conduzir multidões pelas estradas da Alma. Isso porque nestes tempos de avançada tecnologia, é urgente que a humanidade seja mais sensível aos sentimentos generosos, que impulsionam a Fraternidade Ecumênica, a Generosidade e a Solidariedade Social, que andam fazendo bastante falta nos dias que correm. (…)
Um Feliz Natal a todos, e um ano-novo próspero em realizações no Bem!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

10dez/18

Transformar dor em vitória

Paiva Netto

Não duvidemos de nossa capacidade, como seres espirituais e humanos, de alcançar o hoje considerado insuperável. Temos muito mais aptidão para sobrepujar problemas, por maiores que os julguemos, segundo avalia o médico, psicólogo, filósofo e escritor norte-americano William James (1842-1910): “A maioria das pessoas vive física, intelectual ou moralmente num círculo muito restrito do seu potencial. Faz uso de uma parte muito pequena da sua possível consciência e dos recursos da sua alma em geral, assim como um homem… que se habitua a usar e a mover somente o seu dedo mínimo. Grandes emergências e crises nos mostram como os nossos recursos vitais são muito maiores do que supúnhamos”.
Diante disso, se as dificuldades são maiores, superiores serão os nossos talentos para suplantá-las. Se desse modo não fosse, onde estaríamos hoje caso os que nos antecederam, pelos séculos, se acovardassem? A pior tragédia é desistir por causa das adversidades do mundo. É falhar, portanto, com aqueles que confiam em nós. Os que vieram antes — com o combustível da Fé Realizante — sublimaram dor em vitória.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

03dez/18

Aids — o vírus do preconceito agride mais que a doença

Paiva Netto

O organismo humano é a mais extraordinária máquina do mundo. Mesmo assim, falha. Contudo, com Amor, até os remédios passam a ter melhor resultado. Por isso mesmo, a decisão da Assembleia Mundial de Saúde, com o apoio da ONU, de instituir, desde outubro de 1987, o primeiro de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a Aids, é de enorme importância. Tanto que, no ano seguinte, nosso país adotou a data por meio de uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.
Nossos Irmãos que padecem com o vírus HIV e os que sofrem de outros males físicos, mentais ou espirituais precisam, em primeiro lugar, de Amor Fraterno, aliado ao socorro médico devido. Se a pessoa se sentir espiritual e humanamente amparada, criará uma espécie de resistência interior muito forte, que a auxiliará na recuperação ou na serenidade diante da dor. Costumo afirmar que o vírus do preconceito agride mais que a doença.
Aos que sofrem o abandono a que foram relegados por antigos correligionários, por amigos de discussão intelectual e até mesmo pelos seus entes mais queridos, o conforto destas palavras do saudoso dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, na sua tocante obra Da Esperança à Utopia — Testemunho de uma Vida: “A graça de Deus não esquece ninguém nem se regula por crachás. Basta lembrar o segundo capítulo do livro Gênesis para sentir como o sopro de Deus infunde vida ao ser humano e lhe dá como companheira a Esperança por toda a vida. (…) Afinal, o mundo é de Deus, e Deus está presente no coração de cada pessoa, por menos que esta O sinta ou O exprima de viva voz. (…) A utopia é a união de todas as esperanças para a realização do sonho comum. Se realizarmos este sonho, teremos construído uma nova realidade”.
Longe do Amor Fraterno, ou Respeito, se assim quiserem apelidá-lo, o ser humano jamais saberá viver em Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, porque a sua existência ficará resumida a um terrível “cosmos”, o mesquinho universo do egoísmo. Por esse motivo, escreveu o pensador e sociólogo francês Augusto Comte (1798-1857): “Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”. Trata-se de uma lição que ninguém deve esquecer em circunstância alguma.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

13nov/18

Brasil — Vocação para o progresso

Paiva Netto

Nas comemorações dos 129 anos da Proclamação da República, reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de iluminar as consciências com sua cultura imanente de fraternidade. No ensaio Sociologia do Universo, comento a respeito de como vem se formando nossa História, cuja vocação trilha o caminho do êxito:

Não se edifica uma pátria sem generosidade de Alma e espírito pragmático. Demanda tempo, pois este ainda não é um mundo de seres pacificados. Neste planeta de tantos desafios, é trabalhoso, mas possível. Apesar de os povos estarem se tornando cada vez mais impacientes. Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que nacionalizou o canal de Suez, com o inesperado apoio dos Estados Unidos, no governo de Dwight D. Eisenhower (1890-1969), e deu início, com financiamento da ex-União Soviética, à construção da grande represa de Assuã, carpido pelas lutas para erguer um Egito moderno, concluiu: “Construir fábricas é fácil, levantar hospitais e escolas é possível, mas erigir uma nação de homens é tarefa longa e árdua”.

Urge fazer-se entendido pelo coração das criaturas. Quem vai ao cerne da criança chega ao jovem. Quem ensina a mocidade pacifica a Alma do adulto. E quem tem este último espiritualizado levanta uma nação. É pelo exemplo que se constrói. Já dizia Napoleão Bonaparte (1769-1821) que “as palavras indicam o caminho, mas os exemplos arrastam”. O Corso continua repleto de razão. (…)

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

05nov/18

À procura de equilíbrio

Paiva Netto

Agora, mais do que nunca, torna-se imprescindível a vivência do Amor Solidário Divino, porque ele é o único capaz de afastar da Terra as trevas do crime, da miséria e da dor quando compreendido e desempenhado — em todo o seu poder compassivo, justo e, portanto, eficaz —, não somente pela Religião, mas também pela Política, pela Ciência, pela Economia, pela Arte, pelo Esporte, pelos relacionamentos internacionais, pelo trabalhador mais simples e pelo mais projetado homem público.

Na verdade, o ser humano, sabendo ou não, procura instintivamente o equilíbrio, que só pode advir do exercício da Fraternidade, a grande esquecida — como lamentava Dom Bosco (1815-1888) — da trilogia da Revolução Francesa (Liberté, Égalité, Fraternité), tanto que sua posição é a final do lema reformista, quando deveria ocupar a vanguarda deste. Por isso deu no que deu, com tanta gente guilhotinada. (…)
Não foi sem motivo que o notável escritor Victor Hugo (1802-1885) declarou: “Sem Fraternidade não pode haver Paz”.

Só se constrói a Paz com tolerância
O inspirado vate francês está corretíssimo. Portanto, não abdiquemos das medidas práticas para a edificação dessa nova e fraterna sociedade, pois, como revela o Espírito dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), pela psicografia de Chico Periotto: “A Paz, a tão desejada Paz, é o sonho de todos, do Mundo Espiritual e da Terra. Apenas se constrói a Paz com tolerância. É impossível acreditarmos que o caminho da guerra, do ódio e da violência possa gerar Paz verdadeira. Mas o mundo trilha caminhos inesperados. Logo, é realmente importante exercitarmos o caminho do Ecumenismo e da confraternização entre os países”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

01nov/18

Cremação, prudência e Caridade

Paiva Netto

A nossa responsabilidade com o envoltório físico que Deus nos ofereceu é deveras séria. E isso se aplica a todas as etapas da existência, incluindo a morte e a transição para o lado ainda invisível da Vida Eterna. Os instantes que se seguem imediatamente após o desenlace também inspiram cuidados. Por isso, fui buscar no primeiro volume das Sagradas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo (1987) nosso ponto de vista contra a cremação dos corpos. Há consequências terríveis para o Espírito que começará sua adaptação à nova esfera, como vocês poderão ler:
Sem a Alma, o corpo é o cadáver. Porém, essa minha afirmativa não significa dizer que os despojos, pelo menos nos primeiros tempos da morte, não sejam instrumentos de condução de sensibilidades ao Ser Espiritual, por meio do perispírito. Para facilitar o entendimento desse ensino, vamos dar a palavra ao Espírito Emmanuel, quando nos fala sobre o delicado tema da cremação de corpos defuntos. Ele responde à pergunta 151, constante do seu livro O Consolador, pela psicografia do médium brasileiro Chico Xavier (1910-2002), Legionário da Boa Vontade nº 15.353:
151 — O espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos?
— Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tônus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.
Em 28 de julho de 1971, durante sua famosa entrevista para o programa Pinga-Fogo, da antiga TV Tupi, em São Paulo/SP, Chico Xavier, ao responder a questionamento de uma telespectadora, lido pelo jornalista Almyr Guimarães (1924-1991), ressaltou o que Emmanuel aconselha:
— O tempo de expectativa deve ser nada menos que 72 horas, numa câmara fria, para o nosso veículo carnal, quando nos desvencilhamos dele, no caso de optarmos pela cremação.
Apresento também, para a análise de vocês, algumas considerações dos nobres amigos do Mundo da Verdade Flexa Dourada (Espírito) e dr. Bezerra de Menezes (Espírito). Trata-se de comunicações mediúnicas por intermédio do sensitivo Cristão do Novo Mandamento Chico Periotto. São ressalvas que merecem dedicada atenção.
Diz Flexa Dourada:
— Sobre a instrução de Emmanuel de que só se deveria cremar corpos depois de 72 horas — e olhe lá —, isso seria boa condição para um Espírito completamente [em vida] desapegado da carne. O melhor é enterrar o corpo da pessoa que desencarnou. Vai para debaixo da terra aquilo que vem da terra. Isso é uma lei da Natureza.
E reforça o dr. Bezerra:
— Espalhem sempre que a cremação não é vista com bons olhos no Mundo Espiritual. Mesmo quando o Espírito já deixou totalmente o vaso físico, as lembranças ficam registradas na memória espiritual. Deixemos a Terra consumir aquilo que ela trouxe sem agressões. Tudo que radicalize, tudo que afronte a vestidura humana, interfere no equilíbrio espiritual. Tratemos bem de nosso vaso corpóreo. Façamos dele a morada de Deus. (…) Imaginem o acidente de um caminhão em alta velocidade, batendo contra uma muralha. A cremação é algumas vezes pior que isso.
Apresentamos ainda nessa análise a visão do Judaísmo acerca do desligamento entre corpo e Alma. Com a palavra, o rabino Ilan Stiefelmann:
— A Lei judaica é inequívoca e intransigente em sua insistência para que o corpo, na sua totalidade, seja devolvido à terra. Com a morte, a alma passa por uma dolorosa separação do corpo que até então lhe servira de abrigo. Esse processo de separação é concomitante à decomposição do corpo. A partir do momento em que o corpo é enterrado, ele se desintegra paulatinamente, fornecendo desta forma um conforto à alma que está se liberando do corpo. (…) O processo gradual do retorno ao solo através do sepultamento é natural e carrega um importante simbolismo: o falecimento de uma geração permite o brotamento de outra, e os vivos são nutridos e inspi­rados pelo legado daqueles que já se foram. Nossos antepassados são o solo do qual nós brotamos. Mesmo em sua morte, eles são uma fonte de vida!
A fim de contribuir para o debate do tema, recorremos igualmente ao pensamento do Islamismo. O respeitado professor de Estudos Islâmicos, da Universidade de Georgetown (EUA), John L. Esposito elucida:
— A cremação é proibida no Islã, porque é considerada desrespeito ao falecido. Alguns estudiosos da religião que acreditam que a cremação é contrária aos ensinamentos do Islã e é uma violação da lei islâmica citam o Alcorão 80, 21: “Depois [Allah] o fez morrer e o sepultou”, e um hadith no qual o Profeta teria dito: “O modo de honrar o falecido é enterrá-lo”. Assim, é considerado uma obrigação dos muçulmanos, como uma comunidade, garantir que todo muçulmano que morra seja adequadamente limpo, envolvido numa mortalha e enterrado de acordo com os ensinamentos do Islã.

Para evitar padecimentos cruéis
Minhas Irmãs e meus Irmãos, o dever de Caridade nos impele a trazer para a reflexão esses alertamentos.
Alguém pode naturalmente argumentar que não acredita em nada disso. E a Fraternidade Ecumênica, que deve ser a bandeira do diálogo, nos leva a respeitar a crença de cada um. Mas, e se estivermos abordando aqui uma realidade? Há tanto ainda por se conhecer melhor! A cada dia, a própria Ciência descobre fatos novos ou corrige teorias antes inegociáveis, superando antigas controvérsias…
Em nome do Amor que devotamos aos nossos entes queridos, não custa nada repensarmos um pouco sobre o assunto e, assim, evitar padecimentos cruéis a eles depois que fizeram sua passagem para a Outra Vida.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

18out/18

Sete faces que revelam Deus

Paiva Netto

Em 21 de outubro, há 29 anos, tive a honra de inaugurar com a indispensável ajuda do povo, em Brasília/DF, o Templo da Boa Vontade (TBV).
Desde que abriu suas portas, o TBV é, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado do Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal (Setul-DF), o local mais visitado da capital do país.
Num artigo que escrevi para a Folha de S.Paulo, em 9 de agosto de 1987, delineei o espírito que norteia a Pirâmide das Sete Faces:
A construção do Templo da Boa Vontade, com um só altar e um trono exclusivamente dedicados ao Senhor Deus, tem como supremo objetivo reunir todas as criaturas, sejam quais forem suas crenças ou descrenças (ateu também é filho de Deus), conduzindo-as à Unidade da Fé Realizante com base no Ecumenismo Irrestrito. A Fé Realizante é aquela que se opõe à ociosa, egoística. (…) Revelou Jesus à samaritana, junto ao Poço de Jacó, em Seu Evangelho, segundo João, 4:1 a 30: “Deus é Espírito” e, por isso, “breve não mais será adorado em templos de pedra feitos pela mão do homem”. Por ser Espírito, “Ele procura, para Seus adoradores, aqueles que O adorem em Espírito e Verdade”. O TBV é, pois, a fase intermediária entre os templos de pedra e a época tão esperada em que os homens não mais necessitarão de templos materiais para orar a Deus. Natura non facit saltum. Por ser uma etapa transitória, aplicam-se a ele estas palavras inspiradas no ensinamento do Cristo Planetário: “Neste Templo até as pedras clamarão que Deus é Espírito e importa que seja adorado em Espírito e Verdade”.
Corresponde a dizer que nos tempos vindouros evoluirá a concepção restritiva de se adorar Deus apenas quando sob tetos materiais. Os templos, por mais que louváveis, não serão essenciais.
Curiosamente, nessa era ideal, sua frequência será a mais gloriosa de todos os tempos da Humanidade, porque haverão os homens compreendido ter Deus dentro de si mesmos. Ninguém mais se atreverá a frequentá-los como quem vai a uma descartável obrigação social, a um piquenique, a um desfile de moda. Quadro que entristece os religiosos compenetrados de sua missão. O lugar preferido por Deus para Seu culto é o coração humano. Não há aqui censura alguma aos que veneram seus templos para adoração ao Todo-Poderoso. De outra forma, como construiríamos o da Boa Vontade em Brasília?
O que concebemos é uma antevisão do que anunciou o Cristo. Dia virá em que a Humanidade inteira será reconhecidamente o Templo do Deus Vivo — território sagrado, onde todos poderão viver em Paz, como profetizou Isaías no Velho Testamento da Bíblia Sagrada. O ser humano finalmente entenderá que o Pai Celestial em Sua infinita sabedoria deve ser buscado e vivido em todos os lugares, durante todos os segundos da existência. Os sacerdotes sempre serão sacerdotes. Isto lhes nasce da Alma: em seus templos e em qualquer parte. Sentem-se assim os homens de Fé, em todos os pontos do mundo.
O homem pode tentar, ainda que em vão, destruir as religiões na Terra: contudo, jamais conseguirá extinguir a religiosidade que nasce com ele, mesmo quando ateu.

Dia do Ecumenismo
Em homenagem ao Templo da Paz, foi oficializado em Brasília o 21 de outubro como Dia do Ecumenismo. A iniciativa recebeu a adesão de outros pontos do país, a exemplo dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, e da cidade de Novo Hamburgo/RS.
Durante todo o mês, uma rica programação cultural, religiosa e ecumênica celebra os 29 anos do TBV. Ele está localizado na Quadra 915 Sul, Brasília/DF.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

08out/18

As crianças e a Mãe de Jesus

Paiva Netto

Em 12 de outubro, no Brasil, homenageamos Maria Santíssima, Mãe Universal da Humanidade, e as crianças, alegria do mundo! Os pequeninos sempre aguardam com expectativa esse dia. Que Nossa Senhora Aparecida, uma referência dos Irmãos católicos à Mãe de Jesus, proteja do mal as criancinhas!

Aproveito para lhes trazer um belo exemplo de Amor Fraterno, abençoado pela Mãe de Jesus, que vem dos jovenzinhos. Apresentei-o, há vários anos, na Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet). Fui buscá-lo na obra Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan. Muitos de vocês talvez já conheçam esse conto, mas, diante dos graves problemas de convivência humana no planeta, é importante ressaltarmos o que de bom igualmente existe para que o bem seja multiplicado.

Vamos ao que Malba Tahan, pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Melo e Sousa (1895-1974), escreveu e a alguns comentários que fiz:

“Uma menina chinesa conduzia às costas um pequenino de dois anos de idade. Ao vê-la passar, vergada ao peso daquela carga, um sacerdote perguntou-lhe:
“— É pesado, menina?
“— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu irmão!
“Que linda resposta a desta menina! Atentem no profundo ensinamento que suas palavras encerram! Como parece suave a carga quando levamos ao ombro o irmãozinho querido!
“Do mesmo modo, se seguirmos fielmente os preceitos evangélicos, seremos induzidos a levar a Caridade a todos os nossos semelhantes. E o sacrifício em proveito do próximo, então, se tornará muito leve, pois será feito por um irmão”.

Jesus, o Cristo Ecumênico, o Pedagogo Celeste, ensinou que nos devemos amar uns aos outros como Ele nos amou e tem amado. E disse mais o Divino Amigo: “Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (…) Não há maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos. (…) Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35; 15:12, 13 e 9).

Vale a pena destacar novamente o que disse a garotinha quando o religioso lhe perguntou se era pesada a criança que carregava: “— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu irmão!”

Reconheçamos também nesse irmão bem querido o Brasil, cujo verdadeiro progresso depende da real dedicação de governantes e governados. Ora, meus jovens, quem não intuir ou entender essa lição de Lendas do Céu e da Terra jamais compreenderá a solidariedade humana ensinada pelo Cristo de Deus. Não será um bom menino, uma boa menina, um bom pai, uma boa mãe, um bom avô, uma boa avó, um bom sacerdote, um bom político, um bom filósofo, um bom cientista, um bom economista, um bom pedagogo ou professor, um bom artista, e assim por diante, porque, se não tiver Amor Fraterno no coração, não saberá viver em comunidade, não poderá participar da Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, na qual todos compreendem que o sofrimento de um é o de todos.

Agora, a conclusão de Malba Tahan em sua página, na forma de tocante prece: “Ó Jesus, Divino Modelo da Caridade, dai-me aqueles puros sentimentos de Amor ao próximo, de que nos deixastes tão admiráveis exemplos; fazei, Senhor, que eu ame santamente os meus semelhantes por Amor de Vós, que nunca deles suponha mal; que lhes acuda em suas necessidades; e que, sofrendo suas fraquezas neste mundo, por amor de Vós [Jesus], possa um dia cantar com eles Vossos louvores, [assim na Terra como] no Céu!”. Amém! Viva Jesus!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

01out/18

Saúde ocular

A falta de informação e de exames preventivos leva a maioria das pessoas a procurar auxílio apenas quando a doença se encontra em estágio avançado.

Paiva Netto

Ainda hoje, em pleno terceiro milênio, ouve-se nos consultórios médicos que a falta de informação e de exames preventivos leva a maioria das pessoas a procurar auxílio apenas quando a doença se encontra em estágio avançado.
Diante dessa realidade, vi-me no dever de utilizar este espaço para também trazer à população esclarecimentos de especialistas das mais variadas áreas de saúde.

Assisti, no programa Viver é Melhor, na Boa Vontade TV (Oi TV — canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — canais 196 e 696), ao valioso bate-papo da jornalista Angélica Beck com o dr. Jorge Mitre, oftalmologista e diretor do Hospital de Olhos de São Paulo.

Destaco, a seguir, alguns trechos dessa entrevista:

Boa Vontade TV: “A questão da saúde dos olhos é algo que as pessoas costumam deixar para cuidar só quando algo incomoda mais seriamente?”
Dr. Mitre: “Só vamos tratar de nossa saúde quando já estamos com algum problema. Isso é um erro grave. O olho é o órgão que mais fornece, por toda a vida, informações para o ser humano. A criança, por exemplo, não sabe dizer se está enxergando bem ou não. Portanto, quando começar a frequentar a escola, necessitará fazer uma avaliação dos olhos. Talvez ela tenha uma vista boa e a outra ruim e a mãe não saiba. E se tiver doenças prévias na família? Daí a criança já terá de ser monitorada para se avaliar se ela está com boa visão”.

Boa Vontade TV: “A partir de que idade a criança deve ser examinada?”
Dr. Mitre: “Aos 4 ou 5 anos já é uma boa idade, é óbvio, se ela não apresentar nenhum distúrbio antes disso. Por exemplo, um estrabismo, um olho com a pupila branca ou alteração que a mãe ou o pai notem, deve-se procurar imediatamente um oftalmologista”.

Boa Vontade TV: “Um bebê pode desenvolver já nos primeiros meses de vida uma patologia?”
Dr. Mitre: “Algumas doenças são próprias da infância. Por exemplo, o globo ocular vai se formar totalmente por volta do sexto mês de vida intrauterina. Uma criança que nasça com 6 meses tem grande possibilidade de tê-las extremamente graves na retina, porque o sistema vascular do olho não foi totalmente completado. Então, ao sair do útero materno, a colocamos numa incubadora sob alta concentração de oxigênio. A retina sente esse oxigênio muito alto e pode descolar. Com isso, a criança corre o risco de perder a visão. Portanto, ela tem de ser examinada dentro da incubadora pelo oftalmologista e tratada antes que saia, senão será tarde demais”.

Boa Vontade TV: “Os olhos também podem refletir outras alterações no organismo apontando o surgimento de alguma patologia?”
Dr. Mitre: “O olho é o único órgão em que você consegue ver as artérias e as veias ao vivo. As do cérebro, do estômago, do fígado, do pulmão, você não as vê. Vamos supor que a pessoa tenha pressão arterial alta. O organismo dispõe de mecanismos de defesa para diminuir a pressão sanguínea. Os vasos se contraem e se fecham para diminuir o fluxo de sangue, a fim de proteger o coração que está bombeando muito forte. Ao realizar o exame de fundo de olho, podemos perceber esse problema. Outro exemplo é a artrite reumatoide que, também, dá reflexo na visão. O diabetes é outra doença extremamente traiçoeira, que atinge demais as vistas. Depois da catarata, da degeneração de mácula, o diabetes, na população ativa dos 20 aos 50 anos, é o que mais leva à cegueira nos países desenvolvidos. Todo mundo tem um parente ou um amigo diabético cego. Há muita gente perdendo a visão e não está fazendo nada contra isso. (…) Tenho obrigação de alertar o povo do perigo do diabetes. Você que come açúcar, tem excesso de peso e acha que não está acontecendo nada com seu organismo, saiba que está aos poucos perdendo a visão. Na hora em que procurar o oftalmologista, já será tarde demais. Para ilustrar, imagine um cano d’água que passa dentro das paredes da sua casa, se ele tiver um furinho vai provocar umidade, pois é uma área de vazamento. É isso que o diabetes produz dentro do olho. Ele vai produzindo furos nos vasos. O sangue, no lugar de caminhar dentro de um tubo, começa a sair antes da hora, criando micro-hemorragias que podemos identificar no exame de fundo do olho. Depois de algum tempo, isso leva à cegueira. O tratamento exige raio laser ou aplicação de drogas dentro do olho para tentar preservá-lo (…)”.

Boa Vontade TV: “É, portanto, fundamental controlar a glicose…”.
Dr. Mitre: “O controle é importante, contudo, mesmo assim, o diabético não está totalmente imune de perder a visão. Depois de oito a dez anos já começa a apresentar lesões, mesmo que haja controle. Se não cuidar, em três, quatro anos, poderá estar cego, principalmente com o diabetes do tipo 1, que é o de jovem, aquele que tem 18, 19 anos. Você que é garoto se cuide, sua glicemia tem de estar 90, 100 todo dia”.

Eis aí a nossa contribuição para que tenhamos um cuidado maior com a saúde do corpo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

21set/18

Fraternidade realizadora e direitos humanos

Paiva Netto

Para a 58a sessão da Comissão do Status da Mulher (CSW), que ocorreu na sede da ONU em Nova York, EUA, de 10 a 21 de março de 2014, junto das recomendações da LBV às autoridades no evento, enviei mensagem publicada na revista BOA VONTADE Mulher, especialmente preparada para a ocasião, em português, inglês, francês e espanhol. Por oportuno, apresento a vocês, prezados leitores, alguns extratos:

A mulher tem sido o sustentáculo verdadeiro de todas as nações, quando integrada em Deus ou nos ideais mais nobres a que um ser humano possa aspirar: a Bondade Suprema, o Amor Fraterno, a Justiça Supina, a Fraternidade Real — mesmo não professando uma tradição religiosa. (…)

Congratulamo-nos com as vitórias alcançadas por meio das metas globais de desenvolvimento propostas pela ONU, a partir de 2000. Sabemos, porém, que há muito ainda a fazer pelo próximo. Daí a importância dos temas debatidos pelos estados membros, delegações internacionais, autoridades e demais participantes das reuniões promovidas todos os anos pelas Nações Unidas durante a Comissão do Status da Mulher.

Trata-se de oportuno momento para avaliar os acertos e empenhar-se ainda mais nas melhorias que devem ocorrer, visando a soluções, por exemplo, no campo da educação, da saúde, no combate à pobreza e à violência, entre as quais a hedionda exploração sexual de mulheres, jovens e meninas. Jamais podemos esmorecer no que se refere à luta pela causa da dignidade humana e pela erradicação das desigualdades sociais e de gênero no mundo.

É inadmissível que no planeta, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada três mulheres sofra algum tipo de violência (física e sexual), tendo como autor, por vezes, o próprio parceiro.

É fundamental que igualmente se avance para a extinção da diferença de salários entre os gêneros, no acesso mais equânime a posições gerenciais no mercado de trabalho e na divisão dos afazeres domésticos entre homens e mulheres. Enfim, trata-se sempre de garantir os princípios de cidadania e os direitos humanos.

A propósito, acreditar que possa haver direitos sem deveres é levar ao maior prejuízo a causa da liberdade. (Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres do cidadão acima dos seus próprios direitos, em hipótese alguma defendo uma visão distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas facetas mais abomináveis.) E prossigo: por isso, queremos que todos os seres humanos sejam realmente iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos dos demais cidadãos. Porquanto, liberdade sem fraternidade é condenação ao caos.

Trabalhamos, pois, por uma sociedade em que o Criador e Suas Leis de Amor e Justiça inspirem zelo à liberdade individual. É o que nos suscita o Natal Permanente de Jesus, a mensagem universalista do Libertador Divino, Aquele que, pelo Seu sacrifício, se doou pela Humanidade. Tudo isso para garantir segurança política, social, jurídica, sob a Sua visão divina (…).

A escritora, filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) belamente expressou-se sobre a importância da solidariedade e dedicação ao próximo ao dizer: “A vida conserva seu valor enquanto atribuímos um valor à vida dos outros, por meio do amor, da amizade, da indignação, da compaixão”.

As virtudes reais, de fato, serão aquelas constituídas pela própria criatura na ocupação honesta dos seus dias, na administração dos seus bens e no respeito pelo que é alheio, na bela e instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de tais elementos será sempre forte e inviolável.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

18set/18

Reflexão de Boa Vontade

As andorinhas sempre voltam

Paiva Netto

Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade (LBV), a todos sabiamente advertia: “O suicídio não resolve as angústias de ninguém”. Portanto, que ninguém se suicide, pensando que, com esse ato funesto, se livrará da dor que o aflige, ou a aflige, pois acordará no Outro Mundo mais vivo, ou mais viva, do que nunca e com todos os seus problemas amplificados. Fugir do sofrimento é cair repetidas vezes nas mãos dele; portanto, sob o cruel flagelo do “lobo invisível”, o espírito obsessor, que tem de ser vencido, mas não maltratado, e, assim, redimido pelas ovelhas do Cristo. É bom que nos recordemos constantemente do dito popular imortalizado pelo querido poeta, intérprete e compositor paulista, de Valinhos, Adoniran Barbosa (1910-1982), em sua Saudosa Maloca, gravada por ele, em 1951, e, em outro vinil, pela cantora paulistana Marlene (1922-2014): “Deus dá o frio conforme o cobertor”.

E dá mesmo. É só a gente ser perspicaz e saber, com inteligência, usar o cobertor no “inverno”, até que o “verão” volte. Costumo lembrar-lhes um acertado aforismo de Éliphas Lévi (1810-1875), que conforta os lutadores pelo Bem, os quais firmemente prosseguem, a despeito das piores condições a serem superadas, porque o Sol há de brilhar: “Felizes daqueles que não desanimam nunca e que, nos invernos da vida, esperam as andorinhas em sua volta”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


Serviço – A Missão dos Setenta e o “lobo invisível” (Paiva Netto), 384 páginas. À venda nas principais livrarias ou pelo site www.clubeculturadepaz.com.br

11set/18

Reflexão de Boa Vontade

As graves consequências dos diversos tipos de suicídio

Paiva Netto

Ninguém está livre das influenciações espirituais inferiores, as quais, mesmo quando não se revelam num gesto tão extremado como matar-se, encerra consequências que podem configurar verdadeiro suicídio em vida.

Quantas empresas, por exemplo, são levadas à “morte”, ou seja, à falência? Quantos casais estão em conflito, arrastando em seu bojo a felicidade dos filhos? Quantos se entregam à “morte” pelos vícios da bebida, do cigarro, das drogas, que enfermam e destroem nosso veículo físico e distorcem a Alma? E as chagas do ódio, da violência doméstica, do feminicídio, da pedofilia, da efebofilia, dos estupros…? Quantos são drasticamente atingidos, arrancados do mundo por essas barbáries? E as guerras, o desmantelamento econômico de países, os conflitos étnicos de toda sorte?… E a hipnose coletiva que, pelo planeta, enceguece governantes e governados? Todos são Espíritos na carne; portanto, completamente suscetíveis de sofrer o magnetismo inferior desses “invasores de Almas”, que aqui denominamos “lobos invisíveis” ou espíritos obsessores. Contudo, em medida ainda mais vigorosa, qualquer pessoa é capaz de se tornar instrumento benfazejo sob os cuidados das Falanges Divinas, das Almas Benditas. Todos somos médiuns, conforme nos revela Allan Kardec. E poder nenhum é maior que o de Deus.

Reitero a importância da leitura de “Quanto à Abrangência do Templo da Boa Vontade” e “O equilíbrio como objetivo” (disponíveis no blog PaivaNetto.com), páginas nas quais esclareço que o mundo material não mais poderá evoluir sem o auxílio flagrante do Mundo Invisível Superior. (…)

Como impedir a ação dos espíritos malignos
Meus Irmãos e minhas Irmãs, que drama enfrentam, muitas vezes, nossos Anjos Guardiães a fim de nos livrar de funestas ambiências, que acabamos atraindo para dentro de nossos lares, de nossas empresas, de nossas igrejas, de nossas comunidades, de nossos países! No entanto, alguém pode dizer: “Mas, Irmão Paiva, eu tento, eu luto; contudo, não consigo afastar esses obsessores espirituais de meu caminho. No ambiente da minha empresa, pelas ruas, em minha casa, nas dos meus entes queridos, eles sempre estão lá, ou acolá, me atormentando, fazendo com que minha competência no trabalho seja abalada; minha felicidade, minha saúde, minha paz sejam postas abaixo. Já não tenho forças…”

Tem forças, sim!!! Quem lhe disse que não? Afaste de si as sugestões de fraqueza, justamente, do aqui ultradenunciado “lobo malfeitor espiritual”. E ore por ele, de maneira que a prece fervorosa toque os recônditos de sua alma, tornando-o, pela transformação do caráter, um bom sujeito. Rogue pelo apoio de seu Anjo da Guarda, ou Espírito Guia, ou Nume Tutelar — seja qual for a maneira que você denomine esses Benfeitores (ainda) Invisíveis.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


Serviço – A Missão dos Setenta e o “lobo invisível” (Paiva Netto), 384 páginas. À venda nas principais livrarias ou pelo site www.clubeculturadepaz.com.br

31ago/18

Batalha brutal pela sobrevivência

Paiva Netto

No dia a dia, cada vez mais se faz notar a crescente concorrência que existe não apenas entre as grandes empresas, grupos, cartéis, monopólios, trustes, mas, sobretudo, individualmente entre as próprias criaturas. Apesar disso, para que se possa ferozmente subsistir em um planeta bastante selvagem, elas não podem soçobrar às pressões desagregadoras do cotidiano. Claro que não estou me referindo à competitividade sadia, por exemplo, a que ocorre no futebol. Afinal, Esporte é melhor do que guerra.

Diante do quadro de tensões, dificuldades e desafios da vida, é lamentável como tem sido comum recorrer-se a substâncias tóxicas, com a ilusão de se encontrar uma válvula de escape ou alegrias duradouras. Tudo isso é um tremendo engano! Nosso refúgio permanente deve ser Deus, o Cristo, o Espírito Santo, nossas famílias, os verdadeiros amigos, a vivência da Caridade, entre outros sublimes valores.

O corpo humano não combina com álcool
Infelizmente uma parcela da população não está sabendo como suportar a batalha diária pela sobrevivência, que se tornou, sob vários aspectos, brutal. Tal estado de ânimo tem servido de brecha para as investidas do “lobo invisível” (os espíritos obsessores, uma realidade que precisamos combater com oração), que passa a maldosamente empurrar os invigilantes e incautos para os vícios. Por esse motivo, sempre faço questão de publicar na revista JESUS ESTÁ CHEGANDO! mensagens que nos chegam do Mundo Espiritual com marcantes alertamentos.

Reúno aqui para vocês palavras do Irmão Flexa Dourada (Espírito) trazidas pelo sensitivo Cristão do Novo Mandamento de Jesus Chico Periotto, datadas de 3 de outubro de 2009 e 13 de novembro de 2010. Diz o diligente Amigo da Pátria da Verdade: “O Mundo Espiritual Superior sempre manda os fluidos revitalizantes para a boa saúde dos seres humanos. Agora, quando qualquer pessoa vive de exageros, não tem banho de fluidos que ajude. Quem toma álcool, por exemplo, vai acabando com tudo no organismo. A pessoa diz: “Ah, mas é tomar só um pouco. Um pouco faz bem à saúde”. Álcool não faz bem para nada. O organismo não foi feito para consumir álcool. Aqui de Cima [do Mundo Espiritual], não conhecemos ninguém que tenha na Terra ficado com a saúde boa por isso. Vejam, os efeitos da bebida alcoólica são tão devastadores, mas, às vezes, não são imediatos. Isso vai acontecendo, acontecendo, para a frente, para o futuro. Mas, um dia, a doença vem. Muitas pessoas vão desenvolver moléstias pelo corpo todo, por tudo isso. O cigarro é também uma das pragas da humanidade. Cigarro, bebidas alcoólicas e drogas. Tudo isso é suicídio!”

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


Serviço – A Missão dos Setenta e o “lobo invisível” (Paiva Netto), 384 páginas. À venda nas principais livrarias ou pelo site www.clubeculturadepaz.com.br

24ago/18

O patrimônio da Caridade

Paiva Netto

A Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento cordial entre criaturas que firmemente desejam a preservação deste mundo. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística de Deus, entendido como Amor, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e basta ir ao dicionário, que Caridade é sinônimo de Amor. Portanto, é respeito, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O mundo precisa de carinho e Amor. Quem diz que não quer ser amado está doente ou mentindo, o que, no fundo, no caso em questão, é a mesma coisa. Pode ter certeza de que a pessoa está gritando lá dentro: “Socorro! Preciso ser amado! ou, preciso ser amada! Mas não tenho coragem de dizer! Tenho vergonha de reivindicar, um pouco que seja, da Fraternidade dos meus irmãos humanos! Mas escutem o meu apelo desesperado e silencioso!”

Como escrevi no livro Como Vencer o Sofrimento, o Amor revela a Luz, e a Luz espanta a treva. Que mais quereremos nós? O ser humano tem carência de Amor verdadeiro. É o que muitos dirigentes dos povos em definitivo precisam entender. Governa bem aquele que governa o coração. Exclamam alguns: “— Ah, eu não falo em Caridade!” Infelizmente creem que ela se resume em dar às pressas esmola ao mendicante que os interpela. Já estão em falta quando se irritam diante do necessitado, que em geral é efeito e não causa. Devem refletir sobre este ditado latino: “Hodie mihi; cras, tibi”. (Hoje, eu; amanhã, você). Ou seja: agora, o pedinte é ele; amanhã, poderemos ser nós. O pior é que alguns transferem essa “amofinação” para um sentimento elevadíssimo, que é a Caridade, que eles não entendem muito bem, mas que se personifica na cola que junta as partes separadas da sociedade mundial. Enfim, Caridade é a esperança que repousa em Deus.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

20ago/18

Solidariedade com a Terra

Paiva Netto

Desde o Protocolo de Kyoto, em 1997, pouco se alcançou de concreto. Ao ser entrevistado para a revista Boa Vontade, o dr. Kiyo Akasaka, então subsecretário-geral da ONU para Comunicação e Informação Pública, na época embaixador do Japão e um dos principais negociadores de seu país nos debates sobre as mudanças climáticas, revelou que “somente em 2005, após a aceitação desse protocolo pela Rússia, é que ele passou a vigorar. Isso levou bem mais tempo do que esperávamos”.

E, nesse caso, o “tempo é dinheiro” dos chamados homens práticos, passou a ser “tempo é vida”. O dr. Akasaka, por isso mesmo, falava, em 2009, ano em que foi formulado o Acordo de Copenhague, sobre a importância de equacionar um novo pacto “que abranja tanto os países desenvolvidos quanto aqueles em desenvolvimento”. Ele exaltou ainda que “a sociedade civil e as pessoas em geral estão bem mais conscientes da necessidade de lidar com essas questões, porque se têm observado os efeitos das mudanças climáticas no aumento do nível do mar, nas tempestades, nas secas, no derretimento de geleiras nos Alpes… Algo precisa ser feito”.

Parecer compartilhado pelo mestre e doutor em Economia Sérgio Besserman, igualmente registrado pela revista Boa Vontade: “Há, de fato, uma consciência de que é totalmente necessário tomar medidas rápidas, emergenciais, muito profundas, de modo que as economias do mundo, e não apenas a produção, mas o consumo, aquilo de que todos participamos também, mudem e passem a emitir menos gases do efeito estufa, com o objetivo de evitar piores cenários de aquecimento global. (…)”.

Indagado sobre quais providências devem ser tomadas, o prof. Besserman foi categórico: “Eu diria que há ainda muita inércia. É natural que haja certo conservadorismo diante de mudanças, somos assim; se o médico nos dá uma má notícia ficamos zangados com o médico, buscamos outro. Só quando a gente está convencido de que precisa emagrecer, fazer exercícios, ter hábitos saudáveis, de que necessita dar atenção à Espiritualidade, só então a gente encontra forças para mudar. O mundo não é tão diferente, ele já tem certa consciência da necessidade de considerar que o planeta é finito; temos de respeitar o ritmo em que a Natureza renova os serviços que ela nos dá, mas isso ainda não encontrou forças suficientes para se tornar em ação e início da transformação necessária neste século 21”.

Mirdes de Oliveira, pós-graduada em meio ambiente e sociedade, falando ao programa Biosfera, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), observou-nos a resposta que o orbe está dando ante a ação humana: “A cada dia vemos as mudanças das temperaturas: o frio cada vez mais intenso e o calor castigando as regiões com estiagens. Temos também o problema das chuvas. Esse é um grande exemplo porque antigamente tínhamos chuva de verão, mas hoje não: a cada ano que passa, o que vemos são fortes tempestades. Com isso acabamos tendo outro tipo de poluição, provinda da água dos rios que entra nas casas, podendo trazer, por exemplo, a leptospirose”.

Fica explícito que, acima de tudo, o assunto exige urgente cooperação individual e coletiva. Hoje, aguardamos a realização da COP24, entre 3 e 14 de dezembro, em Katowice, Polônia. O principal objetivo dessa conferência é fortalecer os objetivos estabelecidos no Acordo de Paris no ano de 2015.

Que os líderes mundiais possam tomar as mais acertadas decisões, iluminados pela Vontade de Deus. Sem solidariedade com a própria Terra, não sobrará ninguém para contar a história.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

13ago/18

Pais de Boas Obras

Paiva Netto

Dia dos Pais! Nosso pensamento se eleva em primeiro lugar ao Pai de todos, o Celestial, que gerou nossos pais e fez igualmente de nós pais. Alguns argumentam: “E como ficam os homens que não têm filhos?”

Já expliquei que pai também é aquele que faz nascer boas obras — como que suas filhas —, o que levanta indispensáveis construções espirituais e sociais — como que seus filhos. Grandes figuras da humanidade não foram genitores no sentido literal da palavra, contudo trouxeram à Terra filhos livros, descobertas científicas e desbravamentos filosóficos, morais, políticos, religiosos. São admiráveis descendentes que beneficiam multidões, geração após geração.

Aos pais de filhos espirituais, carnais, morais, sociais, o reconhecimento fraterno da Legião da Boa Vontade, dos seus Centros Comunitários, Educacionais, Culturais, Artísticos, Esportivos; do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP; do Centro Comunitário de Assistência Social Alziro Zarur, da LBV, em Glorinha/RS; de todas as obras que sustentamos pela força da Fé Realizante, porque a Fé, ensinou Jesus, remove montanhas.

E mais afirmou o Divino Chefe: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

A quantos o Excelso Taumaturgo tem convidado: “Levantai e andai!” (Evangelho, consoante Lucas, 5:23). E caminharam. A quantas pessoas ordenou: “Vede!” E viram. O Cristo curou cegos de nascença (Evangelho, segundo João, 9:1 a 91). Porque cada um recebe, Ele mesmo adverte: “de acordo com as obras de cada um” (Evangelho, segundo Mateus, 16:27; e Apocalipse, 20:13).

Seres de Boa Vontade, do Brasil, do mundo, do plano espiritual ainda invisível aos nossos parcos sentidos físicos, para a frente e para o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista! Como disse o Irmão André Luiz, Espírito: “A LBV é a nossa caravana de agora. Não nos iludamos: Jesus segue na vanguarda do nosso Movimento”.

Oração dedicada aos pais
Vamos elevar o nosso pensamento a Deus, ao Pai Celestial. Pedir a Ele a proteção para os pais terrenos. Na dor, no sofrimento, na guerra, a primeira invocação que se ouve por parte dos que padecem é o nome daqueles que os geraram. Agora, vamos orar a Prece Ecumênica de Jesus, a Oração do Senhor deste planeta, que se encontra no Seu Evangelho, segundo Mateus, 6:9 a 13.

“Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque Vosso é o Reino, e o Poder, e a Glória para sempre. Amém!”

O sentido da liberdade verdadeira
“O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores.”

Fosse essa a súplica permanente do mundo e muita coisa se transformaria. Porque, para começar, estaríamos pedindo ao Criador o pão espiritual, a fortaleza para a nossa mente, o sentido da liberdade verdadeira, a independência de julgamento, que só pode vir pela celeste inspiração. Se o corpo precisa do alimento material, o Espírito necessita do pão da liberdade.

Mas o que é a liberdade? As mãos livres para fazer mal ao semelhante? Para infamar, para caluniar, uma comunidade, uma família? Não! Isso seria o mal estabelecido. A liberdade tem de ser iluminada pelo coração que ama, respeitando-se a Justiça que provém de Deus. Isso é que é moral, justo! Todavia, para que essa concepção possa, na verdade, viger, edificando um país, temos de procurar a compreensão do que seja realmente a Lei Divina.

Urge nos conscientizarmos de que o Amor Fraterno é também Justiça, não condescendência com o erro. Alguém pode perguntar: “Mas o que está certo e o que está errado?”

O que causa prejuízo e dor não pode estar correto. O desequilíbrio da humanidade vem muito disso.

Jesus como paradigma
Salve o Dia dos Pais, o Dia das Mães, dos Avós! Salve, Jesus! Às crianças e aos jovens do Brasil e do exterior, a nossa saudação! Que a grama verde (a mocidade), descrita no estudo sem tabus do Apocalipse, não seja destruída. Do contrário, não haverá continuidade de vida na Terra. E quando falamos não ser aniquilada a juventude, não pensamos somente no sentido restrito da morte do corpo físico, porque, se a consciência estiver falida, estaremos mortos também. Existem o intelecto e a consciência. A segunda conduz-nos à sabedoria, quando iluminada, se assim o quisermos, pela Bondade Divina.

Que a Paz de Deus esteja agora e sempre no coração de todos e de todas, quer acreditem na Espiritualidade Superior, quer sejam ateus ou ateias! O importante é ser honesta, digna; ser honesto, digno. Aí está o segredo: Jesus como paradigma! Que Ele tenha piedade de nós, e que a Sua generosidade conduza os nossos destinos!

Finalizando, registro, emocionado, meus sinceros agradecimentos ao meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000). Um dos principais responsáveis pela minha formação cultural, ainda que modesta. Constantemente me presenteava com livros, preocupado que foi com a educação do filho, como também de minha irmã, Lícia Margarida (1942-2010). Receba, seu Bruno, onde estiver, ao lado de dona Idalina (1913-1994), um beijo no coração!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

06ago/18

Vilões do século 21

Paiva Netto

Em 14 de julho de 2007, o Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo/SP, recebeu milhares de pessoas do Brasil e Exterior, que participaram do 32o Fórum Internacional do Jovem Ecumênico da Boa Vontade de Deus. Durante o encontro, dentre muitos assuntos, debati com os moços sobre o cuidado que devem ter com a saúde, principalmente na prevenção e controle do diabetes. Li para eles uma nota em que “a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou estimativa de que 376 milhões de pessoas terão diabetes em 2030, se não houver mudança no estilo de vida. Citou a obesidade e o sedentarismo como maiores vilões do diabetes tipo 2, o mellitus. Onze milhões de brasileiros têm a doença, 6 em cada 10 são diabéticos. Um novo caso surge no mundo a cada 5 segundos. A cada 10 segundos uma pessoa morre de complicações decorrentes da doença”.

O quadro é de calamidade pública.

Desequilíbrio dietético
Por sinal, na obra Crônicas e Entrevistas (2000), da Editora Elevação, publiquei uma advertência do dr. Walmir Coutinho, da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade, concedida à Boa Vontade TV, que prossegue atualíssima. O cientista alertava quanto à grave ameaça do desequilíbrio dietético para a saúde: “São riscos associados à gordura escondida no abdômen, chamada de abdominal visceral. (…) Ela desencadeia uma resistência à ação da insulina, hormônio que controla o açúcar no sangue. O que vem junto com isso? Pressão alta, o diabetes (até nas crianças)… Se ele não vem, chega a tolerância glicídica, o colesterol alto e tudo isso leva o indivíduo a uma tendência muito grande de entupir vasos sanguíneos, determinando vários tipos de complicações, ligadas à obstrução vascular. (…) É realmente assustador”.

Epidemia
Nesse contexto está também o artigo da nutricionista e doutora em ciências aplicadas à pediatria dra. Cecília L. de Oliveira, juntamente com o dr. Mauro Fisberg, pediatra e nutrólogo, registrado no site www.abeso.org.br, do qual destaco: “A prevalência mundial da obesidade infantil vem apresentando um rápido aumento nas últimas décadas, sendo caracterizada como uma verdadeira epidemia mundial. Este fato é bastante preocupante, pois a associação da obesidade com alterações metabólicas, como a dislipidemia, a hipertensão e a intolerância à glicose, considerados fatores de risco para o diabetes mellitus tipo 2 e as doenças cardiovasculares, até alguns anos atrás, eram mais evidentes em adultos; no entanto, hoje já podem ser observadas frequentemente na faixa etária mais jovem”.

É preciso fugir do excesso de sal e de gordura. Recomendo sempre isso aos meus familiares e aos que trabalham comigo.

O assunto merece atenção e cuidados urgentes, tanto no campo fisiológico como no espiritual, até porque Alma saudável é medicina preventiva para o corpo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

19jul/18

Renascimento do Espírito Divino

Paiva Netto

Para saudar o Dia da Caridade, 19/7, em sua elevada abrangência, apresento-lhes alguns trechos de meu livro Reflexões da Alma (2003), no qual afirmo que — a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo é a mais diligente dialética, sempre realizadora e atual — por mais que passe o tempo —, porquanto fraterna e generosa. Fala ao coração, não somente ao cérebro, sustentando-os na “Paz que o mundo não lhes pode dar” (Evangelho, segundo João, 14:27). Daí a capacidade de curá-los, tendo como ponto de partida a mente. Cuida do corpo humano em seu aspecto integral, proclamando-o como a morada do Espírito enquanto reencarnado. (…)

A Terra é um Educandário Divino onde se espraiam as nobres lições de Jesus, o Catedrático Celeste. A grande reforma dessa Universidade Sublime é superior ao renascimento que se deu na Europa, anteriormente preparado pelos muçulmanos, que foram, na Antiguidade histórica, buscar a sabedoria esquecida dos gregos. No Ocidente, surgiram figuras luminares como Da Vinci, Michelangelo, Cellini, Rafael, Giovanni Pico della Mirandola, Pietro Pomponazzi. Esses, entre outros, entraram na História como ilustres figuras do Renascimento, movimento artístico, literário e científico que floresceu na Europa entre o período que corresponde à Baixa Idade Média e ao início da Idade Moderna, do século 14 ao 16. O Universalismo, uma das principais características da época renascentista, considera que o ser humano deve desenvolver todas as áreas do conhecimento.

Mas a consciência que há de brilhar no mundo é muito mais que isso! É a nova Ressurreição do Cristo e de todos aqueles que se comprazem no verdadeiro Bem que de Deus desce ao mundo. Trata-se do definitivo Renascimento do Espírito Divino, a beneficiar cada criatura e toda a sociedade ansiosa de Luz, mesmo quando não o percebam.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

09jul/18

A queda de todas as bastilhas

Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.
Paiva Netto

Dia 14 de julho. Completam-se 229 anos da Queda da Bastilha, episódio que deflagrou a Revolução Francesa (infelizmente manchada pelo sangue dos guilhotinados), cujas origens remontam aos enciclopedistas, vanguardeiros do iluminismo. Relativo ao tema, selecionei apontamentos meus, ao longo do tempo, de palestras, programas de rádio, TV e de artigos publicados no Brasil e no exterior.

Não tenho pretensão de discutir aspectos históricos ― existem bons livros para isso ―, contudo extrair uma importante analogia sobre quanto ainda é forçoso trilhar a fim de que as populações da Terra deixem ruir de suas mentes e corações a pior de todas as bastilhas: a ignorância acerca da realidade gritante da vida após o fenômeno da morte. Fator decisivo para que a valorização do ser integral (corpo e Espírito) dite as regras dos governos das nações no terceiro milênio: Quando garoto, devia ter 9 para 10 anos, assisti com meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), no Rio de Janeiro, a um filme sobre o 14 de julho.

Nos séculos 17 e 18, o absolutismo monárquico atingira intensa projeção. Como geralmente acontece nas relações cotidianas, se afastadas do respeito ao Espírito Eterno do ser humano, houve por parte da monarquia francesa um descaso tremendo com as necessidades básicas do seu povo, cuja expressão mais grotesca seria a frase que teria sido proferida pela rainha Maria Antonieta (1755-1793), ao ser informada por um dos cortesões de que o barulho que a importunava vinha das massas famintas clamando por pão: “Por que não comem brioche?”

Tal contingência desumana tinha de desmoronar por força do curso inexorável da História. A população de Paris, em 14 de julho de 1789, desesperada, marchou contra a prisão, símbolo da tirania de que desejava livrar-se.

Abrir caminhos
No filme de que lhes falei há uma cena impressionante. Ela representa as pessoas que não temem abrir caminhos: o povo estava de um lado e aqueles que protegiam a Bastilha, do outro. Entretanto, os que ameaçavam invadi-la, com temor, não avançavam. De repente, um homem destacou-se do meio daquela multidão e atravessou a ponte que cobria o fosso, sendo abatido por uma descarga de tiros. Esse ato de coragem fez com que os demais o imitassem e, assim, conseguissem entrar na fortaleza. Parece perspectiva romântica de um momento trágico, porém retrata de modo irretocável uma verdade: há sempre alguém que se sacrifica pela mudança substancial do status quo. Não é preciso levar bala para que as transformações ocorram. Há outros choques que ferem mais os vanguardeiros, a exemplo da incompreensão, da inveja, do preconceito, da perseguição e do boicote.

Na sequência do longa-metragem, observamos a tomada da prisão, destruída de cima a baixo.

Existem aqueles que, tentando minimizar o fato histórico, apresentam uma argumentação frugal de que o famoso cárcere não mais tinha relevância naquele período, pois apenas uns poucos presos lá se encontravam.

Ora, o que o povo demoliu não só foi a construção de pedra; no entanto, o mais expressivo emblema, para ele, do absolutismo dinástico!

E a palavra dinastia pode, por extensão, significar muita coisa, uma vez que funciona tanto no feudalismo quanto na burguesia, no capitalismo e no próprio comunismo. Dinastia não implica somente a sucessão por sangue. Existe uma pior: a da ambição desmedida que arrasa o ser vivente, sob qualquer regime.

Uma nova civilização
Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.

Façamos florescer uma civilização nova a partir da postura espiritual e mental elevada de cada criatura. Já dizia o filósofo: “A fronteira mais difícil a ser transposta é a do cérebro humano”. O homem foi à Lua, mas ainda não conhece a si mesmo.

O Templo da Boa Vontade — aclamado pelo povo como uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF, Brasil, e que, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado do Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal (Setul-DF), é o monumento mais visitado da capital do país — convida as criaturas a essa epopeia de empreender uma viagem ao seu próprio interior. Feito isso, sair até mesmo da Via Láctea será facílimo: desde que descubramos o âmago celeste de nosso ser, pois, na verdade, para o Espírito, o espaço não existe.

Assegurou Jesus: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

03jul/18

A condução do pensamento: asas ou algemas?

Paiva Netto

A tradição popular ensina que “pensamento é força”. Logo, caros amigos que me leem com atenção: mentalizemos a todo instante o melhor possível, isto é, o Bem para os outros e para nós. As benéficas consequências, se tivermos sempre bom ânimo, serão patentes, na medida em que nos sentiremos fortalecidos pela Divina Autoridade de Jesus, que jamais esmoreceu diante das provações e nos inspira a vencê-las com Ele.

Em Nos Domínios da Mediunidade, o Espírito André Luiz, por intermédio do sensitivo Chico Xavier (1910-2002), registra valioso esclarecimento de um mentor espiritual a respeito da importância de educarmos nossa mente em conformidade com a senda correta do Amor de Deus:

“Vigiemos o pensamento, purificando-o no trabalho incessante do bem, para que arrojemos de nós a grilheta capaz de acorrentar-nos a obscuros processos de vida inferior.

“É da forja viva da ideia que saem as asas dos anjos e as algemas dos condenados. (…)

“Meus amigos, crede!…

“O pensamento puro e operante é a força que nos arroja do ódio ao amor, da dor à alegria, da Terra ao Céu…

“Procuremos a consciência de Jesus para que a nossa consciência Lhe retrate a perfeição e a beleza!…

“Saibamos refletir-Lhe a glória e o amor, a fim de que a luz celeste se espelhe sobre as almas, como o esplendor solar se estende sobre o mundo”. (Os destaques são meus.)

Que assim seja! Por isso, na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, cultivamos a Sintonia Tríplice com Jesus: a do Bom Pensamento, da Boa Palavra e da Boa Ação.

O piloto e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) avisou a quem o quisesse escutar: “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Essas palavras do autor de O Pequeno Príncipe são um sério alertamento aos sedutores irresponsáveis.

Diante disso, só um louco fará a sementeira do mal, de que desesperadamente se arrependerá depois.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

29jun/18

Sobrepujar a dor

Paiva Netto

A sabedoria antiga revela que as criaturas humanas podem expressar sua melhor capacidade justamente pela atitude que têm diante da Dor.

Especialistas do comportamento humano concordam que, em situações adversas, quando o sofrimento nos surpreende de maneira tão cruel, a superação requer postura de coragem. Deixar de lado sentimentos de angústia e revolta é igualmente indispensável.

Aos que acreditam em um poder superior, na Eternidade, de forma geral, a provação é mais prontamente aceita, enfrentada e vencida. Contudo, mesmo os céticos podem encontrar energia construtiva para dar novo sentido às suas existências. Temos, por exemplo, a Caridade, o auxílio ao próximo, como emblemática ferramenta de reconstrução de nossa própria felicidade.

Não temer os desafios
A crise é o teste da inteligência. A luta instiga o nosso valor. Por que temer os desafios? É a maneira escolhida por Deus para premiar a nossa capacidade. E qualquer vitória no campo espiritual e físico exige sacrifício.

Vitória ao alcance
Ninguém pode sentir-se derrotado antes mesmo de tentar o sucesso. Refletindo a respeito do estado de espírito que devemos manter, de forma que tornemos realidade as boas metas que estabelecermos para a nossa existência, concluí: todas as vitórias estão decididamente ao nosso alcance pela força do nosso próprio e valoroso trabalho. Portanto, de nossa criatividade diligentemente bem aplicada. Administrar é chegar antes!

O negativismo atrasa o progresso
É indiscutível que a conduta psicológica negativa de lideranças e liderados não contribui em nada para o crescimento social das populações. Estou com o escritor, professor e pastor metodista norte-americano William Arthur Ward (1921-1994) quando diz: “O pessimista queixa-se do vento; o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas”.

Assim sendo, não percamos tempo! Ajustemos as nossas velas e sobrepujemos os vendavais, a fim de concretizar o Bom Ideal que cultivamos. Isso não tem nada a ver com o famigerado “os fins justificam os meios”, atribuído a Maquiavel (1469-1527), autor de O Príncipe. Mas é triste ver alguns pensadores de grande valor, antigos demolidores de preconceitos e tabus, depois de tanta luta, declarar-se desiludidos de tudo. Ora, quando eu era menino, ouvia, na voz dos mais antigos, este conforto de Teócrito (aprox. 320-250 a.C): “Enquanto há vida, há esperança”.

Certa vez, o saudoso Dom Hélder Câmara (1909-1999), arcebispo emérito de Olinda/PE, Brasil, com a sua inata certeza de eras mais felizes para os povos, manifestou-se desta forma: “Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

18jun/18

Clima de deserto

Paiva Netto

O clima seco a cada ano preocupa mais a população de várias regiões do Brasil, agravado, principalmente, pelas secas e queimadas. A baixa umidade relativa do ar gera, além de problemas de saúde, transtornos na vida de milhões de brasileiros.

Por isso, torna-se imprescindível hidratar o organismo adequadamente com líquidos (água, água de coco e sucos), manter a residência ou local de trabalho livres da poeira, evitar a prática esportiva em horários em que o sol esteja mais forte e usar soro fisiológico em narinas e olhos. Ainda é aconselhável colocar nos ambientes vasilhas com água, toalhas molhadas ou umidificadores. Toda a atenção é pouca com crianças e idosos, grupos de maior risco.

Síndrome do olho seco
Entre os principais prejuízos ao corpo, o clima seco provoca dor de cabeça, sangramento das vias respiratórias, maior incidência de asma e bronquite, além da síndrome do olho seco.

Numa entrevista ao programa Vida Plena, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), o dr. Alessander Tsuneto, oftalmologista, integrante da Associação dos Portadores de Olho Seco (Apos), esclareceu que essa síndrome atinge de 10% a 15% dos indivíduos acima dos 50 anos. É a segunda maior causa de atendimento nos consultórios, e muitos desconhecem essa enfermidade. Alguns fatores, como cirurgia prévia, uso de lentes de contato sem avaliação oftalmológica, diabetes, doenças reumáticas e queimaduras, podem causar a secura ocular.

O médico também comentou que a baixa umidade relativa do ar pode desencadear precocemente a doença. “Os níveis saudáveis, segundo a Organização Mundial da Saúde, são em torno de 60%. Li uma reportagem na internet falando que a umidade relativa do ar em São Paulo está abaixo dos 20%. Só como curiosidade, no deserto do Saara é de 10% a 15%. Isso faz com que aumente a evaporação das lágrimas e agrave o olho seco, ou quem não tem o problema corre o risco de possuí-lo.”

Brasília já conhece bem esses baixos índices.

Para o dr. Alessander, o exame preventivo da síndrome do olho seco pode evitar graves doenças oculares, inclusive a cegueira. “Tudo depende do grau de severidade. Se o paciente tiver uma queixa leve, só um desconforto ou uma irritação ocular, a gente pode tratá-lo somente com colírio ou pomada. Mas, se apresentar alguma gravidade, pode ser até caso de cirurgia.”

Deficientes visuais
Durante o bate-papo, o telespectador Lucas Fernando Gouveia, de Porto Alegre/RS, perguntou ao dr. Alessander se pessoas com deficiência visual padecem com o problema. De acordo com o oftalmologista, “mesmo uma pessoa que não enxerga, mas possui as estruturas oculares e as glândulas que produzem a lágrima, pode ter alteração da qualidade da lágrima e ter olho seco”.

Dicas e cuidados
Ao fim da entrevista, passou importantes dicas para que se saiba se os olhos estão ressecados. “O paciente vai sentir algum grau de desconforto, o olho vermelho, uma irritação ocular. Vai ser difícil piscar, porque, não tendo uma lágrima boa e suficiente na pálpebra, ela não vai deslizar sobre o olho. Então, ela dá uma travadinha.” Também alertou para o fato de que quem fica exposto ao ambiente com ar-condicionado e os que exercem atividades no computador têm maior probabilidade de adquirir a doença, já que o local fica mais seco por causa da falta de umidade, e a fixação por demasia na tela do computador desestimula a pessoa a piscar.

Outra questão de relevância é o perigo da automedicação. “Só o oftalmologista vai saber se o paciente tem o olho seco, que grau e qual colírio deve usar”, evidenciou. Mais informações sobre o tema podem ser obtidas no site www.apos.org.br.

Cabe a todos nós, além de informar a população dos riscos que corre com a baixa umidade atmosférica, iluminar as mentes a respeito das graves consequências da seca e queimadas provocadas pela ganância humana.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

11jun/18

Doe sangue

Paiva Netto

Ao doar sangue, você se torna a diferença entre a vida e a morte para aquele que necessita de transfusão. Um pedido recorrente do Ministério da Saúde é “que as pessoas sejam doadoras também durante o período das férias, para que o estoque dos bancos de sangue nos hemocentros esteja assegurado”.

Atendamos a essa convocação. Saiba antes se você possui as condições físicas ideais para ser um doador. Seu gesto de Caridade pode salvar muitas vidas. Procure um hemocentro perto de sua casa.

Deus tem muitos sinônimos
Tudo que do Amor Divino nasce é verdadeiramente sublime. De certo, firmado nessa realidade, o dramaturgo e poeta francês Victor Hugo (1802-1885) ensinava que “o Espírito se enriquece com aquilo que recebe, e o coração, com o que dá”. Ora, sem o Amor, que é Deus, o ser humano vive desgovernado, longe da Verdade, que é a Palavra Dele. (Evangelho de Jesus, segundo João, 17:17: “Pai, Tua Palavra é a Verdade”.)

Se você não crê na existência do Pai Celestial, não se sinta excluído pela minha afirmativa. Pense então em bom senso, porque quem não o exercita também vive em desgoverno.

Deus tem muitos sinônimos, tais como Amor, Fraternidade, Solidariedade, Compaixão, Clemência, Generosidade, Misericórdia, Altruísmo, Justiça e tudo o mais que valoriza a criatura humana, conduzindo-a à Paz consigo mesma, extensivamente aos outros.

A Face Divina
Por consequência, o Criador não apoia manifestações de ódio em Seu Santo Nome. Muito apreciável, portanto, esta admoestação de Martinho Lutero (1483-1546): “Não desejo que as pessoas lutem em favor do Evangelho pela força e pelo morticínio. O mundo tem de ser conquistado com a palavra de Deus”.

A que Deus se refere o Reformador? Certamente que não ao antropomórfico, criado à imagem e semelhança do homem, mas a respeito Daquele, definido por João Evangelista, na sua Primeira Epístola, 4:16: “E nós conhecemos e cremos no Amor que Deus tem por nós. Deus é Amor. E aquele que permanece no Amor permanece em Deus, e Deus, nele”.

E tamanha é a compreensão que Lutero tinha de Deus que o versículo de sua preferência na Bíblia fala por si mesmo, a quem tem “olhos de ver e ouvidos de ouvir”: “De tal maneira amou Deus ao mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigênito, de forma que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a Vida Eterna”. (Evangelho do Cristo, segundo João, 3:16.)

O velho pregador germânico sabia que não há outro caminho, senão o do Amor, sinônimo de Caridade.

Outro sábio da História, Dante Alighieri (1265-1321), em A Divina Comédia, escreveu: “O Amor é a força que move o Sol e outras estrelas”.

Por isso, viver afastado Dele é sofrer a orfandade da Alma. O Deus Divino não tem bigode nem barba. A Sua Face é o Amor.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

21maio/18

Dependência virtual

Paiva Netto

Se existe algo que podemos denominar revolução dinâmica – a que não somente inaugura uma nova etapa no desenvolvimento da sociedade, mas também se renova permanentemente – é a tecnologia. O que é lançado hoje no mercado como de última geração logo se torna ultrapassado.

Constantes avanços cibernéticos vêm desencadeando melhorias em vários campos de atuação humana. A internet é um dos pilares desse sistema sem fim, e cada vez mais pessoas têm acesso ao mundo virtual.

Universo sedutor
A busca pelo saber, pelo entretenimento (games, bate-papo e redes sociais), comodidades como realizar movimentações financeiras no conforto de sua casa, escritório ou lan house, em apenas um clique, são alguns dos benefícios que a rede mundial de computadores propicia. Assistimos pelo mundo que recursos da internet são usados até mesmo na aceleração de mudanças governamentais. Contudo, a utilização desses meios desacompanhada do bom senso imensos prejuízos pode provocar. Um deles é o que os especialistas chamam de ciberviciado. Trata-se de internautas com compulsão ou dependência da internet. Estudiosos a consideram uma das mais graves doenças psíquicas da atualidade. O internauta compulsivo fica ainda propenso a desenvolver doenças, como trombose venal profunda, ansiedade, depressão e obesidade. Sem contar os funestos resultados dos que não conseguem se livrar da teia virtual no campo afetivo, familiar e profissional.

São perigos a que todos estão expostos, em particular os adolescentes. Os jovens se encontram numa fase de descoberta da própria identidade. Muitos procuram nas redes sociais sua “turma” e, ao ultrapassar o limite da autoafirmação, se deparam com a dependência digital, resumindo sua vida ao sedutor universo virtual.

Tratamento
Na maioria dos casos, a cura se resume, de acordo com especialistas, no afastamento do ciberviciado do contato com o computador, criando novos e prazerosos hábitos. Para muitos psicólogos, porém, não basta proibir, já que, de acordo com o grau de dependência, ele pode trocá-la pelas drogas. Situações assim requerem um psicoterapeuta, profissional habilitado que ajudará o paciente a encontrar as razões que o levaram ao vício e buscar alternativas na solução do problema.

No Brasil, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é uma das instituições que desenvolvem tratamento para essa doença. Outras informações podem ser obtidas pelo site www.dependenciadeinternet.com.br.

Não desprezemos também os recursos da prece. A oração sincera de quem deseja curar-se ou daquele que quer ajudar a quem precisa pode produzir verdadeiros milagres. Jesus, no Seu Evangelho, segundo Mateus, 7:7 a 11, nos ratifica essa esperança: “Pedi, e Deus vos dará. Deus não é indiferente nem à morte de um passarinho. Se teu filho te pede um pão, tu lhe dás uma pedra? Se teu filho te pede um peixe, tu lhe dás uma serpente? Ora, se tu, que és mau, sabes dar boas coisas a teu filho, que é que não dará o Pai que está no Céu?”

O progresso é o que todos almejamos, mas o usemos realmente a favor da Humanidade.

Saúde da Alma
Minha saudação ao economista Paulo Azor, a quem agradeço página a mim endereçada. Nela são destacadas especialidades médicas de Jesus nos inúmeros milagres que realizou, conforme o relato dos Evangelistas na Boa Nova do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista. O texto é atribuído a um discurso dos formandos de Medicina da PUC-PR/2010. Eis um trecho: “O tratamento que Ele [Jesus] oferece é mais do que a cura de uma doença física, é uma vida de paz e alegria aqui na Terra e mais uma eternidade inteira ao seu lado no Céu”.

Jesus personifica a Divina Caridade à disposição de todos. Aquele que dela usufrui, em primeiro lugar, conquista a saúde da Alma.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

11maio/18

Adoção rima com coração

Paiva Netto

Em maio, o Dia das Mães (sempre no segundo domingo do mês) e o Dia Nacional da Adoção (25 de maio) guardam especial afinidade. O sagrado dom da maternidade, também expresso no belo gesto da adoção, deve compartilhar amor e afeto igualmente de forma inclusiva.

Esse importante tema foi discutido na Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), no programa Sociedade Solidária. Na ocasião, o sociólogo e apresentador Daniel Guimarães entrevistou Mônica Natale de Camargo, gerente executiva do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo (Gaasp).

Mudança de cultura
Estimativas apontam que, para cada criança na fila de adoção, há seis casais ou indivíduos pretendentes. Mônica Natale esclarece: “Ainda temos aquela cultura do perfil. O que a maioria dos pretendentes deseja? Eles geralmente querem aquelas crianças menores, bebês, brancos ou da mesma etnia. E as crianças que estão disponíveis geralmente são de grupos de irmãos e com idade avançada, e algumas com necessidades especiais. Então, o que tem de se fazer? Mudar essa cultura em torno da adoção no Brasil. O pretendente tem que entender qual é a realidade do país, e começar a olhar com carinho para as crianças, mudar aquela concepção do filho idealizado para o filho possível”.

Longe de nós o preconceito
O alto sentido de humanidade precisa habitar o coração das criaturas, não deixando espaço para preconceitos. A gerente do Gaasp aponta para o que pode ser feito: “Primeiro, uma divulgação maior do que é a adoção, entender o que significa adotar, o que significa um filho na sua vida. Isso é importante! A cultura da adoção tem que ser mudada, sim, com programas de TV como este onde se discute, onde se fala dessas necessidades”.

O assunto realmente merece um olhar mais atento da parte de todos, seja das políticas públicas ou da sociedade. É direito básico de toda criança ter uma família que a proteja, ame e respeite.

Quem quiser se informar melhor, acesse o site do Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo: www.gaasp.org.br. Procure também conhecer a legislação brasileira sobre o tema.

Tirem o vidro!
No dia 27 de maio, completam-se 32 anos de dois grandes eventos da Legião da Boa Vontade na capital federal. Na ocasião, além de inaugurar o primeiro anexo (sede administrativa) do Conjunto Ecumênico, comandei a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental do Templo da Boa Vontade.

Momentos antes do início do cerimonial, um fato curioso proporcionou a todos importante lição. Eu me encontrava no segundo andar do prédio administrativo da LBV com os meus filhos e, ao olhar para o pátio, que estava superlotado, vi que o palco era baixo demais. E decidi: Sabem de uma coisa? Vou falar aqui de cima da marquise de entrada. E perguntei: Essa marquise aguenta o peso da gente? Ao que me responderam que sim, ao mesmo tempo em que me perguntavam: “Mas como é que o senhor vai passar para lá? Tem um vidro na frente!” Ora, se o vidro atrapalha, tirem o vidro!, disse-lhes. O vidro foi retirado e pude, então, fazer o discurso lá de cima mesmo.

Naquele momento, destaquei, lembrando-me de Moisés e de Alziro Zarur (1914-1979), que o Templo da Paz surgia para que houvesse a interiorização de bons e elevados valores. Porque não se pode exteriorizar coisa alguma de útil se a criatura não tem nada para oferecer. É a questão do conteúdo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

04maio/18

Oração, trabalho e Paz

Paiva Netto
Meu filho mais novo, hoje um adolescente, desde pequenino, ao proferir com nossos familiares e amigos uma breve oração à mesa antes das refeições, sensibiliza a todos com um simples mantra, que poderia resumir grandes compêndios de sabedoria, aquela que compartilha Solidariedade sem fronteiras de qualquer espécie. Exclama o jovenzinho: “Deus, peço-Te que não falte a comida no prato de ninguém nem no nosso!”

Nos desafiantes momentos por que passa o planeta, considero de muita valia invocar aos Poderes Celestiais análoga súplica: Que não falte o decente meio de ganhar o próprio sustento a nenhuma batalhadora mulher, a nenhum dedicado trabalhador nem aos nossos familiares! Amém!

Façamos juntos essa rogativa, mas na atuante esperança de que esse “assim seja” encontre, nos planos de governos do mundo, acertadas providências que atendam às urgentes necessidades das populações.

Seres humanos bem empregados e devidamente valorizados em seus esforços são garantia de Paz e de sustentável progresso para todos. Jesus, o Administrador Celeste de seres espirituais e humanos, foi pragmático ao afirmar em Seu Evangelho, segundo Lucas, 10:7: “Digno é o trabalhador do seu salário”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

27abr/18

Alerta à população

Paiva Netto

O Ministério da Saúde declara 26 de abril Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, campanha em que alerta a sociedade para o aumento dos casos de pressão arterial alta.

De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, de 2012 para 2016, o número de brasileiros com o problema subiu de 24,3% para 25,7%. O levantamento aponta que a doença atinge todas as idades, principalmente os idosos. Foram abordados 53 mil adultos. Entre as pessoas com 65 anos ou mais, a porcentagem chegou a 64,2%, contra 59,2% em 2012. De acordo com o estudo, a proporção de hipertensos é maior entre mulheres (27,5%) do que entre homens (23,6%).

A Sociedade Brasileira de Hipertensão, em parceria com o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, esclarece que 50% das pessoas desconhecem o seu estado de pressão alta, e dos que sabem, apenas 25% buscam realmente um tratamento. Este assunto deve, nos dias atuais, também ser tratado com os jovens. De acordo com o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), que analisou dados de 73 mil estudantes de 12 a 17 anos, de escolas públicas e privadas de 124 municípios de todo o país, um em cada dez adolescentes apresenta hipertensão arterial. A pesquisa, conduzida entre 2013 e 2014 por diversas universidades brasileiras e financiada pelo Ministério da Saúde, mostra que essa alteração somado ao excesso de peso (sobrepeso ou obesidade) e taxas acima do recomendável de colesterol total ampliam o risco de morte por infarto e favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes.

Fica, portanto, o aviso aos jovens e adultos: cuidar da saúde, com a prática de exercícios físicos e uma alimentação balanceada com pouco ou nenhum sal, é o caminho para diminuir os malefícios que o desequilíbrio da pressão arterial provoca em nosso organismo, particularmente nos rins, cérebro e coração.

O assunto merece atenção e cuidados urgentes, tanto no campo fisiológico como no espiritual, até porque Alma saudável é medicina preventiva para o corpo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

24abr/18

Protótipo de um mundo melhor

Paiva Netto

Ao assistirmos às cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos, enquanto desfilam, diante dos nossos olhos, centenas de nações representadas por seus mais destacados atletas, somos levados a refletir sobre a magia benéfica das Olimpíadas. O esporte é capaz de congregar, nem que apenas durante a sua realização, as mais díspares culturas, etnias, regimes e economias do planeta, pois isso é do seu espírito original. O idioma utilizado para comunicar-se é o da saudável competitividade. A barreira a ser vencida é o limite do corpo, dos milésimos de segundo ou dos centímetros das marcas recordes.

É evidente que o doping deve ser decididamente combatido.

A Vila Olímpica, apesar das naturais falhas humanas, não deixa de ser protótipo de um mundo melhor. Dizer o contrário seria negar os benefícios que as práticas desportivas trazem. Os desencontros que sempre ocorrem onde atuam os homens existem para ser corrigidos, ora! Lá se respira a diferença. Compartilham-se os sonhos dos jovens de países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos. Trata-se de imagem emblemática da globalização do Amor Fraterno que há décadas defendemos e cuja tese mandamos à Organização das Nações Unidas (ONU), numa publicação especial, por ela divulgada nos seus seis idiomas oficiais: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

Esse cenário que convida à Paz reporta-nos ao Templo da Boa Vontade, uma das Sete Maravilhas de Brasília/DF, que diariamente vivencia as Olimpíadas do Espírito.

Um pouco de História
Em 1896, o Rei Jorge I (1660-1727), da Grécia, abria em Atenas a moderna fase das Olimpíadas. O imperador romano Teodósio I (347-395) encerrara, em 393 da chamada Era Cristã, o primeiro período dos famosos jogos que imortalizaram Olímpia, cidade situada na parte ocidental da península do Peloponeso. Considerou-os pagãos. Pelo espaço de 1.500 anos a ideia ficou adormecida, até que o Barão Pierre de Coubertin (1863-1937), em 1892, para uma nova época nos esportes, iniciou as providências que, em 1894, levaram ao “Congresso pelo restabelecimento dos Jogos Olímpicos”, o que se deu em 1896 na milenar capital helênica. Milhares de pessoas viram a competição entre treze países em nove modalidades: atletismo, natação, ciclismo, luta, halterofilismo, tênis, ginástica, esgrima e tiro. Participaram 285 atletas. No princípio quase ninguém acreditava na retomada dos jogos. Em Paris, 1900, houve a primeira participação das mulheres: seis concorreram nas provas de tênis. O Brasil ingressou nas competições somente em 1920, em Antuérpia, Bélgica. De lá trouxe a sua primeira medalha de ouro: Guilherme Paraense (1884-1968), pistola automática, na prova de tiro.

Conta a mitologia grega que da luta entre Zeus e Cronos pela posse da Terra nasceram os Jogos Olímpicos, que ao longo de toda a Antiguidade observaram caráter religioso. Em 776 AD, fixaram-se em Olímpia que, também de quatro em quatro anos, promovia uma “reunião de Paz, Fraternidade, cooperação e amizade entre os povos”. Sob a mesma invocação, De Coubertin resgatou aquelas empolgantes disputas para os nossos dias. É dele esta consideração que se tornou conceito máximo das Olimpíadas: “O importante não é vencer, mas competir”.

Boas lembranças
Sempre amei os esportes. Meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), gostava de nadar, remar e fazer musculação. Era um touro.

Recordo-me de que, quando menino, jogava descalço, com meus colegas de infância, futebol no chão de cimento (vejam só!) da vila em que, por um bom tempo, morei. Só de pensar, sinto calafrios na espinha (risos). Os blocos eram separados entre si com frestas suficientes para quebrar os dedos de qualquer um, à menor topada, o que nunca aconteceu. Graças a Deus! E depois há os que não acreditam em milagres (risos). (…) Nadei com meu pai e com o meu primo Orlando, em Paquetá, na Pedra de Guaratiba, Urca, Copacabana, no Rio de Janeiro. Com outros jovens, armava arraiais para a festa de São João, num terreno baldio. Também, andei de bicicleta à beça. Contudo, mais do que isso, apreciava ler e preencher palavras cruzadas. Esta era a minha paixão maior: a leitura, costume desenvolvido pelo forte incentivo do seu Bruno.

Estamos aqui torcendo pelo sucesso de nossos atletas. A eles, dedico este meu pensamento: Todas as vitórias estão decididamente ao nosso alcance pela força do nosso próprio e valoroso trabalho.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

16abr/18

Ore, Terra amada!

Paiva Netto

Abril é um mês de importantes celebrações para o país e para o planeta: 19, Dia do Índio; 21, Tiradentes e Inauguração de Brasília; e 22, além de ser o Dia da Terra, marca o “achamento” do Brasil, em 1500, por Pedro Álvares Cabral (1467-1520).

Considero oportuno, inspirado pela operosa Fé em prol do bem desta nação, sempre buscar renovadas energias no Pai Celeste. A prece – seja ela a devoção de um crente ou o ato do pensador, ao refletir sobre os mais elevados ideais – é uma ferramenta que deveríamos melhor utilizar. Assim encontramos, a partir do interior de nós mesmos, recursos indispensáveis para a solução dos mais complexos problemas que possam surgir.

Ao meditar sobre como colaborar para o legítimo auxílio a todas as famílias e comunidades, igualmente conquistamos a compreensão de que o Amor Fraterno é essencial à vida. Quando há verdadeiro Amor e íntegra Justiça, tudo dá certo. Um exemplo? Se, movidos pelo espírito de Caridade, levarmos um remédio a um enfermo, esse medicamento trará melhor resultado a quem está sendo socorrido. O Bem é o encanto da existência espiritual e humana. E Deus quer o nosso benefício, não segundo a estultícia terrena; entretanto, de acordo com a Sua Sabedoria Excelsa. Por isso, pregamos o imperativo urgente da União das Duas Humanidades, preconizada por Alziro Zarur (1914-1979) e que aqui defendemos: a da Terra com a do Céu, de forma consciente. (…)

Nunca estamos abandonados. Anjos da Guarda continuamente permanecem ao nosso lado. É o galardão com que o Governo Espiritual Invisível felicita os seres terrenos, porquanto concretiza a profecia apocalíptica da junção das dimensões que, apesar de separadas em aparência, estarão claramente unidas com o baixar ao orbe terrestre da Jerusalém Celestial (Apocalipse, 21:2).

Quem não precisa de preces? Que país não necessita urgentemente de orações? Então, vamos falar com Deus.

Ó Jesus, Mestre Amado, nosso Senhor, nossa Rocha, nossa Força, nosso Escudo, nossa Salvação, Tu trazes a fórmula perfeita para premiar as Almas com a felicidade perpétua, nascida da Fé Realizante, geradora das Boas Obras, as quais Tu apregoas por meio do Teu Mandamento Novo, de Amor Divinal (Evangelho, consoante João, 13:34 e 35; 15:7, 8, 10 a 17 e 9).

E, no Livro das Profecias Finais, encontramos a confirmação encorajadora da Tua Volta Triunfante, que a muitos surpreenderá, como Tu mesmo advertiste, no Evangelho, segundo Lucas, 17:24: “Assim como o relâmpago, num repente, fulgura de uma à outra extremidade do Céu, da mesma forma será a volta do Filho de Deus”.

Isso ocorrerá, conforme as advertências que, pelos milênios, mandaste ao mundo: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém! Ora vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse, 22:20).

Ó Senhor, clareia o nosso Espírito, fortalece o nosso íntimo, conforta o nosso coração, para que persistamos até aquele dia esplendoroso do Teu Magnífico Retorno.

E agora, Celeste Provedor das nossas mais justas súplicas, Tu, que és o Amor que nunca morre, acolhe o pedido que neste instante vamos fazer-Te. O meu é este: protege o Brasil e o mundo! Atende-o, Mestre dos mestres, na exata razão do nosso merecimento, porque Tu mesmo ensinaste que cada um é merecedor do prêmio ou da reprimenda mediante as próprias realizações.

Graças, Senhor! Dá-nos a Divina Paz, que prometeste àqueles que vivem o Teu Novo Mandamento: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie, porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo!” (Evangelho, segundo João, 14:27 e 1, e Mateus, 28:20).

“Glória a Deus nas Alturas, Paz na Terra aos Homens [às Mulheres, aos Jovens, às Crianças e às Almas Benditas, os Espíritos Luminosos] da Boa Vontade de Deus!” (Evangelho, segundo Lucas, 2:14).

Quem confia em Jesus não perde o seu tempo, porque Ele é o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho. (…)

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

09abr/18

A Política mais inteligente

Paiva Netto
No livro É Urgente Reeducar! (2010), escrevi:

O Ecumenismo da Fraternidade será a razão de ser das criaturas humanas no transcurso do terceiro milênio. É uma questão de progresso (e de sobrevivência), no qual, de certa forma, acreditou boa parte de gerações e gerações que nos antecederam. Se assim não cressem e não agissem, onde estaríamos hoje? Talvez na era da pedra lascada!…

O Amor não é degradação de corpos nem de mentes, e sim a Força de Deus, da Sabedoria Suprema em nós, ou lá como pensem os Irmãos ateus acerca dos assuntos mais elevados. Amar é um ato de coragem. Foi o exemplo que nos ofereceu Jesus. É a Política mais inteligente que um indivíduo pode conceber. Ela contempla ainda o correto entendimento do axioma de Confúcio (551-479 a.C.): “Paga-se a Bondade com a Bondade, e o mal com a Justiça”, ou seja, é imperioso ter bom senso.

Conforme ressaltei ao meu velho amigo jornalista Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016), em 1981, instruir com acerto é boa Política, porque educar e espiritualizar redime as criaturas, as nações, a Natureza, o planeta. Não podemos progredir destruindo o mundo, a nossa casa coletiva, por efeito de ignorância não apenas intelectual, como também, e principalmente, moral e espiritual.

Trata-se de Política excelente, a providência de educar, reeducar, instruir, espiritualizar no caminho da Paz, resultante da confraternidade das numerosas culturas que compõem a civilização que, em si mesma, é una, planetária. (E não esqueçamos jamais que a nossa existência não é unicamente física, porquanto começa no Alto, antes de sermos carne.) Do contrário, o que poderá vir a abater-se sobre a Terra será o doloroso inverso do Amor, a exemplo desse ecocídio que provocamos por aí. Pois, na verdade, já que fazemos indissociável parte do esquema planetário de sobrevivência, estamos então cuidando, com contumácia, de nossa automatança coletiva.

Talvez, ao descrever “A Grande Tribulação” (Evangelho, segundo Mateus, 24:3 a 28; Marcos, 13:3 a 23; e Lucas, 21:7 a 24), Jesus esteja narrando a consequência desse esforço humano colérico. Diante disso, é flagrantemente necessário espiritualizar, dentro do Ecumenismo dos Corações, as pessoas. Somente assim, e com perseverança, os diversos segmentos da sociedade passarão a viver em harmonia, demore o tempo que for preciso até que isso venha a ocorrer. Cabe aqui, perfeitamente, este raciocínio profundo de Abraão Lincoln (1809-1865), que se encontrava exposto no gabinete de Alziro Zarur (1914-1979), na antiga Rádio Mundial, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil, naquele tempo, de 1956 a 1966, a Emissora da Boa Vontade: “O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante que jamais poderá ser alcançado”.

Costumo afirmar em minhas palestras que, se é difícil, comecemos já, ontem!, porque resta muito a ser feito.

E quando digo seres espiritualizados, quero reiterar: revestidos do Amor Fraterno, que a Humanidade precisa viver, também politicamente, com urgência. Como escreveu José Bonifácio (1763-1838), o patriarca da Independência brasileira: “A sã Política é filha da Moral e da Razão”.

Assim é a ação religiosa e política do Ecumenismo dos Corações, aquele que levanta o caído; que não se precipita ante as ilusões das contendas filosóficas, quando estas ocorrem apenas pelo prazer de discutir assuntos, sem levar em conta o que padece à beira do caminho. Ele não se influencia pelas lucubrações do intelecto quando arrogante. Pelo contrário. Ilumina-o incansavelmente toda vez que é convocado a manifestar sua qualidade excelsa. Desconhece os ódios, isto é, não os vive nem os dissemina. É Amor Fraterno, que promove a Estratégia da Sobrevivência, que espiritualiza a Economia e a disciplina. (…) É o Ecumenismo Irrestrito.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

03abr/18

Autismo e desafios da inclusão

Paiva Netto

Para ampliar a conscientização de todos, alguns temas devem estar sempre em pauta. Um deles é o autismo, que atinge mais de dois milhões de brasileiros e representa 70 milhões de pessoas no mundo, cerca de 1% da população mundial, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

O diagnóstico precoce pode fazer enorme diferença no desenvolvimento do indivíduo. Este, ainda que seja portador de limitação física ou psíquica, possui a extraordinária capacidade para se adaptar e alcançar importantes objetivos de vida. O mundo está repleto de exemplos. O que falta às vezes é o devido investimento no Capital de Deus, ou seja, na própria criatura humana.

Sintomas e cuidados
Alguns autistas apresentam determinadas habilidades que superam as da média da população. “Eles têm bastante facilidade para números, decorar, resolver expressões matemáticas e para várias questões diferenciadas da vida. Mas não conseguem dar funcionalidade a isso”, explica a assistente social Simone Bruschi.

Um ponto que prejudica o acompanhamento especializado do autista é, num primeiro momento, a negação do problema, situação frequente no seio familiar. Simone, integrante da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads), em entrevista ao programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), comenta: “Quando falamos do autismo, abordamos algo que não se pode identificar por exame de sangue, eletroencefalograma, tomografia. E o diagnóstico é muito difícil de ser aceito pela família. Existe a avaliação clínica — que é muito rica —, porém, os familiares sempre questionam: ‘Ah, não. Acho que pode ser algo diferente’”.

Nesses casos, de acordo com Simone, devem-se buscar outros profissionais, inclusive para que também eles se envolvam na vida dessa família, dessa criança ou desse adolescente.

É fundamental procurar um especialista ao perceber na criança qualquer indício constante de preferir ficar sozinha, de apatia diante dos brinquedos, de não reclamar por ser deixada no berço, em vez do colo dos pais. “Existem famílias que só começam a levar para o tratamento na idade escolar, quando o professor sinaliza: ‘Olha, o seu filho precisa de auxílio’. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento.”

Simone ressalta que “algumas pessoas com autismo podem apresentar uma deficiência intelectual, mas não é necessariamente uma regra”.

E aí entra um desafio, o de inserir no mercado de trabalho portadores de deficiência intelectual. “É mais fácil — não sei se posso usar essa expressão — contratar um jovem com deficiência física, por conta das acessibilidades existentes, do que alguém com deficiência intelectual, para o que não temos ainda a tecnologia assistiva. Por isso, é um desafio para o consultor de emprego apoiado. Ele tem de ir à empresa e provar que a pessoa com transtorno é capaz. É necessário um trabalho de sensibilização tanto com os empregados e colaboradores quanto com os empregadores e a família”.

É preciso ampliar as condições para a inclusão social dos portadores de qualquer deficiência, seja física, seja intelectual.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

27mar/18

Morte e Ressurreição

Paiva Netto

Pelos milênios, a celebração da Semana Santa demonstra-nos o inigualável suplício vivenciado por Jesus, o Cristo Ecumênico, o Celeste Estadista, na Sua dedicação extremada em prol da Humanidade, como no drama do Getsêmani. Sendo Espírito sem mácula, o Ungido de Deus voluntariamente carregou nossos erros sobre Seus ombros, a fim de nos livrar da ignorância que origina a Dor.

Pouco antes de ser preso pelos beleguins do poder da época, de conformidade com a narrativa de Lucas (22:39 a 46), o Divino Crucificado reitera para todos nós:

Jesus no Getsêmani
“E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os Seus discípulos O seguiram. E, quando Jesus chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação! E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, afasta de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua.

“Então, Lhe apareceu um Anjo do Céu, que O confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o Seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.

“Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos e os achou como que dormindo de tristeza. E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação”.

Jesus, o Senhor do Apocalipse, o Pão que desceu do Céu, doa a Sua própria vida
De que modo o ser humano pode manter-se acordado dignamente, perante Jesus e a Sua Política Eterna, a ponto de compreender o significado divino da Dor, que fez com que Deus O abençoasse com Poder e Autoridade? Alimentando-se do Pão que desceu do Céu, porquanto, antes da definitiva reforma social, necessário se faz realizar a do Espírito, mas com Amor, Fraternidade, Solidariedade e Generosidade. Afinal, as palavras e os exemplos do Sublime Ser, que derramou Seu sangue para o nosso resgate, constituem esse alimento eterno, consoante lemos nas Escrituras:

I — “Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém comer desse Pão, viverá eternamente” (Evangelho de Jesus, segundo João, 6:51); e

II — “(…) pelo Seu sangue [Jesus] nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse, 1:5).

Não há Política sem Amor Solidário
Como?! É o seguinte: dizer que Jesus nos libertou dos nossos pecados significa asseverar também que o Divino Mestre nos deixou um roteiro doutrinário excelente para nossa vitória. Ao seguirmos esse Sagrado Estatuto com verdadeiro espírito de Caridade e de Justiça, nos transformaremos no esteio de nossos semelhantes na Terra. Porquanto não há pecado maior do que a ausência de Amor solidário para com os cidadãos (ou cidadãs) de cada país.

E nós ressuscitamos com Ele
Prossigamos, pois, aprendendo com Jesus que, superando os dramas do Getsêmani e do Gólgota, ressuscitou dentre os mortos para conforto e esclarecimento dos corações terrenos. E repetiremos, então, o que bradamos em 1997, no Rio de Janeiro/RJ, no dia 31 de dezembro, na passagem do ano-novo: Jesus ressuscitou, e nós, com Ele. Graças a Deus!

A morte é apenas a abertura de novas experiências de vida. Todavia, que ninguém considere o violento ato do suicídio e suas trágicas consequências como uma escolha libertadora. Tudo, até a morte, tem leis disciplinantes.

Esses e outros modestos comentários fazem parte de meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade (2014), que, para meu gáudio, tem comovido muitos corações.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

23mar/18

Liderança nova

Paiva Netto

Há quinze anos, ao acompanhar pela Super Rede Boa Vontade de Rádio, a partir da AM 1.210 kHz, o programa Soldadinhos de Deus, da LBV (apresentado por crianças da Legião da Boa Vontade e dirigido ao universo infantil), senti-me motivado a entrar ao vivo na programação e propor aos meninos e meninas da LBV um desafio: a criação de um fórum para que essa novíssima geração pudesse discutir e apontar soluções para os principais problemas que preocupam os pequeninos. É velha a minha assertiva de que quem pensa que criança é boba é que é bobo.

Compartilho aqui alguns trechos desse meu improviso naquele memorável 22 de março de 2003:

Quero fazer-lhes uma proposta. É algo que considero importante. O que vemos hoje em toda parte? Uma tremenda ganância, e vocês são a primeira vítima. É aquilo que afirmei em 2 de março de 1996, ao inaugurar na cidade do Rio de Janeiro/RJ o Centro Educacional da LBV, e que foi destacado pela revista IstoÉ: A criança geralmente apenas devolve aquilo que a sociedade lhe proporciona. Se a sociedade lhe oferecer lixo, em geral ela vai devolver-lhe lixo, mas, se der Amor — que significa Fraternidade, Solidariedade, Generosidade, Compaixão —, vai ser mais bonita de Espírito e de rosto. Portanto, a minha preocupação, como disse numa palestra em Brasília/DF, no lançamento da Operação Jesus, em 25 de março de 1995, é a de abrir caminhos para uma liderança nova. As Instituições da Boa Vontade (IBVs) têm de se apresentar ao mundo com a sua face decisiva de realizações. Jesus espera isso de cada um de nós. Ele revelou: “Vós sois deuses. Eu voltarei ao Pai, vós ficareis aqui na Terra, portanto, podereis fazer muito mais do que Eu” (Evangelho, segundo João, 10:34 e 14:12). Milagre não é só salvar a pessoa que sofre de uma doença incurável no corpo. Principalmente, é fazer sarar os Espíritos, mostrar a eles a iluminação que possuem. Vocês têm merecimento diante do Pai Celestial, ó novíssima geração!

É necessário estabelecer uma ambiência em que as pessoas, de forma decidida mas educada, digam o que pensam; com o que querem contribuir a fim de transformar o mundo para melhor. E vocês, crianças, têm esse carisma: de fazer com que todos se sintam à vontade. Quero uma agenda de vocês.

Convidaremos psicólogos, educadores, profissionais compromissados com a educação e que têm algo a acrescentar ao desenvolvimento saudável das crianças. O pensamento delas é uma reflexão que nos dá perspectiva de um mundo melhor. Vocês possuem força diante de Deus. Vão ter a oportunidade de manifestar-se (…), porque precisam aprender a se defender (com Amor e inteligência, alicerçados na Espiritualidade Ecumênica).

Vamos fazer um grande fórum? Naquele momento todas as crianças responderam com vigor: Vamos!

Daí surgiu, no mesmo ano, o Fórum Internacional dos Soldadinhos de Deus, da LBV.

“Guardião do Amor Fraterno eu sou. Unir os corações eu vou” é o tema de sua 16a edição, que ocorrerá no dia 24/3 (sábado), em diversas cidades do Brasil e do exterior.

Promovido pela Legião da Boa Vontade, o evento, que inaugura uma série de atividades e reflexões sobre o tema proposto, será protagonizado pelos próprios Soldadinhos de Deus, como são carinhosamente chamadas as crianças na LBV.

A programação inclui rodas de conversa, debates, dinâmicas, jogos, apresentações teatrais, coreográficas e musicais, painéis temáticos e mostras culturais.

As atividades do fórum terão prosseguimento até março de 2019, nos Centros Comunitários de Assistência Social e nas escolas da LBV, assim como nas Aulas de Moral Ecumênica que ocorrem nas Igrejas Ecumênicas da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, Entidade parceira na realização do encontro.

Participe. Informações pelo portal www.boavontade.com

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

19mar/18

Gestores da água

Paiva Netto

Em 22 de março, celebramos o Dia Mundial da Água. Vale lembrar que Brasília sedia, em 2018, entre os dias 18 e 23 de março, o 8o Fórum Mundial da Água, espaço para um bom diálogo, cujo exercício básico é a democracia, que é o regime da responsabilidade. Portanto, devemos dar a devida atenção às resoluções propostas por esse evento para a agenda internacional.

Discutir sobre o líquido sustentador da vida e se o utilizamos de modo sensato é na atualidade uma pauta indispensável. O Brasil, de forma geral, pode se considerar privilegiado, como declarou o dr. Paulo Lopes Varella Neto, ex-diretor de Gestão da Agência Nacional de Águas (ANA). Ele explica: “Nós somos o país que mais dispõe de água doce no mundo, e 12% dela é gerada em território nacional. Mas, se considerarmos a água que vem de outros países e que por aqui passa e, portanto, está disponível para uso, dispomos de aproximadamente 18% da água doce na Terra”. Contudo, a questão é conseguir administrar bem essa fartura, a fim de atender às necessidades de todos. Apesar de abundante em certas regiões, ela é escassa em outras. Um ponto igualmente relevante é o cuidado que devemos ter para não degradar os recursos hídricos.

Integrador geográfico e geopolítico
O dr. Paulo Varella, que é hidrogeólogo, trouxe-nos um exemplo interessante: “Como a água carrega no seu sabor, na sua cor, no seu cheiro a memória dos territórios por onde passa, ela é um integrador geográfico. E, como também não respeita limites de Estados, nem mesmo de países, ela é um integrador geopolítico. De maneira que vi, há pouco tempo, ao visitar uma determinada instalação nos Estados Unidos, uma frase que me chamou a atenção e agradou: ‘No mundo da água estamos todos ajudantes’. O que quer dizer o seguinte: temos responsabilidades de que a água que passa por nós, a que usamos, afetará a outros que estão mais abaixo. E a água que estamos usando certamente já passou por alguém que estava águas mais acima”.

Falando ao Portal Boa Vontade, comentou: “O esforço que a Agência Nacional de Águas faz, que o governo faz, que os comitês de bacias fazem, tem como motor a posição individual de cada um de nós. Os maiores gestores de água do planeta somos nós. Se cada um tomar consciência disso, tudo pode mudar. Temos que passar de observadores para atores dentro desse processo. E é na forma como se vai colocar o lixo, como vai tomar o banho, lavar o carro, e assim por diante, que a gente pode realmente dar uma contribuição (…)”.

Ao informar-nos do reconhecimento alcançado pelo nosso país no mundo por seu modelo de gestão da água, não deixou de expor também os imensos desafios que enfrentamos, por exemplo, com grandes cheias na Amazônia; secas históricas em São Paulo, Rio, que se repetem e que, há décadas, afetam o nordeste do Brasil, no semiárido. Diz ele: “Apesar de toda a riqueza que possuímos, realmente a gente tem que se preocupar em encarar a questão do gerenciamento desse recurso”.

Valendo-se do Dia Mundial da Água, o entrevistado desejou ainda ressaltar: “Que entendamos a água como um grande vetor de progresso, e os usos múltiplos são absolutamente cruciais para que possamos ter um desenvolvimento sustentável. E termino dizendo da importância que acredito seja o papel de cada um de nós enquanto — vamos chamar — minigestores, mas num conjunto de grandes gestores dessa água”.

Agradeço ao dr. Paulo Lopes Varella suas esclarecedoras palavras. Aliás, com satisfação, soube que é um frequentador do Templo da Boa Vontade e possui destacada Fé na Espiritualidade Maior.

Agradecimento
Minha saudação ao dr. Arnaldo Rocha, do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), órgão do Ministério da Defesa. Com estas palavras se manifestou: “Agradeço a atenção prestimosa da qual sempre fui objeto por parte dos meus irmãos e amigos da Legião da Boa Vontade. Abaixo, a nossa singela contribuição, ratificando as preocupações do líder da LBV”. E nos prestigiou com um poema dedicado ao meu artigo “Água e Escassez”, no qual escrevi que água é vida e poluí-la é crime de lesa-humanidade:

“(…) ‘É preciso haver uma conscientização/ Por parte de todos, sobre essa questão:/ A falta desse precioso líquido, na verdade,/ Poderá decretar a morte da coletividade.

“‘Se administrarmos esse recurso vital,/ Não se transformará em fator de guerra,/ Pois sem a água potável é impossível/ Qualquer tipo de existência na Terra’.

“Abracemos em conjunto essa causa,/ Dando a nossa contribuição pessoal,/ Preservando e economizando sabiamente/ Esse mais valioso bem natural”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

08mar/18

A intrepidez feminina

Paiva Netto

Há exemplos de extraordinárias mulheres em todos os cantos do mundo, desde as mais destacadas às mais simples, a começar pela mais singela das mães. Uma delas é “a doceira de Goiás”, no vasto interior do Brasil. Trata-se da exímia poetisa Cora Coralina (1889-1985). Aos 75 anos de idade, apenas contando com instrução primária, publicou seu primeiro livro.
Disse a saudosa Cora:

— Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

É o talento do povo bem instruído e espiritualizado que transforma miséria em riqueza! A fortuna de um país situa-se, antes de tudo, no coração solidário e na consciência esclarecida de sua gente — valorizando a mulher e dignificando o homem. Neles se encontra a capacidade criadora. É assim em todas as nações.

Benjamin Franklin (1706-1790) há muito se levantara para esclarecer:

— A verdadeira sabedoria consiste em promover o bem-estar da Humanidade.


Serviço — Tesouros da Alma (Paiva Netto), 304 páginas. À venda nas principais livrarias e nas bancas de jornal.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

05mar/18

Dia Mundial do Rim

Dia Mundial do Rim
Paiva Netto

Em todo mês de março, mundialmente é comemorado o Dia do Rim. A iniciativa tem como prioridade a prevenção da Doença Renal Crônica (DRC), fornecendo informações sobre a importância do diagnóstico precoce e quanto aos cuidados com os fatores de risco, entre eles a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, a obesidade, o tabagismo e a presença de histórico familiar de doença renal.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em 2015, mais de 1,5 milhão de pessoas estiveram em terapia renal substitutiva (Diálise Peritoneal, Hemodiálise ou Transplante Renal), sendo 100 mil só no Brasil.

O dr. Daniel Rinaldi dos Santos, ex-presidente da SBN, ressaltou que, “através de exames extremamente simples, você consegue detectar precocemente se é portador de alguma alteração renal e tomar medidas preventivas para evitar a evolução da doença”. Portanto, não deixemos para amanhã providências que podem impedir graves problemas.

Em 2014, ao comentar a campanha de conscientização da SBN realizada naquele ano, mas que continua com o seu recado sempre atual, o conhecido nefrologista afirmou: “Uma das coisas que a equipe da Sociedade Internacional [de Nefrologia] está preconizando é que se comemore o Dia Mundial do Rim, bebendo um copo d’água! Uma forma de lembrar que a água faz bem para o rim. Todo mundo brindar com um copo d’água!”

Para outras informações, acesse os sites www.sbn.org.br e www.boavontade.com.

Saúde espiritual e material
Os rins devem ser muito bem tratados. Do seu bom funcionamento depende a saúde geral do organismo. Ao filtrar o sangue, tirando-lhe as impurezas, torna-se um parceiro indispensável do coração que, por sua vez, faz o fluido vital circular pelo corpo.

Não é por acaso que esses dois órgãos estão destacadamente mencionados nas Escrituras Sagradas. No Apocalipse de Jesus, 2:23, temos a famosa passagem em que o Médico Celeste declara: “Todas as igrejas conhecerão que Eu sou aquele que sonda rins e corações. E retribuirei a cada um segundo as suas obras”. Ele conhece bem o nosso íntimo e os processos com que nos intoxicamos e desintoxicamos, porque os rins (como de certo modo o fígado) são os filtros do corpo. Espiritualmente falando, ocorre o mesmo.

É possível observar que o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, nos avalia de acordo com o que produzimos, de bom ou de mau, resultante de nossas emoções (coração) e pensamentos (rins). Contudo, fica subentendido ainda que a qualidade da saúde será um reflexo do tratamento dado a essa admirável engenharia fisiológica (corpo humano) que serve ao Espírito de instrumento para evolução na Terra.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

20fev/18

Pais e filhos contra a droga

Paiva Netto

Meu artigo de hoje visa colaborar na prevenção contra o crack, terrível droga que lamentavelmente se alastra pelo país. De acordo com a pesquisa de 2012, divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o consumo do crack disseminou-se por todas as classes sociais.

Pari passu com as políticas públicas e os cuidados médicos aos usuários em sua luta contra a dependência química, não se pode deixar de lado a devida valorização da família — a atenção dos pais e responsáveis com as companhias de seus filhos e a imprescindível presença da Espiritualidade Ecumênica no diálogo entre pais e filhos.

Nos idos de 1980, apresentei, na Super Rede Boa Vontade de Comunicação, “Carta de um filho para o pai”, publicada em O Imparcial, de Monte Alto/SP. Nela, um jovem de 19 anos, usuário de entorpecentes, escreve um bilhete de adeus ao seu pai. Diante da comoção dos ouvintes, providenciei que o texto fosse impresso em diferentes idiomas.

É indispensável o esclarecimento dos familiares. Nas passeatas e panfletagens, em conferências, na rádio e na TV, os orientamos a prestar maior atenção ao cotidiano dos filhos, suas amizades, dúvidas, ambientes que frequentam.

Tóxicos: “Carta de um filho para o pai”
“Acho que neste mundo ninguém procurou descrever seu próprio cemitério. Não sei como meu pai vai receber este relato, mas preciso de todas as forças enquanto é tempo. Sinto muito, meu pai, acho que este diálogo é o último que tenho com o senhor. Sinto muito, mesmo… Sabe, pai, está em tempo de o senhor saber a verdade de que nunca desconfiou. Vou ser breve e claro, bastante objetivo.

“O tóxico me matou. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 anos de idade. É horrível, não, pai? Sabe como conheci essa desgraça? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo, e bem-falante, que me apresentou ao meu futuro assassino: a droga.

“Eu tentei recusar, tentei mesmo, mas o cidadão mexeu com o meu brio, dizendo que eu não era homem. Não é preciso dizer mais nada, não é, pai? Ingressei no mundo do vício.

“No começo foi o devaneio; depois as torturas, a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Em seguida, veio a falta de ar, o medo, as alucinações. E logo após a euforia do pico, novamente eu me sentia mais gente do que as outras pessoas, e o tóxico, meu amigo inseparável, sorria, sorria.

“Sabe, meu pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo e muito engraçado. Até Deus eu achava cômico. Hoje, no leito de um hospital, reconheço que Deus é mais importante que tudo no mundo. E que sem a Sua ajuda eu não estaria escrevendo esta carta. Pai, eu só estou com 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim. Mas, ao senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer: mostre esta carta a todos os jovens que o senhor conhece. Diga-lhes que em cada porta de escola, em cada cursinho de faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido e bem-falante que irá mostrar-lhes o futuro assassino e destruidor de suas vidas e que os levará à loucura e à morte, como aconteceu comigo. Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais para eles.

“Perdoe-me, pai… já sofri demais, perdoe-me também por fazê-lo padecer pelas minhas loucuras.

“Adeus, meu pai.”

Algum tempo após escrever essa carta, o jovem morreu.

Cuidar bem da juventude
Eis por que fraternalmente advertimos: Cuidemos bem de nossa juventude, como o faz a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, porque a nenhum de nós interessa ter amanhã uma pátria de drogados, bêbados e frustrados. Queremos, isto sim, uma geração, uma civilização de homens e mulheres, jovens e crianças honrados, realizadores no Bem, amantes da Paz, da Verdade e da Justiça. É por isso que a Religião Divina trabalha incessantemente. Se o mundo quiser evoluir, precisa, antes de tudo, preparar a geração que surge, com o que tiver de melhor, e confiar mais nela. Já é tempo.
A propensão dos jovens é acreditar e batalhar pelo futuro. Graças a Deus! Ainda bem!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

14fev/18

Transformar dor em vitória

Paiva Netto

Não duvidemos de nossa capacidade, como seres espirituais e humanos, de alcançar o hoje considerado insuperável. Temos muito mais aptidão para sobrepujar problemas, por maiores que os julguemos, segundo avalia o médico, psicólogo, filósofo e escritor norte-americano William James (1842-1910): “A maioria das pessoas vive física, intelectual ou moralmente num círculo muito restrito do seu potencial. Faz uso de uma parte muito pequena da sua possível consciência e dos recursos da sua alma em geral, assim como um homem… que se habitua a usar e a mover somente o seu dedo mínimo. Grandes emergências e crises nos mostram como os nossos recursos vitais são muito maiores do que supúnhamos”.

Se as dificuldades são maiores, superiores serão os nossos talentos para suplantá-las. Se desse modo não fosse, onde estaríamos hoje caso os que nos antecederam, pelos séculos, se acovardassem? A pior tragédia é desistir por causa das adversidades do mundo. É falhar, portanto, com aqueles que confiam em nós. Os que vieram antes — com o combustível da Fé — sublimaram dor em vitória.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

06fev/18

Câncer de Mama

Paiva Netto

O Dia Mundial Contra o Câncer e o Dia Nacional da Mamografia (respectivamente em 4 e 5 de fevereiro) chamam-nos a atenção sobre um mal que acomete cada vez mais pessoas.

Segundo informa o Instituto Nacional de Câncer (Inca), quase 60 mil novos casos de câncer de mama deverão ser diagnosticados no país a cada ano. E ainda ressalta que este é o “tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença”.

Conforme ressalta o Inca, “o exame clínico da mama deve ser feito uma vez por ano pelas mulheres entre 40 e 49 anos. E a mamografia deve ser realizada a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos, ou segundo recomendação médica”. E mais: “Embora a hereditariedade seja responsável por apenas 10% do total de casos, mulheres com história familiar de câncer de mama, especialmente se uma ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmãs) foram acometidas antes dos 50 anos, apresentam maior risco de desenvolver a doença. Esse grupo deve ser acompanhado por um médico a partir dos 35 anos (…)”.

Quando detectado nos estágios iniciais, as chances de cura são de aproximadamente 95%. Contudo, aponta Ricardo Caponero, presidente do Conselho Técnico-Científico da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), “ainda falta conscientização das mulheres para a importância da realização periódica da mamografia. (…) Apenas 30% das mulheres fazem o exame”. Desde 2009, o procedimento tem cobertura gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), direito assegurado pela Lei nº 11.664/2008. Em prol de sua saúde, as mulheres não podem abrir mão desse benefício.

Prevenção
Para melhor conhecimento de todos sobre o assunto, vale consultar o site do Inca (www.inca.gov.br). Vejam, por exemplo, algumas dicas de prevenção: “Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor”.

Não prescindamos igualmente de recorrer ao Amparo Celeste, que tem em Jesus, o Divino Médico, o abundante manancial da saúde almejada por todos.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

27dez/17

Ano-Novo e ação humana

Paiva Netto

Com a proximidade de um novo ano, repete-se o salutar costume dos votos de esperança por tempos mais felizes. Na palestra que proferi em 20 de dezembro de 2008, transmitida pela Boa Vontade TV, pela Super RBV de rádio e internet (www.boavontade.com), procurei analisar esse anseio de renovação, fundamentando minhas palavras nos versículos iniciais do capítulo 21 do Apocalipse de Jesus, segundo São João, e nos derradeiros do capítulo 22.
Visei com a mensagem demonstrar que o Livro das Profecias Finais apenas relata as consequências dos feitos humanos. Em nossa intimidade, escrevemos as páginas do nosso destino. Logo, quanto mais espiritualizado o povo, educado e instruído, melhor o rumo das nações. Como sempre ressalto: Ano-novo! Ano-bom? Depende de nós!

21:1 – “E vi novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar não mais existe”.

A profecia de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, anuncia profunda transformação batendo às portas. E se é “um novo céu e uma nova terra”, vislumbra-se Humanidade renovada! Contudo, aquilo que o Amor não consegue concretizar a Mestra Dor comparece e apresenta a lição.

21:2 – “Eu, João, vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que da parte de Deus descia do céu, vestida como noiva adornada para o seu esposo”.

Jerusalém é um grande símbolo religioso, político e social no mundo, principalmente para judeus, cristãos e islâmicos, de várias etnias. Todos filhos de um mesmo Pai, pois assim devemos ver-nos, para, aliados, auxiliar na prevenção de tanto assunto que pode ser diplomaticamente afastado ou resolvido, até mesmo com antecedência.

A Esperança não morre nunca
Notem que João Evangelista narra Jerusalém descendo do Céu. Por que esse e não outro burgo? Vamos por partes: Ele era judeu. A ideia que tinha de cidade maior, para o seu coração crente, era Jerusalém. Também conhecia Roma. Entretanto, dificilmente diria: “Desce do céu a nova Roma”. Esta era metrópole culta, cosmopolita, porém altamente bélica. Cartago que o diga. Jerusalém possuía algumas dessas características. Não obstante, o seu povo acreditava num Deus único, assim como o Evangelista-Profeta.
Jerusalém é um encanto místico. Comove o coração da gente. Mas tem sido pelos milênios pretexto para tristes acontecimentos. Todavia, a Esperança não morre nunca, raciocínio que concebi, há muitas décadas, ao ver, na televisão, um moço lamentar haver perdido a fé no futuro. Alguns, até com motivo envinagrados, retrucam: “Eu não creio nessa coisa de Esperança”. Então, o que propõem? O desânimo? O desprezo da criatura por si própria e por seus pares? Tem de haver Esperança! E, acima de tudo, vontade de realizar. Do contrário, o que lhes resta? Deitar e morrer? A Alma carece de bom estímulo. (…) Como dizer aos jovens que não alimentem a Esperança? Se o idealismo não sobreviver, que lhes sobrará? Um campo aberto para o esmorecimento. Todos percebem que, num mundo globalizado, o mal que acontece lá (qualquer lá) poderá nos abranger. Vejam a questão da economia, em 2008, de que poucos suspeitavam. Inacreditável, não é? (…) Outrossim, necessário se faz algo além do presente estágio do conhecimento terrestre: ligarmo-nos ao governo ideal que começa no Céu. Trata-se de tema que, um dia, a cautelosa Ciência abordará sem preconceitos. A intuição é a inteligência de Deus em nós. Muita vez, o que a razão demora a captar ela mais rápido alcança.
Que no novo ano busquemos na Espiritualidade Superior a bússola de nossa existência. E que haja Esperança, sim, e trabalho, de modo que ergamos para os moços condições de usufruírem um mundo mais digno, sem nunca esquecer os mais vividos, idade a que a maioria, com o avanço da medicina, certamente atingirá.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

18dez/17

A força da Oração

Paiva Netto

Constantemente me chegam cartas, bilhetes, recados daqueles que enfrentam grandes padecimentos. São mães cujos filhos morreram, pais lutando para afastar seres queridos do vício, jovens à procura de um rumo certo, gente fragilizada por um mal incurável, velhinhos abandonados por quem lhes deveria proteger a existência. E igualmente há o problema da “solidão acompanhada”. Talvez seja um dos fatores pelos quais as pessoas hoje se exponham tanto, como a dizer, apesar de toda a proclamação de sucesso que se lhes fazem: “Ei, estou aqui! Também tenho coração!”
Uma senhora, a quem chamarei de Dona Rosalina, é uma dessas criaturas sofridas que anseiam, pelo menos, por uma palavra de conforto. Não vou entrar na particularidade do seu caso. Mas posso revelar uma pequena sugestão que lhe fiz e que, segundo me relata, lhe tem servido de apoio.
Vali-me de minha própria experiência. Nas horas de dificuldade, quando parece que não há saídas para certas questões, recorro à oração e ganho forças para o trabalho. E não me tenho arrependido, ao concordar com o lema do venerável São Bento (480-547): “Ora et labora” [Ora e trabalha].
Passei-lhe então uma prece que, pela primeira vez, ouvi do saudoso mineiro de Santos Dumont, Geraldo de Aquino (1912-1984). Espero que sirva a quem me honra com a atenção, se, na liça diária, estiver atravessando provações que, às vezes, não pode revelar ao maior amigo ou à mais sincera confidente. Ninguém, religioso ou ateu, se encontra livre disso.
Essa oração, desde o nome, invoca um sentido de que todos necessitamos: Charitas, palavra latina que significa Caridade. Esse divino sentimento aprimora o convívio dos que buscam ver no semelhante algo além de um saco de carne ou fonte inesgotável de exploração. A Caridade não é cativa da restritíssima acepção a que alguns a querem condenar. Trata-se da mais elevada política. Ilumina o Espírito do cidadão. Ela inflama a coragem da gente. Por que perder a Esperança? A primeira vítima do desespero é o desesperado. Mas vamos à oração. De autoria do Espírito Cáritas, ela foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro de 1873, por Madame W. Krell, em Bordeaux (França), e publicada em Rayonnements de la Vie Spirituelle.

Prece de Cáritas
“Deus, nosso Pai,/ que sois todo o Poder e Bondade,/ dai forças àqueles/ que passam pela provação,/ dai luz àqueles que procuram a Verdade,/ ponde no coração do homem/ a compaixão e a Caridade./ Deus!/ Dai ao viajor a estrela-guia,/ ao aflito, a consolação,/ ao doente, o repouso./ Induzi o culpado ao arrependimento./ Dai ao Espírito a Verdade,/ à criança, o guia,/ ao órfão, o pai./ Senhor! Que a Vossa Bondade/ se estenda sobre tudo o que criastes./ Piedade, Senhor,/ para aqueles que não Vos conhecem,/ esperança para aqueles que sofrem./ Que a Vossa Bondade permita/ aos Espíritos consoladores/ derramarem por toda a parte a Paz, a Esperança, a Fé!/ Oh! Deus!/ Um raio, uma centelha do Vosso Amor/ pode iluminar a Terra,/ deixai-nos beber nas fontes/ dessa Bondade fecunda e infinita./ E todas as lágrimas secarão,/ todas as dores se acalmarão./ Um só coração, um só pensamento subirá até Vós,/ como um grito de reconhecimento e de Amor./ Como Moisés sobre a montanha,/ nós Vos esperamos com os braços abertos,/ Oh! Bondade,/ Oh! Beleza,/ Oh! Perfeição./ Nós queremos, de alguma sorte,/ merecer a Vossa misericórdia./ Deus!/ Dai-nos força,/ ajudai o nosso progresso/ a fim de subirmos até Vós;/ dai-nos a Caridade pura e a humildade;/ dai-nos a fé e a razão;/ dai-nos a simplicidade,/ Pai,/ que fará de nossas Almas/ o espelho onde se refletirá/ a Vossa Divina Imagem.”

Com a palavra, um Nobel de Medicina e Fisiologia
O dr. Alexis Carrel (1873-1944), Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia (1912), famoso autor de O homem, esse desconhecido, escreveu a respeito do assunto que alenta as Almas:
“A oração é (…) a forma de energia mais poderosa que o homem é capaz de gerar. Trata-se de uma força tão real como a gravidade terrestre. Na minha qualidade de médico, tenho visto enfermos que, depois de tentarem, sem resultado, os outros meios terapêuticos, conseguiram libertar-se da melancolia e da doença, pelo sereno esforço da Prece. É esta, pois, no mundo, a única força que parece capaz de superar as chamadas ‘leis da Natureza’. Há muitas pessoas que se limitam a ver na Prece (…) um refúgio para os tímidos, ou mero apelo infantil movido pelo desejo de coisas materiais. Concebê-la, entretanto, nesses termos, é menosprezá-la erroneamente. (…) ‘Ninguém jamais rezou’, disse Emerson (1803-1882), ‘sem que houvesse aprendido alguma coisa’. (…) O mais profundo manancial de energia e perfeição, que se acha ao nosso alcance, tem sido miseravelmente abandonado. (…) Se a força da Prece for posta em ação na vida de homens e mulheres; se o Espírito proclamar os seus desígnios claramente, invictamente, haverá então confiança de que não sejam em vão os nossos anseios por um mundo melhor”.
Vejam que não se trata da opinião de nenhum “místico delirante”, porém, de um respeitado homem de ciência. Todo aquele que sofre, da choupana ao palácio, com certeza já teve o ensejo de comprovar essa realidade.
Independência da dor só se consegue com o coração forte.
Não é mesmo, Dona Rosalina?

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

15dez/17

REFLEXÃO DE BOA VONTADE

Relatório da Unesco sobre a educação e a pobreza
Paiva Netto
Há décadas, temos defendido que no ensino reside a grande meta a ser atingida, já! Educação e Cultura com Espiritualidade Ecumênica para o povo, desde a infância — com a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico —, figuram entre as preocupações maiores da LBV, ao lado de sua aplaudida Promoção Humana e Social. Nesses quase 70 anos de atividade solidária, a Instituição tem transformado para melhor milhões de vidas a partir do intelecto instruído e, sobretudo, da sabedoria do coração. Como tive o ensejo de destacar ao notável ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal, dr. Mário Soares (1924-2017), enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom senso almejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si mesma se impõe. Aliás, o fato se deu assim: em visita ao Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, Brasil, em 1997, o saudoso estadista, ao ver estampado, numa das paredes do local, esse meu pensamento — “Enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom senso almejado, o Brasil padecerá cativo das limitações que a si mesmo se impõe” —, de forma entusiástica, que era sua característica, virou-se para mim e exclamou: — “Mas por que só o Brasil?! Isto é válido para o mundo inteiro!”, razão por que, aceitando a sugestão dele, estendi esses dizeres para quem deles quiser valer-se em qualquer país. Nesse mesmo dia, o dr. Mário Soares foi homenageado com a Comenda da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica do ParlaMundi da LBV, na categoria Hors-Concours, cerimônia que também condecorou, na categoria Esporte, o Atleta do Século 20, Pelé.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) realizou importante pesquisa que monitorou, durante os anos de 1965 a 2010, a relação entre Educação e erradicação da pobreza. O recém-lançado estudo “Reduzindo a pobreza global através das educações primária e secundária” revela, na página 11: “Alcançar a conclusão do ensino primário e secundário na população adulta ajudaria a tirar mais de 420 milhões de pessoas da pobreza, assim reduzindo em mais da metade o número de pessoas pobres no mundo. Os efeitos seriam particularmente grandes na África Subsaariana e no sul da Ásia, onde uma redução da pobreza em quase dois terços é esperada”. Segundo informa a Unesco, “se as tendências atuais continuarem, dos 61 milhões de crianças em idade escolar atualmente fora da escola, 17 milhões nunca pisarão numa sala de aula”.
Esses dados são muito alarmantes e chamam todos à responsabilidade de não apenas combater efeitos, mas atuar nas causas, o que conduzirá a resultados mais sólidos e sustentáveis na luta contra a miséria, que vergonhosamente ainda campeia pelo orbe.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

27nov/17

Depressão infantil

Paiva Netto

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstra que, em todo o planeta, 20% das crianças e dos adolescentes apresentam sintomas de depressão, como irritabilidade ou apatia e desânimo. Os dados referentes ao Brasil sugerem que esse tipo de distúrbio se faz presente entre 8% e 12% da população infantojuvenil.
É um número preocupante. Saber lidar com essa problemática, que jamais esteve restrita a adultos e idosos, é providência urgente para pais e educadores.
O programa Educação em Debate, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), que discute os principais assuntos da educação pela ótica da Espiritualidade Ecumênica, entrevistou o dr. Gustavo Lima, psiquiatra da Infância e da Adolescência, que nos aponta algumas causas da depressão nas fases iniciais da vida e como notá-las: “Primeira coisa — uma investigação clínica pormenorizada. Segunda coisa — é muito importante lembrar que os transtornos afetivos na infância e na adolescência são de causa multifatorial, ou seja, diversos fatores podem causar a depressão: genéticos, ambientais, entre outros. Entretanto, na nossa prática clínica, o que aumenta muito a chance de uma criança ficar deprimida são os ambientes familiar e escolar desfavoráveis”.

Diferença comportamental
O que dificulta, de certa maneira, pais e educadores perceberem que o filho ou o educando está deprimido é o comportamento dessa patologia entre as faixas etárias: “Diferentemente dos adultos, as crianças não ficam deprimidas o tempo inteiro. Às vezes, os pais deixam de levar o filho para uma avaliação porque em algum momento do dia ele se divertiu. E isso não significa que não esteja deprimido”, esclareceu o especialista.
E alertou ainda: “É preciso, também, muito cuidado com os sintomas de ideação de morte, quando vêm à mente ideias suicidas. Quando você está diante de uma criança deprimida com esses sintomas, é muito importante uma avaliação médica e um tratamento com psicólogo. Em alguns casos, dependendo da gravidade, recorrer a tratamento farmacológico”.

Prevenção
Para o dr. Gustavo Lima — que é membro do Programa de Atendimento a Transtornos Afetivos do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP —, existem algumas atitudes que podem ajudar a prevenir a depressão nas crianças: “Além de um acompanhamento pediátrico, cuidar das horas de sono e da alimentação, um ambiente familiar estruturado é fundamental. Outra coisa importante é uma escola que favoreça o desenvolvimento da criança, que consiga identificar as reais potencialidades dela. Então, saúde, bem-estar, ambientes familiar e escolar favoráveis, prestar atenção também em questões genéticas contribuem, e muito, para se prevenir a depressão infantil”.
Atentemos, pois, às elucidativas recomendações do dr. Gustavo Lima. E não descuidemos de proporcionar aos pequenos e aos jovens um espaço sadio, enriquecido por uma Espiritualidade Ecumênica orientada pelos melhores princípios éticos. Desde cedo, devemos ter consciência de que a prece, a meditação, a confiança em Deus ou nas forças da Natureza são eficientes recursos ao equilíbrio bio-psíquico-espiritual.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

21nov/17

Violência patrimonial

Paiva Netto

Escolhi apresentar a vocês hoje o retrato da violência patrimonial, que provoca lastimável sofrimento, mormente a mulheres e crianças.
A advogada Cíntia de Almeida, fundadora e diretora-executiva do Centro de Integração da Mulher, em Sorocaba/SP, trouxe-nos valiosas informações sobre o assunto:
“A violência patrimonial envolve aquela mulher que deseja colocar as suas potencialidades a serviço do trabalho para contribuir com a família, mas seu companheiro, seu marido, a impede. Ele destrói os seus documentos pessoais, a sua carteira de trabalho. É também quando as divergências se instalam na vida da família. Ao optar pela separação, a mulher faz a denúncia competente. Então, o companheiro destrói os seus bens, os bens que ambos adquiriram conjuntamente. Ou quando ele a coloca para fora do lar: ‘A casa é minha. Os filhos são seus. Então, eu fico com a casa’”.
Segundo a dra. Cíntia, “essa outra forma de violência patrimonial depois na Justiça se esclarece, mas há uma demora grande. A Justiça está assoberbada, e existem numerosos casos. Até que se resolva tudo, muitas vezes, a mulher é obrigada a sair com os filhos dessa situação constrangedora e violenta para buscar um abrigo, uma casa onde possa falar que é sua por um tempo predeterminado, intermediário, e onde vai ter toda a assistência possível. Mas não é a casa dela. Então, é um constrangimento que ela vive. Essa é uma violência patrimonial, além de psicológica, em que ela vê os sonhos destruídos, e uma violência moral, em que se vê impossibilitada de reação. O companheiro que ela ama a destrói como pessoa e destrói a sua vontade de viver, de ser feliz e de transformar os filhos dessa união em pessoas saudáveis para a sociedade. Ela fica muito vulnerável, muito exposta”.

O agressor
Atenção agora a esta consideração de nossa entrevistada: “Geralmente, o agressor é alguém que conhece a mulher em todas as situações e como reage; sabe de todos os detalhes do seu dia a dia e conhece o seu cheiro, os seus sonhos”.
Grato, dra. Cíntia, pelas elucidações levadas ao ar no programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196). William Shakespeare (1564-1616) dizia que “aos infelizes o melhor remédio é a esperança”. Contudo, é dever de todos nós e dos poderes constituídos tornar realidade o socorro às vítimas da violência em seus vários aspectos. Mais que isso, chegar antes, não permitindo que ocorram.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

10nov/17

Brasil — vocação para o progresso

Paiva Netto

Nas comemorações dos 128 anos da Proclamação da República, reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de iluminar as consciências com sua cultura imanente de fraternidade. No ensaio Sociologia do Universo, comento a respeito de como vem se formando nossa História, cuja vocação trilha o caminho do êxito:
Não se edifica uma pátria sem generosidade de Alma e espírito pragmático. Demanda tempo, pois este ainda não é um mundo de seres pacificados. Neste planeta de tantos desafios, é trabalhoso, mas possível. Apesar de os povos estarem se tornando cada vez mais impacientes. Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que nacionalizou o canal de Suez, com o inesperado apoio dos Estados Unidos, no governo de Dwight D. Eisenhower (1890-1969), e deu início, com financiamento da ex-União Soviética, à construção da grande represa de Assuã, carpido pelas lutas para erguer um Egito moderno, concluiu: “Construir fábricas é fácil, levantar hospitais e escolas é possível, mas erigir uma nação de homens é tarefa longa e árdua”.
Urge fazer-se entendido pelo coração das criaturas. Quem vai ao cerne da criança chega ao jovem. Quem ensina a mocidade pacifica a Alma do adulto. E quem tem este último espiritualizado levanta uma nação. É pelo exemplo que se constrói. Já dizia Napoleão Bonaparte (1769-1821) que “as palavras indicam o caminho, mas os exemplos arrastam”. O Corso continua repleto de razão. (…)

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

06nov/17

Reflexão de Boa Vontade

Educação com Espiritualidade Ecumênica

Paiva Netto

A ausência de Solidariedade, de Fraternidade, de Generosidade tem suscitado grande defasagem entre progresso material e amadurecimento moral e espiritual. Daí o nosso fraterno alertamento: é hora de aplacar as paixões. Se, apenas como argumento, o Brasil não progredir, os maiores perdedores serão os brasileiros. Além do mais, é sempre hora de superar ressentimentos. Entretanto, não haverá Paz enquanto persistirem cruéis discriminações e desníveis sociais criminosos, provocados pela ganância, que, por meio de eficiente Educação com Espiritualidade Ecumênica, devemos combater. Se não optarmos por caminhos semelhantes, estaremos sentenciados à realidade denunciada pelo Gandhi (1869-1948): “A menos que as grandes nações abandonem seu desejo de exploração e o espírito de violência, do qual a guerra é a expressão natural e a bomba atômica, a consequência inevitável, não há esperança de paz no mundo”.

A solução está em Deus
Sempre um bom termo pode surgir quando os indivíduos nele lealmente se empenham. E isso tem feito com que a civilização, pelo menos o que andamos vendo por aí como tal, milagrosamente sobreviva aos seus piores tempos de loucura. A sabedoria do Talmud dá o seu recado prático: “A Paz é para o mundo o que o fermento é para a massa”.
Exato!
Há quem prefira referir-se ao espírito religioso, exaltando desvios patológicos ocorridos no transcorrer dos milênios. (De modo algum incluo nestes comentários os historiadores e analistas de bom senso.) Creio que essa conduta beligerante, que manchou de sangue a História, urge ser distanciada de nossos corações, por força de atos justos, porquanto maiores são as razões que nos devem confraternizar do que as que servem para acirrar rancores. O ódio é arma voltada contra o peito de quem odeia. Muito oportuna, então, esta advertência do pastor Martin Luther King Jr. (1929-1968), que não negou a própria vida aos ideais que defendeu: “Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não a arte de conviver como irmãos”.
De fato, o milagre que Deus espera dos seres espirituais e humanos é que aprendam a amar-se, para que não ensandeçam de vez, como na pesquisa para o uso bélico da antimatéria. O melhor altar para a veneração do Criador são Suas criaturas. Torna-se urgente que a Humanidade tenha humanidade.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

31out/17

O mundo nasceu com música

Paiva Netto

Refletindo sobre em que períodos a música se vem decisivamente manifestando pelas eras, podemos concluir que ela existe desde antes dos tempos. De fato, é instrumento dessa grande obra-prima do Pai Celestial, o Universo.
Ao lermos os capítulos iniciais do Gênesis Mosaico, sentimos a forte harmonia nascida do surgimento dos rios, das árvores, dos animais, da separação das terras, da expansão dos mares e da própria formação do nosso Espírito eterno.
A partir daí, é possível estabelecer diversos e significativos momentos em que a música se casa com a história das muitas civilizações e correntes de pensamento que dão vida à Terra. (…) A boa música é um elo inquebrantável que une a criatura ao Criador.
Diante disso, temos a noção exata de que o pulsar da Vida, o Bem, a Solidariedade, o Respeito e a Caridade são igualmente melodias, sons, ritmos que afinam nossos pensamentos, palavras e ações pelo diapasão da Justiça e do Amor.

Deus em cada criatura
Aproveito o ensejo para agradecer a correspondência que recebi da professora Adriane Schirmer, de São Paulo/SP, na qual comenta sobre minha modesta produção: “Gostaria de parabenizá-lo por suas melodias. Tocam profundamente nossa Alma e despertam em nós os melhores sentimentos. Valem por uma súplica, uma oração ao Pai Celestial. Quando as entoamos, sentimos, tal qual nos momentos de prece, o coração limpo. E, quando isso acontece, vemos Deus em cada criatura, em cada planta, em cada pôr do sol… Assim, de coração limpo e Alma ajoelhada, nos tornamos aptos a aprender a amar sem imposições, a amar com o Amor de Jesus”.

Música e medicina
Grato, leitora Adriane, inclusive por me ter encaminhado o belo texto de apresentação da obra O Médico, de Rubem Alves (1933-2014):
“Instrumentos musicais existem não por causa deles mesmos, mas pela música que podem produzir. Dentro de cada instrumento há uma infinidade de melodias adormecidas, à espera de que acordem do seu sono. Quando elas acordam e a música é ouvida, acontece a Beleza e, com a Beleza, a alegria. O corpo é um delicado instrumento musical. É preciso cuidar dele, para que ele produza música. Para isso, há uma infinidade de recursos médicos. E muitos são eficientes. Mas o corpo, esse instrumento estranho, não se cura só por aquilo que se faz medicamente com ele. Ele precisa beber a sua própria música. Música é remédio. Se a música do corpo for feia, ele ficará triste – poderá mesmo até parar de querer viver. Mas se a música for bela, ele sentirá alegria e quererá viver. Em outros tempos, os médicos e as enfermeiras sabiam disso. Cuidavam dos remédios e das intervenções físicas – bons para o corpo – mas tratavam de acender a chama misteriosa da alegria. Mas essa chama não se acende com poções químicas. Ela se acende magicamente. Precisa da voz, da escuta, do olhar, do toque, do sorriso. Médicos e enfermeiras: ao mesmo tempo técnicos e mágicos, a quem é dada a missão de consertar os instrumentos e despertar neles a vontade de viver…”
Fica aqui então minha homenagem aos bons músicos, bons criadores de instrumentos musicais e, é claro, aos bons médicos e enfermeiras.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

19out/17

O Armagedom à mesa

Paiva Netto

Aprendamos a respeitar a Vida, senão a deusa morte multiplicará o seu trabalho. Foi o que reafirmei em 1991, na Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia, Portugal, gravando o Programa Boa Vontade, para a Rede Bandeirantes de Televisão, do Brasil.
Muita gente pensa que o Armagedom (Apocalipse, 16:16) se refere apenas à possibilidade de uma guerra nuclear, química, bacteriológica, cibernética. Mas o desrespeito à criatura humana, que nem mesmo pode defender-se no útero materno, é um Armagedom. O crime organizado é um Armagedom. O analfabetismo espiritual e material é um Armagedom. A implosão da família é um Armagedom. O avanço tecnológico sem o espírito de solidariedade social é um Armagedom. O fanatismo religioso é um Armagedom. O materialismo desbragado é um Armagedom. A fome é um Armagedom. O Armagedom está à nossa mesa: os vegetais cheios de agrotóxicos, as carnes repletas de antibióticos e hormônios. O Armagedom reflete-se nas águas poluídas dos oceanos, lagos, rios e, mesmo, fontes. Os flagelados da seca padecem um Armagedom. Sair às ruas para o serviço, o estudo ou a diversão, sem a certeza de um retorno tranquilo ao lar, diante da violência e da insegurança que por toda parte hoje se manifestam, o que é isso senão um Armagedom? A falta de Amor nos corações é um Armagedom. As pessoas ficam esperando o Armagedom, e ele já está aí…

Alimentos contaminados
Por sinal, recebi da leitora Lucí Andréa, especializada em Comércio Exterior, alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo conteúdo vem ao encontro do que abordamos neste artigo. Dele, separamos estes significativos trechos: “Alimentos e bebidas contaminados estão ligados à morte de cerca de 2 milhões de pessoas por ano — incluindo muitas crianças. Os alimentos que contêm bactérias nocivas, vírus, parasitas ou substâncias químicas são responsáveis por mais de 200 doenças, que vão desde a diarreia até ao câncer. As novas ameaças à segurança alimentar surgem constantemente. Alterações na produção de alimentos, distribuição e consumo; alterações no ambiente; novos e emergentes patógenos; resistência antimicrobiana — todos esses fatores constituem enormes desafios aos sistemas nacionais de segurança alimentar. Sucessivos aumentos no turismo e no comércio exterior agravam a probabilidade de que a contaminação pode se espalhar internacionalmente”.

Respeito à Vida
Entretanto, todos os problemas têm solução quando os seres humanos realmente se dispõem a resolvê-los. É uma questão de respeito ao divino privilégio de existir. Por isso, aqui se encaixa como uma luva este pensamento de Henry Ford (1863-1947), que certa vez definiu a Boa Vontade como a maior força da Vida: “Os tempos de riqueza não nascem por acaso. Surgem como resultado de muito esforço e pertinácia”.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

06out/17

Saúde ocular

A falta de informação e de exames preventivos leva a maioria das pessoas a procurar auxílio apenas quando a doença se encontra em estágio avançado.

Paiva Netto

Ainda hoje, em pleno terceiro milênio, ouve-se nos consultórios médicos que a falta de informação e de exames preventivos leva a maioria das pessoas a procurar auxílio apenas quando a doença se encontra em estágio avançado.
Diante dessa realidade, vi-me no dever de utilizar este espaço para também trazer à população esclarecimentos de especialistas das mais variadas áreas de saúde.
Assisti, no programa Viver é Melhor, na Boa Vontade TV (Oi TV — canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — canal 196), ao valioso bate-papo da jornalista Angélica Beck com o dr. Jorge Mitre, oftalmologista e diretor do Hospital de Olhos de São Paulo.
Destaco, a seguir, alguns trechos dessa entrevista:

Boa Vontade TV: “A questão da saúde dos olhos é algo que as pessoas costumam deixar para cuidar só quando algo incomoda mais seriamente?”.
Dr. Mitre: “Só vamos tratar de nossa saúde quando já estamos com algum problema. Isso é um erro grave. O olho é o órgão que mais fornece, por toda a vida, informações para o ser humano. A criança, por exemplo, não sabe dizer se está enxergando bem ou não. Portanto, quando começar a frequentar a escola, necessitará fazer uma avaliação dos olhos. Talvez ela tenha uma vista boa e a outra ruim e a mãe não saiba. E se tiver doenças prévias na família? Daí a criança já terá de ser monitorada para se avaliar se ela está com boa visão”.

Boa Vontade TV: “A partir de que idade a criança deve ser examinada?”
Dr. Mitre: “Aos 4 ou 5 anos já é uma boa idade, é óbvio, se ela não apresentar nenhum distúrbio antes disso. Por exemplo, um estrabismo, um olho com a pupila branca ou alteração que a mãe ou o pai notem, deve-se procurar imediatamente um oftalmologista”.

Boa Vontade TV: “Um bebê pode desenvolver já nos primeiros meses de vida uma patologia?”
Dr. Mitre: “Algumas doenças são próprias da infância. Por exemplo, o globo ocular vai se formar totalmente por volta do sexto mês de vida intrauterina. Uma criança que nasça com 6 meses tem grande possibilidade de tê-las extremamente graves na retina, porque o sistema vascular do olho não foi totalmente completado. Então, ao sair do útero materno, a colocamos numa incubadora sob alta concentração de oxigênio. A retina sente esse oxigênio muito alto e pode descolar. Com isso, a criança corre o risco de perder a visão. Portanto, ela tem de ser examinada dentro da incubadora pelo oftalmologista e tratada antes que saia, senão será tarde demais”.

Boa Vontade TV: “Os olhos também podem refletir outras alterações no organismo apontando o surgimento de alguma patologia?”
Dr. Mitre: “O olho é o único órgão em que você consegue ver as artérias e as veias ao vivo. As do cérebro, do estômago, do fígado, do pulmão, você não as vê. Vamos supor que a pessoa tenha pressão arterial alta. O organismo dispõe de mecanismos de defesa para diminuir a pressão sanguínea. Os vasos se contraem e se fecham para diminuir o fluxo de sangue, a fim de proteger o coração que está bombeando muito forte. Ao realizar o exame de fundo de olho, podemos perceber esse problema. Outro exemplo é a artrite reumatoide que, também, dá reflexo na visão. O diabetes é outra doença extremamente traiçoeira, que atinge demais as vistas. Depois da catarata, da degeneração de mácula, o diabetes, na população ativa dos 20 aos 50 anos, é o que mais leva à cegueira nos países desenvolvidos. Todo mundo tem um parente ou um amigo diabético cego. Há muita gente perdendo a visão e não está fazendo nada contra isso. (…) Tenho obrigação de alertar o povo do perigo do diabetes. Você que come açúcar, tem excesso de peso e acha que não está acontecendo nada com seu organismo, saiba que está aos poucos perdendo a visão. Na hora em que procurar o oftalmologista, já será tarde demais. Para ilustrar, imagine um cano d’água que passa dentro das paredes da sua casa, se ele tiver um furinho vai provocar umidade, pois é uma área de vazamento. É isso que o diabetes produz dentro do olho. Ele vai produzindo furos nos vasos. O sangue, no lugar de caminhar dentro de um tubo, começa a sair antes da hora, criando micro-hemorragias que podemos identificar no exame de fundo do olho. Depois de algum tempo, isso leva à cegueira. O tratamento exige raio laser ou aplicação de drogas dentro do olho para tentar preservá-lo (…)”.

Boa Vontade TV: “É, portanto, fundamental controlar a glicose…”.
Dr. Mitre: “O controle é importante, contudo, mesmo assim, o diabético não está totalmente imune de perder a visão. Depois de oito a dez anos já começa a apresentar lesões, mesmo que haja controle. Se não cuidar, em três, quatro anos, poderá estar cego, principalmente com o diabetes do tipo 1, que é o de jovem, aquele que tem 18, 19 anos. Você que é garoto se cuide, sua glicemia tem de estar 90, 100 todo dia”.
Eis aí a nossa contribuição para que tenhamos um cuidado maior com a saúde do corpo.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

29set/17

Fraternidade realizadora e direitos humanos

Paiva Netto

Para a 58a sessão da Comissão do Status da Mulher (CSW), que ocorreu na sede da ONU em Nova York, EUA, de 10 a 21 de março de 2014, junto das recomendações da LBV às autoridades no evento, enviei mensagem publicada na revista BOA VONTADE Mulher, especialmente preparada para a ocasião, em português, inglês, francês e espanhol. Por oportuno, apresento a vocês, prezados leitores, alguns extratos:
A mulher tem sido o sustentáculo verdadeiro de todas as nações, quando integrada em Deus ou nos ideais mais nobres a que um ser humano possa aspirar: a Bondade Suprema, o Amor Fraterno, a Justiça Supina, a Fraternidade Real — mesmo não professando uma tradição religiosa. (…)
Congratulamo-nos com as vitórias alcançadas por meio das metas globais de desenvolvimento propostas pela ONU, a partir de 2000. Sabemos, porém, que há muito ainda a fazer pelo próximo. Daí a importância dos temas debatidos pelos estados membros, delegações internacionais, autoridades e demais participantes das reuniões promovidas todos os anos pelas Nações Unidas durante a Comissão do Status da Mulher.
Trata-se de oportuno momento para avaliar os acertos e empenhar-se ainda mais nas melhorias que devem ocorrer, visando a soluções, por exemplo, no campo da educação, da saúde, no combate à pobreza e à violência, entre as quais a hedionda exploração sexual de mulheres, jovens e meninas. Jamais podemos esmorecer no que se refere à luta pela causa da dignidade humana e pela erradicação das desigualdades sociais e de gênero no mundo.
É inadmissível que no planeta, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada três mulheres sofra algum tipo de violência (física e sexual), tendo como autor, por vezes, o próprio parceiro.
É fundamental que igualmente se avance para a extinção da diferença de salários entre os gêneros, no acesso mais equânime a posições gerenciais no mercado de trabalho e na divisão dos afazeres domésticos entre homens e mulheres. Enfim, trata-se sempre de garantir os princípios de cidadania e os direitos humanos.
A propósito, acreditar que possa haver direitos sem deveres é levar ao maior prejuízo a causa da liberdade. (Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres do cidadão acima dos seus próprios direitos, em hipótese alguma defendo uma visão distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas facetas mais abomináveis.) E prossigo: por isso, queremos que todos os seres humanos sejam realmente iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos dos demais cidadãos. Porquanto, liberdade sem fraternidade é condenação ao caos.
Trabalhamos, pois, por uma sociedade em que o Criador e Suas Leis de Amor e Justiça inspirem zelo à liberdade individual. É o que nos suscita o Natal Permanente de Jesus, a mensagem universalista do Libertador Divino, Aquele que, pelo Seu sacrifício, se doou pela Humanidade. Tudo isso para garantir segurança política, social, jurídica, sob a Sua visão divina (…).
A escritora, filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) belamente expressou-se sobre a importância da solidariedade e dedicação ao próximo ao dizer: “A vida conserva seu valor enquanto atribuímos um valor à vida dos outros, por meio do amor, da amizade, da indignação, da compaixão”.
As virtudes reais, de fato, serão aquelas constituídas pela própria criatura na ocupação honesta dos seus dias, na administração dos seus bens e no respeito pelo que é alheio, na bela e instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de tais elementos será sempre forte e inviolável.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

27set/17

Reflexão de Boa Vontade

Reconhecer defeitos próprios é saída para crise

Paiva Netto

Quando almejamos o apuramento das coisas, é imprescindível que localizemos o que está errado, a começar no nosso íntimo, porquanto, se não reconhecermos os nossos defeitos, como nos poderemos corrigir? Temos basicamente de deixar de enganar-nos a nós próprios, sob o risco de encenarmos, como protagonistas, este desabafo de La Fontaine (1621-1695): “A vergonha de confessar o primeiro erro leva-nos a muitos outros”.
Ora, isso se aplica a todos e a tudo para a melhor convivência global.
Tomemos como exemplo a atual crise. O capitalismo é uma sucessão delas. O que está a exigir, agora mais do que nunca, além das medidas técnicas corretivas, uma reforma que tenha como bandeira a dignidade, o respeito à criatura humana. Do contrário, a próxima explosão da bolha será muito pior que a da primeira década do século 21.

Erigir uma comunidade mundial mais responsável
Retificar esse costume doentio seria, digamos para argumentar, um categórico primeiro passo para erigir-se, no decurso do terceiro milênio, uma nova comunidade mundial mais responsável, portanto, com menos repentinas crises, incluídas as financeiras e econômicas — embora possível e ciclicamente armadas e previstas, pelo menos por aqueles que vivem a tirar ganancioso proveito do que a multidão nem imaginava acontecer. Junte-se a isso as proclamadas omissões e displicências de certos governos a fomentar sequelas como a grave questão do desemprego; a falta de uma melhor regularização e fundamentos econômicos sólidos; as estimativas equivocadas da situação econômica; e as inefáveis cobiça e arrogância, que têm sido o túmulo de tanta coisa apreciável que nem ao menos teve tempo de nascer, para orfandade das massas. Como vaticinava o Gandhi (1869-1948), “chegará o dia em que aqueles que estão na corrida louca de multiplicar os seus bens na vã tentativa de engrandecimento (extensão de territórios, acúmulo de armas, de riquezas, de poderes…) reavaliarão os seus atos e dirão: Que fizemos nós?”.
Por isso tudo, prefiro primeiramente confiar em Jesus, que o Mahatma, indiano, mas acima de tudo universalista, tanto respeitava, assim como o fazem os irmãos islâmicos. O Cordeiro de Deus não trai nem entra em crise. Para nossa segurança, Ele havia-nos confortado, ao revelar:
“Eu sou o Pão da Vida; quem vem a mim de forma alguma terá fome; e quem em mim crê jamais terá sede! (…) Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém dele comer, viverá eternamente” (Evangelho, segundo João, 6:35 e 51).
Ora, tudo neste planeta pode ficar além do controle dos homens, mas nada escapa ao comando de Deus. Todavia, quando os seres humanos verdadeiramente se reúnem com o fito de achar-se uma solução, mesmo que para os mais espinhosos problemas, ela surge. Mas é “preciso que haja Boa Vontade”, consoante propunha o saudoso fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), desde que não seja confundida com boa intenção, com a qual está calçado o inferno, como diz o povo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

21set/17

Desarmar os corações

Paiva Netto

Relendo o meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade, lançado em 8 de novembro de 2014, achei alguns modestos apontamentos, os quais gostaria de apresentar a vocês, que me honram com a leitura.
Por infelicidade, os povos ainda não regularam suas lentes para enxergar que a verdadeira harmonia nasce no íntimo esclarecido de cada criatura, pelo conhecimento espiritual, pela generosidade e pela justiça. Consoante costumo afirmar e, outras vezes, comentarei, eles geram fartura. A tranquilidade que o Pai-Mãe Celeste tem a oferecer — visto, de lado a lado, com equilíbrio e reconhecido como inspirador da Fraternidade Ecumênica — em nada se assemelha às frustradas tratativas e acordos ineficientes ao longo da nossa História. O engenheiro e abolicionista brasileiro André Rebouças (1838-1898) traduziu em metáfora a inércia das perspectivas exclusivamente humanas: “(…) A paz armada está para a guerra como as moléstias crônicas para as moléstias agudas; como uma febre renitente para um tifo. Todas essas moléstias aniquilam e matam as nações; é só uma questão de tempo”. (O destaque é nosso.)
Ora, vivenciar a Paz desarmada, a partir da fraternal instrução de todas as nações, é medida inadiável para a sobrevivência dos povos. Mas, para isso, é preciso, primeiro, desarmar os corações, conservando o bom senso, conforme enfatizei à compacta massa de jovens de todas as idades que me ouviam em Jundiaí/SP, Brasil, em setembro de 1983 e publiquei na Folha de S.Paulo, de 30 de novembro de 1986. Até porque, como pude dizer àquela altura, o perigo real não está unicamente nos armamentos, mas também nos cérebros que criam as armas; e que engendram condições, locais e mundiais, para que sejam usadas, que pressionam os gatilhos e os dedos os quais apertam os botões.
Armas sozinhas nada fazem nem surgem por “geração espontânea”. No entanto, são perigosas mesmo que armazenadas em paióis. Podem explodir e enferrujam, poluindo o ambiente. Elas são efeito da causa ser humano quando afastado de Deus, a Causa Causarum*, que é Amor (Primeira Epístola de João, 4:16). Nós é que, se distantes do Bem, somos as verdadeiras bombas atômicas, as armas bacteriológicas, químicas, os canhões, os fuzis, enquanto descumpridores ou descumpridoras das ordens de Fraternidade, de Solidariedade, de Generosidade e de Justiça do Cristo, que é o Senhor Todo-Poderoso deste orbe.
No dia em que o indivíduo, reeducado sabiamente, não tiver mais ódio bastante para disparar artefatos mortíferos, mentais e físicos, estes perderão todo o seu terrível significado, toda a sua má razão de “existir”. E não mais serão construídos.
É necessário desativar os explosivos, cessar os rancores, que insistem em habitar os corações humanos. Eis a grande mensagem da Religião do Terceiro Milênio, que se inspira no Cristo, o Príncipe da Paz: desarmar, com uma força maior que o ódio, a ira que dispara as armas. Trata-se de um trabalho de educação de largo espectro; mais que isso, de reeducação. E essa energia poderosa é o Amor — não o ainda incipiente amor dos homens —, mas o Amor de Deus, de que todos nós nos precisamos alimentar. Temos, nas nossas mãos, a mais potente ferramenta do mundo. Essa, sim, é que vai evitar os diferentes tipos de guerra, que, de início, nascem na Alma, quando enferma, do ser vivente.
As pessoas discutem o problema da violência no rádio, na televisão, na imprensa ou na internet e ficam cada vez mais perplexas por não descobrir a solução para erradicá-la, apesar de tantas e brilhantes teses. Em geral, procuram-na longe e por caminhos intrincados. Ela, porém, não se encontra distante; está pertinho, dentro de nós: Deus!
“(…) o Reino de Deus está dentro de vós” Jesus (Lucas, 17:21).
E devemos sempre repetir que o Pai Celestial é Amor! Não o amor banalizado, mas a Força que move os Universos. Lamentavelmente, a maioria esmagadora dos chamados poderosos da Terra ainda não acredita bem nesse fato e tenta em vão desqualificá-lo. São os pretensos donos da verdade… Entretanto, “o próximo e último Armagedom mudará a mentalidade das nações e dos seus governantes”, afiançava Alziro Zarur (1914-1979). E eu peço licença a ele para acrescentar: governantes sobreviventes.
Conforme anunciado no austero capítulo 16, versículo 16, do Livro da Revelação, o Apocalipse, “Então, os ajuntaram num lugar que em hebraico se chama Armagedom”. (Armagedom, local onde reis, príncipes e governantes são agrupados para a batalha decisiva.)

Sobrepujar os obstáculos
Zarur dizia, “na verdade, quem ama a Deus ama ao próximo, seja qual for sua religião, ou irreligião”.
Recordo uma meditação minha que coloquei no livro Reflexões da Alma (2003): O coração torna-se mais propenso a ouvir quando o Amor é o fundamento do diálogo.
E um bom diálogo é básico para o exercício da democracia, que é o regime da responsabilidade.
Ao encerrar este despretensioso artigo, recorro a um argumento que apresentei, durante palestras sobre o Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, apropriado igualmente aos que porventura pensem que a construção responsável da Paz seja uma impossibilidade: (…) Isso é utopia? Ué?! Tudo o que hoje é visto como progresso foi considerado delirante num passado nem tão remoto assim. (…)
Muito mais se investisse em educação, instrução, cultura e alimentação, iluminadas pela Espiritualidade Superior, melhor saúde teriam os povos, portanto, maior qualificação espiritual, moral, mental e física, para a vida e o trabalho, e menores seriam os gastos com segurança. “Ah! é esforço para muito tempo?!” Então, comecemos ontem! Senão, as conquistas civilizatórias no mundo, que ameaçam ruir, poderão dar passagem ao contágio da desilusão que atingirá toda a Terra.


  • Causa Causarum — Expressão em latim que significa Causa das causas — no caso, Deus.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

14set/17

Caridade Integral

Paiva Netto

Meditando sobre o imenso valor da Caridade, ressalto que não basta dar o pão material, que depois pelo corpo é lançado fora… Necessário se faz também atender às carências do Espírito, de modo que ele, mesmo quando reencarnado, descubra as extraordinárias qualidades que, como Templo do Deus Vivo, traz dentro de si próprio. Assim aprenderá a empregá-las com pleno conhecimento das Leis Divinas. E saberá livrar-se dos erros, cuja origem — para os que têm “olhos de ver e ouvidos de ouvir” — acha-se no campo espiritual. Espírito enfermo, matéria enferma. Mente perturbada, corpo afetado. A solução é psicossomática. Pensamento é força realmente. Escreveu Adelaide Coutinho (1905-1975 aprox.), pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier: “Se não lapidarmos o coração, sobrevém, para nós, a tempestade. São os votos malcumpridos, as promessas olvidadas, as tarefas no abandono, os compromissos relegados ao esquecimento e a ânsia doentia de colher sem plantar e auferir lucros sem esforços, na grande jornada da matéria, em que, juntos de nossos amigos e adversários, tanto poderíamos realizar em nosso próprio proveito”, completadas por estas de Emmanuel (Espírito): “O desânimo absorve-te o coração? Lembra-te de que o tédio é um insulto à fraternidade humana, porque a dor e a necessidade, a tristeza e a doença, a pobreza e a morte não se acham longe de ti”.
Eis por que a Legião da Boa Vontade não cuida somente do corpo, mas também do Espírito. De outra forma, há sempre o perigo de se promover a vagabundagem, coisa que absolutamente não fazemos. Como dizia o abade, poeta e tradutor francês Jacques Delille (1738-1813), “a Caridade que se faz por meio de esmola é uma forma de conservar a miséria”.
Que ninguém, todavia, se furte ao dever de ajudar. Amanhã poderá situar-se entre os suplicantes, necessitado urgente da esmola do que passa… “Hodie mihi, cras tibi.” (Hoje, eu; amanhã, você.)
Alimente-se, pois, o corpo combalido, mas que se lhe salve a Alma com o Evangelho e o Apocalipse de Jesus, em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento, de forma que o ser humano, conhecendo e vivendo as Leis de Deus, livre de sectarismos e fanatismos que tanto têm prejudicado as religiões no mundo, descubra que, sendo Templo do Deus Vivo, como ensinava Jesus, pode libertar-se da miséria. Descoberta a riqueza interior, a exterior, mais dia menos dia, surgirá. Analisando o trabalho de grandes pensadores, escreveu Henry Thomas (1886-1970) a respeito do filósofo e físico judeu-árabe Maimônides (1135-1204), conhecido como o Aristóteles da Idade Média: “(…) É especialmente famoso pelos seus Oito Degraus de Ouro da Caridade. Neste ensaio, expõe que há uma diferença entre dar e dar. Podeis dar com a mão, o pensamento e o coração. O primeiro e mais baixo degrau na escala da Caridade é dar com relutância. O segundo é dar insuficientemente. O terceiro é dar somente quando se é solicitado. E, assim por diante, até chegarmos ao oitavo degrau. Este é impedir a pobreza para evitar a necessidade da caridade. Este, conclui ele, é o mais alto degrau e o cume da escada de ouro da Caridade”.
Entretanto, não se deve restringir a Caridade ao louvável serviço da assistência material. Caridade é muito mais. Dirige-se ao Espírito do ser humano. Mesmo que os governos do mundo resolvessem toda a problemática social de seus povos, a Caridade seria necessária. Ela é, como prega a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, Amor. Deus é Amor. Ninguém vive sem Ele, nem mesmo os Irmãos ateus…

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

11set/17

Vá sem pressa, faça uma prece!

Paiva Netto

Sempre tenho chamado a atenção das pessoas para que tomem cuidado com o trânsito nas estradas e nas metrópoles.
Há muitos anos, num editorial do conceituado jornal brasileiro Folha de S.Paulo, encontrei este pensamento de Goethe (1749-1832), famoso vate e escritor alemão: “A morte é, de certa forma, uma impossibilidade que, de repente, se torna realidade”. Realmente, a maioria dos seres humanos não pensa que um dia terá de “passar desta para melhor ou para pior”, de acordo com o seu comportamento na Terra.
O grande equívoco da Humanidade é viver como se depois da morte nada houvesse. Certamente, conforme nos revelam os Mentores Espirituais, um dos maiores dramas na Pátria da Verdade é a chegada de multidões livres das algemas da carne, mas completamente ignorantes do que seja o Mundo Invisível.
Mas voltemos ao editorial da Folha de S.Paulo sobre violência no trânsito, cujo conteúdo, infelizmente, ainda é atualíssimo: “(…) a frase do grande poeta alemão reflete com admirável precisão a maneira como muitos encaram a morte. E não resta dúvida de que essa visão é especialmente comum entre os jovens, cuja inexperiência aliada a um arrebatamento natural como que lhes confere um sentimento de onipotência e imortalidade. E esse sentimento, por ser extremamente enganoso, tem muitas vezes consequências terríveis. As mais notáveis e perversas se fazem ver no alto índice de envolvimento de jovens em acidentes de trânsito no mundo inteiro. Desastres do tráfego já são a principal causa de morte nessa faixa etária, fazendo mais vítimas do que a aids ou outras doenças incuráveis”.
Não adianta dispor leis para os seres humanos. É preciso prepará-los para a Lei. O código de trânsito já existe. Todos sabem que têm de utilizar o cinto de segurança, diminuir a velocidade e respeitar sinais e faixas. No entanto, por que muitos não cumprem essas normas? Talvez porque não valorizem a própria existência.
A campanha Vá sem pressa, faça uma prece!, promovida pela Legião da Boa Vontade (LBV), visa à conscientização de motoristas e pedestres, para que venham a acatar as leis de trânsito por Amor à sua vida e à dos semelhantes.
Fica aqui, portanto, a nossa contribuição para o fim da violência no trânsito, de forma que a velocidade irresponsável ainda existente nas ruas se sublime em atos cada vez mais velozes de respeito a todos e de socorro às pessoas em situação de pobreza. Eis o nosso lema: Promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, no despertar do Cidadão Planetário.
Vá sem pressa, faça uma prece!

LBV — trânsito livre para a Vida
Educação e trânsito
Lamentavelmente, poucos refletem no fato de que, no Brasil, o trânsito tem feito um número maior de vítimas do que muitas guerras. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em média 150 pessoas morrem por dia nesses acidentes no Brasil. Boa parte desses casos não ocorreria se motoristas e pedestres fossem mais prudentes e observassem dicas simples ao conduzir um veículo ou ao atravessar uma rua. Atitudes iguais a essas evitariam o sofrimento de milhares de famílias e o prejuízo que, todos os anos, é superior a R$ 30 bilhões, segundo estimativas do Denatran, em consequência dos acidentes de trânsito nas rodovias e vias urbanas.
Por isso, é fundamental:
— não dirigir cansado, sob a influência de emoções ou sob efeito de bebidas alcoólicas e/ou de qualquer substância entorpecente;
— não trafegar acima dos limites de velocidade;
— usar constantemente o cinto de segurança;
— conhecer bem o veículo que se dirige e mantê-lo em boas condições de funcionamento;
— desenvolver uma direção defensiva, prevenindo, dessa maneira, acidentes; e
— levar as crianças até 10 anos de idade no banco traseiro do carro.
A conscientização é o primeiro passo para o fim da “guerra” nas estradas e ruas brasileiras. Para isso, é muito importante, acima de tudo, que a Boa Vontade esteja presente entre motoristas e pedestres.
Vivamos, todos nós, em paz no trânsito!

A Prece do Motorista*
Extraída da revista BOA VONTADE no 26, de agosto de 1958, a oração ficou famosa na interpretação de Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da LBV e Proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, em seus programas radiofônicos.
“Jesus,
“quero que sejas
“a Luz dos meus olhos,
“para que eu veja sempre o caminho certo!
“O Guia dos meus braços,
“para que eu me dirija sempre para o Bem!
“A Força da minha vida,
“para que eu resista na luta diária pelo pão!
“O meu Amigo constante,
“para que eu sirva a todos com Boa Vontade!
“O Amor do meu coração,
“para que eu ame a todos como a mim mesmo!
“Que a Paz de Deus ilumine os nossos caminhos.
“E viva Jesus!”

Nota do autor
* Constante de meu livro Ao Coração de Deus — Coletânea Ecumênica de Orações (versão pocket), 69a edição, p. 139, publicada pela Editora Elevação.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

23ago/17

Conscientização hoje…

… antes que seja tarde para os inquilinos da Terra.

Paiva Netto

Durante a 21a Conferência das Partes (COP 21), realizada de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, em Paris, na França, apresentei contributo modesto aos debates que a agenda do clima urgentemente reclama. Por ser um tema sempre atual, compartilho com vocês, prezados(as) leitores(as), alguns extratos do documento que enviamos ao evento:
Há décadas, venho insistindo que a destruição da Natureza é a extinção da raça humana. Fica evidente que essa não é uma simples frase de efeito para chamar a atenção desta Humanidade, sempre apressada, muitas vezes rumo ao próprio extermínio.
Em geral, as criaturas se movem como se não houvesse amanhã. Desse modo, deixam de avaliar o resultado futuro de seus atos no presente. É preocupante, porque, quando os efeitos devastadores da má semeadura chegam, o quadro pode ser irreversível ou acompanhado de imensos prejuízos.
Sustentabilidade é palavra da moda. Contudo, agimos em consonância com seu significado? Os problemas relacionados aos recursos naturais aumentam a cada dia. Vejam a diminuição dos reservatórios de água em diversas cidades brasileiras e do mundo!
Vez por outra, vêm à tona estudos demonstrando que qualquer ação desenfreada contra o meio ambiente traz algum tipo de desequilíbrio local ou à distância. Mesmo assim, as árvores continuam sendo “estorvo” ou objeto de ganância sem fim na Amazônia, na Mata Atlântica ou em qualquer lugar. Até quando?

Atitudes decididas de preservação
Na década de 1980, pesquisadores já alertavam para o risco de a capital bandeirante vivenciar clima semelhante ao do Nordeste do Brasil. Com seguidas massas de ar seco sobre a região, falta de chuva recorrente, poluição sem controle, sua famosa marca de “terra da garoa” vai ficando no passado. Ainda que o comportamento climático também seja cíclico, tal fato não sugere que devamos baixar a guarda.
A esperança é que o povo — e isso em todo o orbe, desde as pessoas mais simples às que dirigem as nações — tome atitudes decididas de preservação de nossa espécie. Se as coisas persistirem como andam, lá na frente poderemos ler anúncios assim: “Restam poucos exemplares humanos em tal localidade. A região, antes repleta de vida, tornou-se hostil, sendo totalmente prejudicada pela aridez e pela falta de visão de seus moradores”. Pode ser chocante, mas os filhos da atual geração e, posteriormente, netos dela própria pedem socorro aos que hoje gastam, de maneira condenável, o que o planeta lhes oferece.

Hawking: colonizar o espaço para sobreviver
O conceituado astrofísico inglês Stephen Hawking chegou mesmo às raias de afirmar ao site Big Think que “nossa única chance de sobrevivência em longo prazo não é permanecer na Terra, mas se espalhar pelo espaço”. E prossegue: “Eu vejo um grande perigo para a raça humana. Houve vezes, no passado, em que a sobrevivência [do ser humano] foi incerta. (…) Nossa população e o uso de recursos finitos do planeta Terra estão crescendo exponencialmente, assim como nossa capacidade técnica de mudar o ambiente para o bem e para o mal”, disse Hawking. Vejam que não se trata de nenhum alarmista.
É de se destacar também que muita gente idealista e pragmática — a exemplo do próprio ex-professor lucasiano emérito da Universidade de Cambridge — vem dando voz ativa à fauna e à flora que nos cercam. Entretanto, é preciso que essa consciência se multiplique por toda parte, começando pelas crianças, em casa e nas escolas.

Aplacar as tempestades
Confiantes, rogamos a Deus que aplaque as intempéries meteorológicas que levam, todos os anos, sofrimento a multidões no mundo. E sejamos cidadãos conscientes de que, se merecedores, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, em pessoa novamente, fará os prodígios relatados no Evangelho, segundo Lucas, 8:24, quando o Celeste Timoneiro acalma uma tempestade.
O Mestre dos Milênios virá e repreenderá o vento e a fúria da água, hoje simbolizada igualmente pela sua escassez. Usufruir de bonança na atualidade depende do convívio harmônico com a Natureza.
E finalizo este texto com trechos da mensagem “LBV, Rio-92 e os desafios da Rio+20”, que humildemente enderecei aos chefes de Estado do mundo inteiro e a suas comitivas, além de aos representantes da sociedade civil, presentes à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), a Rio+20, realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012, na capital fluminense. Especialmente para o evento, remetemos a revista especial BOA VONTADE Meio Ambiente nos idiomas português, inglês, espanhol e francês:

Gente que luta
Para que nosso planeta sobreviva aos efeitos de tanta ganância pelos séculos, verdade seja dita, temos visto notáveis esforços de pesquisadores e de cidadãos engajados na melhora da qualidade de vida por todo o globo. Aliados às iniciativas que buscam a alimentação saudável, por intermédio da agricultura orgânica, meios de transporte alternativos e a proteção do meio ambiente, pela reciclagem e pelo tratamento racional do lixo e aproveitamento das águas da chuva, excelentes trabalhos de cientistas e outros estudiosos prometem bons resultados no curto e no longo prazo. Por exemplo, é intensa a pesquisa na área energética, sobretudo em relação a fontes renováveis e limpas: biocombustível, biomassa, energia azul, energia geotérmica, energia hidráulica, hidreletricidade, energia solar, energia maremotriz, energia das ondas e energia eólica, além de outros objetos de estudo pouco conhecidos e aqueles que nem mesmo sabemos ainda que serão descobertos. A Fé é o combustível das Boas Obras.

“Não jogam a toalha”
Destaco, por devido, o esforço militante, pela causa do meio ambiente, de entidades governamentais e do Terceiro Setor, sérias e ativas, no Brasil e no mundo; de multidões de idealistas que “não jogam a toalha” e continuam na linha de frente pelejando por um planeta realmente melhor.
Nosso brado é este: Educar. Preservar. Sobreviver. Humanamente também somos Natureza.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

11ago/17

Pais de boas obras

Paiva Netto

Dia dos Pais! Nosso pensamento se eleva em primeiro lugar ao Pai de todos, o Celestial, que gerou nossos pais e fez igualmente de nós pais. Alguns argumentam: “E como ficam os homens que não têm filhos?”
Já expliquei que pai também é aquele que faz nascer boas obras — como que suas filhas —, o que levanta indispensáveis construções espirituais e sociais — como que seus filhos. Grandes figuras da Humanidade não foram genitores no sentido literal da palavra, contudo trouxeram à Terra filhos livros, descobertas científicas e desbravamentos filosóficos, morais, políticos, religiosos. São admiráveis descendentes que beneficiam multidões, geração após geração.
Aos pais de filhos espirituais, carnais, morais, sociais, o reconhecimento fraterno da Legião da Boa Vontade, dos seus Centros Comunitários, Educacionais, Culturais, Artísticos, Esportivos, do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, do Centro Comunitário de Assistência Social Alziro Zarur, da LBV, em Glorinha/RS, de todas as obras que sustentamos pela força da Fé Realizante, porque a Fé, ensinou Jesus, remove montanhas.
E mais afirmou o Divino Chefe: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).
A quantos o Excelso Taumaturgo tem convidado: “Levantai e andai!” (Evangelho, consoante Lucas, 5:23). E caminharam. A quantas pessoas ordenou: “Vede!” E viram. O Cristo curou cegos de nascença (Evangelho, segundo João, 9:1 a 91). Porque a cada um, Ele mesmo adverte: “de acordo com as obras de cada um” (Evangelho, segundo Mateus, 16:27, e Apocalipse, 20:13).
Seres de Boa Vontade, do Brasil, do mundo, do plano espiritual ainda invisível aos nossos parcos sentidos físicos, para a frente e para o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista! Como disse o Irmão André Luiz, Espírito: “A LBV é a nossa caravana de agora. Não nos iludamos: Jesus segue na vanguarda do nosso Movimento”.

Oração dedicada aos pais
Vamos elevar o nosso pensamento a Deus, ao Pai Celestial. Pedir a Ele a proteção para os pais terrenos. Na dor, no sofrimento, na guerra, a primeira invocação que se ouve por parte dos que padecem é o nome daqueles que os geraram. Agora, vamos orar a Prece Ecumênica de Jesus, a Oração do Senhor deste planeta, que se encontra no Seu Evangelho, segundo Mateus, 6:9 a 13.

“Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque Vosso é o Reino, e o Poder, e a Glória para sempre. Amém!”

O sentido da liberdade verdadeira
“O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores.”
Fosse essa a súplica permanente do mundo e muita coisa se transformaria. Porque, para começar, estaríamos pedindo ao Criador o pão espiritual, a fortaleza para a nossa mente, o sentido da liberdade verdadeira, a independência de julgamento, que só pode vir pela celeste inspiração. Se o corpo precisa do alimento material, o Espírito necessita do pão da liberdade.
Mas o que é a liberdade? As mãos livres para fazer mal ao semelhante? Para infamar, para caluniar, uma comunidade, uma família? Não! Isso seria o mal estabelecido. A liberdade tem de ser iluminada pelo coração que ama, respeitando-se a Justiça que provém de Deus. Isso é que é moral, justo! Todavia, para que essa concepção possa, na verdade, viger, edificando um país, temos de procurar a compreensão do que seja realmente a Lei Divina.
Urge nos conscientizarmos de que o Amor Fraterno é também Justiça, não condescendência com o erro. Alguém pode perguntar: “Mas o que está certo e o que está errado?”
O que causa prejuízo e dor não pode estar correto. O desequilíbrio da Humanidade vem muito disso.

Jesus como paradigma
Salve o Dia dos Pais, o Dia das Mães, dos Avós! Salve Jesus! Às crianças e aos jovens do Brasil e do exterior, a nossa saudação! Que a grama verde (a mocidade), descrita no estudo sem tabus do Apocalipse, não seja destruída. Do contrário, não haverá continuidade de vida na Terra. E quando falamos não ser aniquilada a juventude, não pensamos somente no sentido restrito da morte do corpo físico, porque, se a consciência estiver falida, estaremos mortos também. Existem o intelecto e a consciência. A segunda conduz-nos à sabedoria, quando iluminada, se assim o quisermos, pela Bondade Divina.
Que a Paz de Deus esteja agora e sempre no coração de todos e de todas, quer acreditem na Espiritualidade Superior, quer sejam ateus ou ateias. O importante é ser honesta, digna; ser honesto, digno. Aí está o segredo: Jesus como paradigma! Que Ele tenha piedade de nós, e que a Sua generosidade conduza os nossos destinos!
Finalizando, registro, emocionado, meus sinceros agradecimentos ao meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000). Um dos principais responsáveis pela minha formação cultural, ainda que modesta. Constantemente me presenteava com livros, preocupado que foi com a educação do filho, como também de minha irmã, Lícia Margarida (1942-2010). Receba, seu Bruno, onde estiver, ao lado de dona Idalina (1913-1994), um beijo no coração!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

02ago/17

Hiroshima

Paiva Netto

Em 6 de agosto de 2017, precisamente às 8h15, completam-se 72 anos do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, depois foi a vez de Nagasaki, também no Japão. Data que jamais será varrida das consciências sob risco de que — esquecidos desse abominável atentado à vida humana — o repitamos num grau de intensidade ainda maior, devastando não apenas uma cidade, mas o próprio planeta.

Um pouco de história
Agosto de 1945. Na Europa, Hitler (1889-1945) se encontrava derrotado e morto. Berlim, destruída e ocupada pelos russos. Em 25 de julho, dias antes do impacto de “Little Boy” — apelido do petardo de cinco toneladas que matou cerca de 100 mil pessoas em solo japonês —, o presidente norte-americano, Harry Truman (1884-1972), decide usar contra o naquele tempo inimigo asiático o que ele mesmo designou em seu diário como “a coisa mais terrível já descoberta”.
Paul Tibbets (1915-2007) foi o piloto da marinha escolhido para comandar o B-29 que decolou da ilha de Tinian. O avião, batizado com o nome de sua mãe, Enola Gay, levantou voo às 2h45min. Ao seu lado, na missão que entraria para a história e mudaria a geopolítica do século 20, estava o copiloto Robert Lewis, autor da famosa exclamação: “Meu Deus, o que fizemos!”
Décadas se foram. Todavia, o relato de muitos sobreviventes a respeito do sofrimento atroz por que passaram é, sem dúvida, uma das mais importantes bandeiras na luta pelo desarmamento e pela não proliferação de armas nucleares.

“O perigo é real”
Contudo, acontecimentos diversos continuam sugerindo que a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial não é ilusória. A Humanidade corteja a morte. Basta lembrar os maus-tratos que promove contra sua própria moradia. A paz quase que não tem passado de figura de retórica. Em grande parte da trajetória humana, o período em que ela prevaleceu é ínfimo. Se é que já houve verdadeira paz neste mundo… Somente na Alma de alguns bem-aventurados é que tem conseguido habitar. Por isso, com certeza, advertiu o papa João Paulo II (1920-2005), numa memorável alocução, na década de 1980, que “o perigo é real”.
A concórdia entre religiosos é a primeira a ser conquistada. A paz de consciência dos seres terrenos, gerada por uma nova postura ecumênica, porquanto altamente fraterna, prenuncia a paz social, a paz entre as instituições e a desejada paz mundial, sob a proteção do Pai Celeste, o maior diplomata da história deste orbe, não obstante nosso recorrente mau uso do livre-arbítrio. Para os que riem dessa realidade, uma pequena recordação do cético Voltaire (1694-1778): “Se Deus não existisse, precisaria ser inventado”.

John Kennedy e a Paz
Muitas nações não estão diretamente envolvidas nos conflitos armados que nos flagelam, porém todas sofrem a opressão do medo ou da miséria, pela violência dos armamentos novos ou pelo desvio global de verba para a indústria da morte. Tudo isso em prejuízo da justa economia que gera instrução, educação, espiritualização, segurança, alimentação e saúde dos povos. Portanto, a guerra nos ofende a todos nestes tempos de comunicação rápida e de temporais de informações, que ameaçam, com seus raios e trovoadas, dar curto-circuito nos cérebros. Daí a inclusão que faço, neste bate-papo com vocês, do pensamento de John Kennedy (1917-1963): “Só as armas não bastam para guardar a paz. Ela deve ser protegida pelos homens (…). A mera ausência de guerra não é paz”.
A Terra só descobrirá a Paz quando viver o Amor espiritual e souber reconhecer a Verdade Divina. No entanto, a Divina Verdade de um Deus que é Amor. Não a de um ser brutal e vingativo, inventado pelos desatinos humanos.
De fato, o perigo continua real. E nós, como tontos, no meio dele, nessa “briga de foice no escuro”. “Quousque tandem, Catilina?”
É essencial salientar as propostas e ações de autêntico entendimento. Conflitante rota para os povos será a do remédio amargo.
Por isso mesmo, não percamos a esperança. Perseveremos trabalhando “por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz”. Eis a direção da vitória. E não se trata de argumento simplório. A vida ensina, mas quantos de nós aprendemos a tempo?
As soluções dos graves problemas de nossa sociedade passam pela devida valorização do Capital de Deus, ou seja, o Espírito Eterno do ser humano. Do contrário, acabaremos por enfrentar um conflito mundial maior que as duas grandes guerras do século 20 que, numa análise histórica, podem ser classificadas como uma só dividida em duas partes. Que Deus nos livre da terceira!

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

25jul/17

Não se aposente da vida

Paiva Netto

Por ocasião do Dia dos Avós, comemorado em 26/7, recordei-me de minha saudosa vó Laura. Viveu nesta encarnação 99 anos, lúcida, ativa e juvenil. Veio a falecer — vejam vocês o dinamismo dela — alguns dias depois de voltar da feira, e por causa de um acidente quando retornava para casa. Com sua sabedoria, adquirida nos longos embates da vida, ensinava: “Aos que chegam, na sua existência, ao fundo do poço, só resta levantar a cabeça e começar a subir”. Sábias palavras.
Por sinal, em palestra que proferi sobre o que é ser jovem, veiculada pela Super RBV de Comunicação (rádio, TV e internet), destaquei esta máxima de Samuel Ullman (1840-1924), a qual muito aprecio: “A juventude não é um tempo de vida, é um estado de espírito”. Por isso, ao ouvir o incentivo que damos ao Jovem de Boa Vontade, o vovô ou a vovó jamais deve sentir-se excluído das nossas atividades. Eu mesmo, com muito gosto, já tenho quase 80 anos. Há décadas venho dizendo: aposentar-se do trabalho não significa aposentar-se da vida. Ela continua sempre. Portanto, é um erro descartar grandes valores porque estão “em idade avançada”. Descobertas importantíssimas foram feitas por homens e mulheres quando ultrapassavam os 60, 70 ou 80 anos. É preciso, pois, aliar ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia dadivosa dos mais moços.
Enquanto houver um sopro de vida, de alguma maneira poderemos ser úteis. Façamos continuamente o Bem.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

11jul/17

A queda de todas as bastilhas

Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia, de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.

Paiva Netto

Dia 14 de julho. Completam-se 228 anos da Queda da Bastilha, episódio que deflagrou a Revolução Francesa (infelizmente manchada pelo sangue dos guilhotinados), cujas origens remontam aos enciclopedistas, vanguardeiros do iluminismo. Relativo ao tema, selecionei apontamentos meus, ao longo do tempo, de palestras, programas de rádio, TV e de artigos publicados no Brasil e no exterior.
Não tenho pretensão de discutir aspectos históricos ― existem bons livros para isso ―, contudo extrair uma importante analogia sobre quanto ainda é forçoso trilhar a fim de que as populações da Terra deixem ruir de suas mentes e corações a pior de todas as bastilhas: a ignorância acerca da realidade gritante da vida após o fenômeno da morte. Fator decisivo para que a valorização do ser integral (corpo e Espírito) dite as regras dos governos das nações no Terceiro Milênio: Quando garoto, devia ter 9 para 10 anos, assisti com meu pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000), no Rio de Janeiro, a um filme sobre o 14 de Julho.
Nos séculos 17 e 18, o absolutismo monárquico atingira intensa projeção. Como geralmente acontece nas relações cotidianas, se afastadas do respeito ao Espírito Eterno do ser humano, houve por parte da monarquia francesa um descaso tremendo com as necessidades básicas do seu povo, cuja expressão mais grotesca seria a frase que teria sido proferida pela rainha Maria Antonieta (1755-1793), ao ser informada por um dos cortesões de que o barulho que a importunava vinha das massas famintas clamando por pão: “Por que não comem brioche?”.
Tal contingência desumana tinha de desmoronar por força do curso inexorável da História. A população de Paris, em 14 de julho de 1789, desesperada, marchou contra a prisão, símbolo da tirania de que desejava livrar-se.

Abrir caminhos
Nesse filme há uma cena impressionante. Ela representa as pessoas que não temem abrir caminhos: o povo estava de um lado e aqueles que protegiam a Bastilha, do outro. Entretanto, os que ameaçavam invadi-la, com temor, não avançavam. De repente, um homem destacou-se do meio daquela multidão e atravessou a ponte que cobria o fosso, sendo abatido por uma descarga de tiros. Esse ato de coragem fez com que os demais o imitassem e, assim, conseguissem entrar na fortaleza. Parece perspectiva romântica de um momento trágico, porém retrata de modo irretocável uma verdade: há sempre alguém que se sacrifica pela mudança substancial do status quo. Não é preciso levar bala para que as transformações ocorram. Há outros choques que ferem mais os vanguardeiros, a exemplo da incompreensão, da inveja, do preconceito, da perseguição e do boicote.
Na sequência do longa-metragem, observamos a tomada da prisão, destruída de cima a baixo.
Existem aqueles que, tentando minimizar o fato histórico, apresentam uma argumentação frugal de que o famoso cárcere não mais tinha relevância naquele período, pois apenas uns poucos presos lá se encontravam.
Ora, o que o povo demoliu não só foi a construção de pedra; no entanto, o mais expressivo emblema, para ele, do absolutismo dinástico!
E a palavra dinastia pode, por extensão, significar muita coisa, uma vez que funciona tanto no feudalismo quanto na burguesia, no capitalismo e no próprio comunismo. Dinastia não implica somente a sucessão por sangue. Existe uma pior: a da ambição desmedida que arrasa o ser vivente, sob qualquer regime.

Uma nova civilização
Hoje se faz necessário pôr abaixo as bastilhas invisíveis, todavia, de consequências bem palpáveis: espirituais, morais, psicológicas, do sentimento.
Façamos florescer uma civilização nova a partir da postura mental e espiritual elevada de cada criatura. Já dizia o filósofo: “A fronteira mais difícil a ser transposta é a do cérebro humano”. O homem foi à Lua, mas ainda não conhece a si mesmo.
O Templo da Boa Vontade — aclamado pelo povo como uma das sete maravilhas de Brasília e que, segundo dados oficiais da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), é o monumento mais visitado da capital do país — convida as criaturas a essa epopeia de empreender uma viagem ao seu próprio interior. Feito isso, sair até mesmo da Via Láctea será facílimo: desde que descubramos o âmago celeste de nosso ser, pois, na verdade, para o Espírito, o espaço não existe.
Assegurou Jesus: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

04jul/17

O patrimônio da Caridade

Paiva Netto
A Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento cordial entre criaturas que firmemente desejam a preservação deste mundo. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística de Deus, entendido como Amor — “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8) —, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e basta ir ao dicionário, que Caridade é sinônimo de Amor. Portanto, é respeito, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O mundo precisa de carinho e Amor. Quem diz que não quer ser amado está doente ou mentindo, o que, no fundo, no caso em questão, é a mesma coisa. Pode ter certeza de que a pessoa está gritando lá dentro: “Socorro! Preciso ser amado! ou, preciso ser amada! Mas não tenho coragem de dizer! Tenho vergonha de reivindicar, um pouco que seja, da Fraternidade dos meus irmãos humanos! Mas escutem o meu apelo desesperado e silencioso!”.
Como escrevi em Como Vencer o Sofrimento (2002), o Amor revela a Luz, e a Luz espanta a treva. Que mais quereremos nós? O ser humano tem carência de Amor verdadeiro. É o que muitos dirigentes dos povos em definitivo precisam entender. Governa bem aquele que governa o coração. Exclamam alguns: “— Ah, eu não falo em Caridade!”. Infelizmente creem que ela se resume em dar às pressas esmola ao mendicante que os interpela. Já estão em falta quando se irritam diante do necessitado, que em geral é efeito e não causa. Devem refletir sobre este ditado latino: “Hodie mihi; cras, tibi”. (Hoje, eu; amanhã, você). Ou seja: agora, o pedinte é ele; amanhã, poderemos ser nós. O pior é que alguns transferem essa “amofinação” para um sentimento elevadíssimo, que é a Caridade, que eles não entendem muito bem, mas que se personifica na cola que junta as partes separadas da sociedade mundial. Enfim, Caridade é a esperança que repousa em Deus.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

19jun/17

Erradicar o trabalho infantil

Paiva Netto

Volto ao assunto com o objetivo de contribuir para a erradicação desse preocupante quadro social. É preciso maior discernimento de todos nós dos malefícios que o trabalho infantil traz às novas gerações. As mulheres — que, por sinal, comemoram o seu dia em 8 de março, detentoras do sublime dom da maternidade — compreendem bem essa proteção especial que a sociedade deve às crianças.
Para a procuradora de Justiça dra. Maria José Pereira do Vale, o primeiro passo para o sucesso dessa empreitada é modificar a cultura que acha benéfico para os pequeninos o trabalho na fase infantojuvenil.

Conscientização familiar
Coordenadora colegiada do Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, a dra. Maria José, ao participar do programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), apresentou providencial campanha promovida entre organizações da sociedade civil e o poder público, cujo slogan esclarece: “Criança que estuda pode escolher o seu futuro. A que trabalha não”.
Defendeu a procuradora: “Essa mudança de cultura que dá prevalência ao estudo requer uma conscientização dos pais. Eles têm de estar muito cientes de que o estudo é fundamental na vida dos filhos, que nessa fase têm de se ocupar com a escola, com as atividades e brincar. Brincar é um direito que está no nosso ordenamento jurídico, e a brincadeira influi, e muito, no crescimento da criança e estimula a criatividade. É muito importante também para a fase adulta”.

O que é trabalho infantil?
Quanto aos adolescentes, de acordo com a legislação trabalhista brasileira, a dra. Maria José enfatizou que “eles podem trabalhar a partir dos 16 anos. Essa é a idade permitida por lei com registro em carteira, desde que não seja em hora extra, turno noturno e atividades que comprometam o desenvolvimento da sua moralidade”.
Existem, porém, casos em que o indivíduo ingressa no mercado de trabalho a partir dos 14 anos. A procuradora explicou: “Trata-se de um contrato de aprendizagem. Além do registro em carteira, ele propicia ao adolescente o estudo de uma ocupação, que o tornará, em dois anos, um profissional na área em que atua”.
Conforme ela ressaltou, nosso país é signatário da Convenção Internacional 182, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe as formas mais graves de trabalho infantil, entre as quais a exploração sexual e o trabalho nos lixões e no meio de substâncias entorpecentes. As penas para esses crimes são severas.
Você sabe que, em pleno terceiro milênio, o Brasil ainda possui 3,3 milhões de crianças envolvidas com o trabalho infantil? Os dados constam de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2014, divulgadas em 2015.
Se presenciar a exploração de crianças e adolescentes, ligue — de qualquer parte do território nacional brasileiro — para o Disque-denúncia da Procuradoria Regional do Trabalho da 2a Região: 0800 11 1616.
Grato, dra. Maria José, pelas elucidativas informações. Na Legião da Boa Vontade, há décadas, oferecemos o programa Criança: Futuro no Presente!, que colabora para o protagonismo de crianças e adolescentes de 6 a 15 anos em situação de vulnerabilidade social, considerando a história de vida e as singularidades deles. É uma ação que proporciona reforço didático, desperta, pelo lúdico, competências e habilidades, promove os valores espirituais, éticos e ecumênicos e integra a família.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

09jun/17

Dia dos Namorados

co aos que se amam — e os enamorados pela vida também estão incluídos — trecho de uma prece ecumênica que proferi, de improviso, na Super Rede Boa Vontade de Rádio:
Ó Jesus, cuja misericórdia nos sustenta, hoje o nosso pedido é em favor daqueles que se amam, se unem, se casam, que pela força do Amor enfrentam as dificuldades do caminho, criam seus filhos — se os têm — e avançam na direção de Deus, o Amor Supremo que liga realmente os corações dos que se amam.
Amor é medicina para a Alma. É o segredo do sucesso permanente. Amor, ensinamento de Jesus, é, nesta definição do Apóstolo Pedro (I-4:8), o poder que “cobre uma multidão de pecados”, isto é, quem age em função dele transforma seus erros e os dos demais em semente para tempos melhores; constrói a segurança que o mundo, por desfazer do Amor, não consegue realizar ainda. O segredo está em saber amar na medida deixada por Ti, Cristo Ecumênico, Divino Estadista, para todos os povos, porque o Amor derruba as fronteiras. É a maior força da Vida. É o que sustenta todas as obras de Boa Vontade. Que nos impede de claudicar. Que nos alimenta e nos dá força, afastando de nós as carências.
É ele, o Amor, que vibra nas nossas Almas, que mantém juntos os que realmente se respeitam. Por isso, se amam, e amam-se porque se respeitam. Para todos esses, sem exceção, o nosso pedido a Deus, ao Cristo e ao Espírito Santo para que se realizem no Amor eternamente.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

01jun/17

Web, educação e poder

Não é novidade que a internet se tornou ferramenta indispensável em nossa rotina. Ao acessá-la, vêm abaixo fronteiras antes intransponíveis para a maioria dos cidadãos. Contudo, jamais nos esqueçamos — também para o bom uso do meio cibernético — de que educação é poder. Sem o devido ensino, aliado à Espiritualidade Ecumênica, o manuseio desse influente recurso pode ser desastroso.
A dra. Lilian Castelani, especialista em Direito Eletrônico e Processo do Trabalho, de São Paulo/SP, fez um comentário de recorrente interesse das famílias:
“O principal perigo no mundo virtual é a exposição exacerbada. As pessoas não estão preparadas para usar a internet. Elas têm que ter maior responsabilidade pelo que vão publicar, principalmente nas redes sociais, nas quais a gente expõe as ideias, os nossos familiares, a nossa imagem. É importante adequar aquilo que deve, de fato, ser passado para a frente, porque, colocado na internet, está para o mundo. Dissemina-se muito rápido a informação, e ela hoje é muito valiosa”.
Recomenda a dra. Lilian: “Seja nas redes sociais ou quando você vai comprar um serviço qualquer na internet, é preciso avaliar se o site é idôneo, se os termos de uso estão de acordo com aquilo que você acha certo. Tomar esses pequenos cuidados é primordial para uma boa segurança da sua privacidade. Senão você será vítima de ilícito por culpa própria”.
O respeito ao próximo foi também ressaltado pela advogada: “É muito importante saber se o que você está colocando na internet vai magoar um terceiro, se será realmente útil para alguém ou até para si mesmo”.
Muita atenção agora ao que disse a dra. Lilian: “Às vezes, as pessoas postam fotos íntimas e não sabem a repercussão que isso vai dar na internet. Com um clique, isso se dissemina para milhões de pessoas, é imensurável para quantas outras daí em diante. E para tirar da internet é muito difícil! A gente consegue a retirada do ar de ilícitos, mas de coisas que você mesmo coloca é complicado, e daí você está exposto ao cyberbullying, a humilhações. É preciso cautela ainda ao expor opiniões muito polêmicas. Então, tem que tomar esses cuidados na hora de colocar a cara na internet”.
O sociólogo Daniel Guimarães, do programa Sociedade Solidária, da Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canal 196), expôs à dra. Lilian este quadro: “As crianças e os adolescentes são usuários ávidos dessas tecnologias. É comum as dominarem mais do que os próprios pais e, em geral, não têm tanta maturidade para compreender a questão dos limites”.
A orientação da especialista em Direito Eletrônico é que “os pais devem estar atentos à rotina da criança. Por exemplo, não deixar computador de maior uso em ambientes fechados, deixar em locais de maior circulação. Tudo bem que é difícil; hoje há os smartphones, os tablets. Mas a atenção do pai tem que ser sempre maior, observar o comportamento da criança, conversar com ela. Acho que proibir é tirá-la da sociedade hoje, porque ela está inclusa nesse meio social do virtual. Então, pelo bate-papo, deixar mais próximos pais e filhos. Entender que, às vezes, um ato do filho pode responsabilizar o pai de um crime, porque ele é responsável pelo filho. O pai não pode chegar em casa cansado e dormir. Não! Vamos saber como foi o dia e ver se o filho está mais chateado ou não. Acho que essa conversa em família é que dá maior responsabilidade”.
Para a dra. Lilian, “a palavra de ordem é educação”. Esse é o caminho para se prevenir dos crimes, que, segundo ela, “estão aí, são os mesmos, os meios é que são alterados. E hoje a gente está com uma ferramenta digital que dá uma disseminação para os crimes muito maior. Educar-se para mexer com internet é a grande segurança. Dar-se privacidade, tomar cuidado com o que expõe são as medidas mais coerentes para trafegar nesse mundo”.
Grato, dra. Lilian Castelani, pelos esclarecimentos de grande utilidade social.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

15maio/17

Até quando cativos?

Paiva Netto
Dezoito de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Trata-se do cumprimento da Lei 9.970, de maio de 2000.
Segundo o Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, “a data é uma lembrança a toda a sociedade brasileira sobre a menina sequestrada em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Sanches, então com 8 anos, quando foi drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. Muita gente acompanhou o desenrolar do caso, poucos, entretanto, foram capazes de denunciar o acontecido”.
Já se passaram mais de 40 anos desse lamentável episódio! É verdade que muitas louváveis iniciativas pelo país se empenham para evitar novas Aracelis. Contudo, até agora, não foi possível impedir que outras vítimas surjam a cada dia.
O brado renovado aqui é que a sociedade e seus órgãos constituídos jamais fechem seus olhos para tamanha calamidade. Esse “seriado” horripilante, cujas temporadas prosseguem ininterruptas e ainda sem data de término, não é uma ficção. A realidade de dramas inumeráveis continua clamando por mais segurança, bom senso, atitudes preventivas, justiça e caridade de todos nós.
E nada melhor do que abordarmos esse horror no ensejo da celebração da Lei Áurea no Brasil (13 de maio). Enquanto um só indivíduo, independentemente de sua etnia – seja criança, adolescente, jovem, adulto, idoso, mulher, homem – sofrer qualquer tipo de violação de seus direitos de cidadania, vivenciaremos um estado de cativeiro.

Marca da inclusão
Sob diferenciado espírito acolhedor, funciona a nossa rede de ensino pelo país, na qual desenvolvemos a Pedagogia do Afeto e a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, diretrizes da linha educacional que adotamos, que têm como alicerce a Espiritualidade Ecumênica.
Em 2014, o Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, recebeu integrantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP): a professora doutora Emília Cipriano Sanches, do curso de Pedagogia; a professora Regina Helena Zerbini Denigres; e as estudantes de Pedagogia Isadora Prados, Gabriela Romera, Melissa Rodrigues, Adriana Rocha e Paula Scobosa.
O Coral e o Grupo de Instrumentistas Infantojuvenis Boa Vontade as recepcionaram com uma canção de boas-vindas e uma música em Libras (Língua Brasileira de Sinais), que eles aprendem em sala de aula.
A dra. Emília Sanches, também coordenadora da Consultoria e Assessoria Educacional Aprender a Ser, destacou aos alunos: “Uma emoção muito grande! Quem educa educa para transformar, e vocês estão transformando. Fiquei olhando a expressão de cada um, a felicidade. Agradeço com muito carinho por vocês me fazerem acreditar que é possível ter crianças e jovens trabalhando numa perspectiva de transformação. A música que apresentaram traz uma mensagem maravilhosa, que é da inclusão. E a grande marca desta Instituição é a inclusão. Parabéns por fazerem essa verdade da inclusão se manifestar nas nossas vidas. Muito obrigada!”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

03maio/17

Oração, trabalho e Paz

Paiva Netto

Meu filho mais novo, hoje um adolescente, desde pequenino, ao proferir com nossos familiares e amigos uma breve prece à mesa antes das refeições, sensibiliza a todos com um simples mantra, que poderia resumir grandes compêndios de sabedoria, aquela que compartilha Solidariedade sem fronteiras de qualquer espécie. Exclama o jovenzinho:
“Deus, peço-Te que não falte a comida no prato de ninguém nem no nosso!”.
Por ocasião do Dia do Trabalho, 1o de maio, e diante de desafiadoras lutas que os povos enfrentam pelo mundo, é de muita valia invocar aos Poderes Celestiais análoga súplica: Que não falte o decente meio de ganhar o próprio sustento a nenhum dedicado trabalhador e nem aos nossos familiares! Amém!
Façamos juntos essa rogativa, mas na atuante esperança de que esse “assim seja” encontre, nos planos de governos do mundo, acertadas providências que atendam às urgentes necessidades das populações.
Seres humanos bem empregados e devidamente valorizados em seus esforços são garantia de Paz e sustentável progresso para todos.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

11abr/17

Morte e Ressurreição

José de Paiva Netto - fevereiro 2011 - MenorPaiva Netto

Pelos milênios, a celebração da Semana Santa demonstra-nos o inigualável suplício vivenciado por Jesus, o Cristo Ecumênico, o Celeste Estadista, na Sua dedicação extremada em prol da Humanidade, como no drama do Getsêmani. Sendo Espírito sem mácula, o Ungido de Deus voluntariamente carregou nossos erros sobre Seus ombros, a fim de nos livrar da ignorância que origina a Dor.
Pouco antes de ser preso pelos beleguins do poder da época, de conformidade com a narrativa de Lucas (22:39 a 46), o Divino Crucificado reitera para todos nós:

Jesus no Getsêmani
“E, saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os Seus discípulos O seguiram. E, quando Jesus chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação! E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, afasta de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua.
“Então, Lhe apareceu um Anjo do Céu, que O confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o Seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.
“Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos e os achou como que dormindo de tristeza. E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação”.

Jesus, o Senhor do Apocalipse, o Pão que desceu do Céu, doa a Sua própria vida
De que modo o ser humano pode manter-se acordado dignamente, perante Jesus e a Sua Política Eterna, a ponto de compreender o significado divino da Dor, que fez com que Deus O abençoasse com Poder e Autoridade? Alimentando-se do Pão que desceu do Céu, porquanto, antes da definitiva reforma social, necessário se faz realizar a do Espírito, mas com Amor, Fraternidade, Solidariedade e Generosidade. Afinal, as palavras e os exemplos do Sublime Ser, que derramou Seu sangue para o nosso resgate, constituem esse alimento eterno, consoante lemos nas Escrituras:
I —“Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém comer desse Pão, viverá eternamente” (Evangelho de Jesus, segundo João, 6:51); e
II — “(…) pelo Seu sangue [Jesus] nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse, 1:5).

Não há Política sem Amor Solidário
Como?! É o seguinte: dizer que Jesus nos libertou dos nossos pecados significa asseverar também que o Divino Mestre nos deixou um roteiro doutrinário excelente para nossa vitória. Ao seguirmos esse Sagrado Estatuto com verdadeiro espírito de Caridade e de Justiça, nos transformaremos no esteio de nossos semelhantes na Terra. Porquanto não há pecado maior do que a ausência de Amor solidário para com os cidadãos (ou cidadãs) de cada país.

E nós ressuscitamos com Ele
Prossigamos, pois, aprendendo com Jesus que, superando os dramas do Getsêmani e do Gólgota, ressuscitou dentre os mortos para conforto e esclarecimento dos corações terrenos. E repetiremos, então, o que bradamos em 1997, no Rio de Janeiro/RJ, no dia 31 de dezembro, na passagem do ano-novo: Jesus ressuscitou, e nós, com Ele. Graças a Deus!
A morte é apenas a abertura de novas experiências de vida. Todavia, que ninguém considere o violento ato do suicídio e suas trágicas consequências como uma escolha libertadora. Tudo, até a morte, tem leis disciplinantes.
Esses e outros modestos comentários fazem parte de meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade (2014), que, para meu gáudio, tem comovido muitos corações.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

08fev/17

Efeito social da prece

José de Paiva Netto - fevereiro 2011 - MenorPaiva Netto

Em entrevista à jornalista portuguesa Ana Serra, comentei que — a acepção de Fraternidade e Espiritualidade Ecumênica coloca-nos em sadio contato íntimo com nós mesmos e com o Criador do Universo e Suas criaturas, que constituem o mais perfeito altar onde devemos adorá-Lo, conforme destaquei, em 5 de novembro de 1983, no discurso de lançamento da pedra fundamental da sede da Legião da Boa Vontade, em São Paulo/SP, Brasil, durante o 8o Congresso dos Noivos e Casais Legionários. Na obra Ao Coração de Deus — Coletânea Ecumênica de Orações (1990), afirmei: Quando se ora, a Alma respira, fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte do coração. E isso se encontra ao alcance de todos, porquanto possuímos a inata capacidade de meditar para escolher o caminho adequado e resolver transtornos que se iniciam no Espírito e, depois, se manifestam no corpo humano, muita vez em forma de doença, e no campo social.
Escrevi em Reflexões da Alma (2003) que quem, religioso ou ateu, souber usufruir do silêncio de Alma fará brotar, de dentro de si, todas as riquezas que o mundo não lhe pode oferecer, a começar pela paz de espírito, que Deus nos prometeu e que ninguém, além Dele, nos pode integralmente proporcionar, porque nem na sua totalidade ainda a conhecemos: “Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou. Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a Paz de Deus, que o mundo não vos pode dar. Não se turbe o vosso coração nem se arreceie, porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim dos tempos” (Evangelho de Jesus, segundo João, 14:27; e Mateus, 28:20). Não há um pensador sério, guardadas as exceções de praxe, que não necessite entrar, mesmo que vez por outra, no ambiente inspirador da reflexão, dando-lhe este ou aquele nome. E isso não favorece apenas a quietude psíquica, mas igualmente a serenidade somática.

Ideia cuja hora chegou
Em Somos todos Profetas (1999), digo: Estamos corpo, mas somos Espírito. A nação que compreender e administrar essa Verdade empolgará e governará o mundo no transcorrer do terceiro milênio. E, se alguém julgar tal raciocínio um delírio, apresento-lhe este aforismo do genial Victor Hugo (1802-1885): “Aqueles que hoje afirmam que uma coisa é impossível de ser concretizada tacitamente se colocam do lado dos que vão perder”.
Bem a propósito, o filósofo e sociólogo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972), correspondente de Einstein (1879-1955) e grande admirador da Legião da Boa Vontade — que definiu como “um movimento novo na História da Humanidade. Colocará o Brasil na vanguarda do mundo” —, numa de suas conferências, lembrou-se deste outro apontamento do gigante de Besançon: “Há uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: é uma ideia cujo tempo tenha chegado”.
Hoje, até a ciência já considera que a Espiritualidade Ecumênica pode reduzir o risco de doenças tidas como graves ou incuráveis. Em entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (TV, rádio e internet), em 2009, acerca do tema, declarou o pesquisador, professor e psicobiólogo Ricardo Monezi, do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): “Atualmente já temos diversos relatos na Ciência de que uma pessoa que exercita o bom pensar, a felicidade, todos os bons sentimentos, tem um potencial de defesa do corpo muito maior do que uma pessoa pessimista. (…) Uma pessoa otimista, quando vai ser vacinada, desenvolve anticorpos com uma rapidez muito maior do que a pessimista. E tem muito mais chances de atravessar um processo de adoecimento crônico em relação a uma pessoa pessimista”.
Eis aí: Espírito saudável é medicina preventiva para o corpo.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

25jul/12

Tecnologias assistivas

Paiva Netto

Neste mundo globalizado, em que as tecnologias se aprimoram a uma velocidade que impressiona, abre-se um leque de oportunidades para a inclusão, no mercado de trabalho, de pessoas com deficiência. Contudo, muitas dessas novas ferramentas esbarram no despreparo e na desinformação de uma parcela da sociedade.

Segundo a analista de tecnologia assistiva da Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), Karolline Fernandes Sales, ela própria deficiente visual, as empresas usam três argumentos para não contratar alguém com baixa ou nenhuma visão.Um deles é o desconhecimento. Para a maioria dos empregadores, o cego não tem condições de trabalhar, de chegar ao local de trabalho. Outro empecilho é o de não saber utilizar um computador; sem falar do custo do leitor de tela, que varia de R$ 1,3 mil a R$ 1,7 mil ou um pouco mais. O terceiro argumento é o de que não existem pessoas qualificadas no mercado”, afirmou.

Em entrevista ao programa “Sociedade Solidária”, da Boa Vontade TV (canal 23 da SKY), Karolline Sales, que também exerce a função de assessora de comunicação da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), contestou: “Conheço várias pessoas com deficiência visual graduadas, pós-graduadas, que já concluíram o mestrado. Então, esse argumento da falta de qualificação é mais hipotético do que real. Claro que existem indivíduos sem qualificação, não só com deficiência, mas sem deficiência também. A Avape, inclusive, é uma das pioneiras em capacitar pessoas com deficiência, não só a visual”.

Um dos principais avanços no que diz respeito à inclusão social foi a implementação da Lei de Cotas. Karolline Sales esclareceu: “Essa lei determina, de acordo com a quantidade de empregados, a contratação do trabalhador deficiente. A grande dificuldade dos empresários, dos gestores, é como contratar, onde buscar esse profissional? É aí que entra a Avape”.

OPORTUNIDADE E COMPETÊNCIA

No programa, foi apresentada uma matéria com o depoimento do deficiente visual Edi Carlos de Souza. Com apenas 1% de visão, ele procurou a Avape para recolocação profissional e começou a prestar serviço para a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), do Estado de São Paulo. Sobre a sua capacitação, Edi Carlos comentou: “Precisei passar por treinamentos porque uso dois sistemas. Um de leitor de tela — para acompanhar as informações do computador — e outro do próprio sistema do ‘Emprega São Paulo’”. Orgulhoso de sua profissão, ele desabafou: “Infelizmente, no Brasil temos falta de informação em relação ao deficiente. Hoje em dia, a tecnologia e os mecanismos de acesso estão aí para todo o mundo verificar. O que a pessoa deficiente precisa? De uma oportunidade. Esse é o xis da questão. Ninguém pode ser julgado pela deficiência. Primeiro, o empregador tem que avaliar a capacidade, e não a deficiência”.

E arrematou: “Você, que tem alguma deficiência, nunca se esconda. Estude, faça cursos, procure, pois o mercado está precisando. E vocês, que são empregadores, sempre acreditem e nunca prejulguem um deficiente. Deem a ele uma oportunidade, depois o avaliem”.

Diante do exposto, é gratificante saber que, apesar dos obstáculos, mais deficientes conquistam a cada dia maior reconhecimento na sociedade e, principalmente, no mercado de trabalho.

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com